Fazem alguns meses que eu não escrevo aqui no blog um texto bem sincero. Talvez eu tenha perdido a mão, sei lá… as ideias voam, as palavras misturam-se com as anotações de deveres que parecem gritar pelo meu nome e exigir minha total atenção. Acabo deletando cada letra dos textos que começo, uma a uma, como em um tiroteio, até que não resta nada além de um espaço branco na tela. Me falta paciência, aí fecho a janela do blog e vou responder algum e-mail da caixa de entrada ou terminar uma tarefa por fazer. Aos poucos estou deixando que o trabalho e estudos me consumam. São escolhas. Falando em escolhas…

…Quando eu tinha dezoito (ou dezenove) anos me apaixonei. Só que eu SÓ tinha dezoito (talvez dezenove) anos. Faz diferença, fique sabendo. Eu era inconstante e cheia de medos. Entre palavras não ditas e outras tantas atravessadas acabou que cada um seguiu por caminhos diferentes. A vida tem dessas, afasta, retoma, destrói, refaz, e no final nos ensina somente com um bom chá de cadeira. Regras são regras. Você pode debater-se, complicar e fazer drama. A vida apenas rirá da sua cara e dirá; “senta aí e espera, você precisa aprender umas e outras”.

Quando eu tinha meus vinte e poucos anos me apaixonei, pelo mesmo cara! Sim, dá para se apaixonar pela mesma pessoa algumas vezes. Só que dessa vez eu dei mancada. Sem maiores detalhes, mas foram necessários alguns anos de distância para encararmos que relacionamentos são complicados e algumas pessoas possuem o poder de complicar ainda mais.

Hoje, aos vinte e cinco anos, acordei e a primeira coisa que fiz foi ler uma mensagem do cara por quem me apaixonei algumas vezes durante a minha vida. Ele continua aqui, presente. Percebemos que depois de tantos anos e tantos contornos que fizemos a melhor saída foi encarar os fatos da nossa história e seguirmos em paz. Quando gostamos de alguém o que importa é ver a felicidade do outro. Sem amarras e sem amarguras. É dizer umas verdades, arriscar um pouco e depois ficar em paz com o rumo que as coisas tomaram.

A mensagem veio com uma música que ele me enviou pela primeira vez a seis anos atrás. Caramba, seis anos se passaram! O tempo é uma coisa engraçada, ele passa, o que é um fato, mas às vezes uma simples música, um sabor ou um cheiro conseguem nos transportar para o passado em alguns segundos, e tudo parece que não passou de um sonho.

“Parece besteira, mas só bem recentemente que comecei a perceber que o tempo realmente passa. As coisas que escolhi fizeram todas as coisas que não escolhi nunca existirem… espero que depois desses anos todos você ainda seja aquela moça segurando os balões e viaje e faça as coisas que você gosta e sonha em fazer. A gente só tem uma chance na vida…” ele me escreveu.

Passei o dia pensando nisso e na pergunta que ele fez a si mesmo, mas que também estou me perguntando agora, “Será que sou quem eu gostaria de ser?” 

Um dia a gente acorda com umas dores no corpo, com os olhos mais inchados, com olheiras, umas rugas e sentindo que o tempo está realmente deixando suas marcas na nossa casca. Um dia a gente acorda e percebe que o tempo também deixou seus rastros dentro de nós. Aí vem a pergunta; será que estamos sendo quem gostaríamos de ser?

Se temos só essa vida, essa chance, o agora… será que o que estamos escolhendo é o que deveríamos escolher?

Todas as vezes que fazemos uma escolhas muitas outras histórias se apagam da nossa vida, muitas pessoas deixam de existir e muitos momentos esboçados são jogados no vácuo. Quando não escolhemos, tudo ainda é possível. Por outro lado se não escolhemos, nada acontece. Seria a inexistência. Daí o tiro é no escuro e é feito por uma série de fatores que nos levaram até aqui. Podemos culpar o acaso, o passado, nossos pais, nossos antigos amores, Deus, enfim… podemos arranjar muitas desculpas, até algumas muito boas e corretas, mas não estaríamos sendo 100% justos. Certo? Nossa parcela de culpa também está inserida no saldo total.

Apesar de sermos uma mistura de uma série de fatores aleatórios, outros tantos de influência externa e um bocado de mancadas de autoria própria, ainda podemos refazer e apostar nas nossas escolhas. Todos os dias abrimos uma porta e fechamos outra. Qual escolher? Eu escolho não dizer. Até porque não sei. Só sei que às vezes é bom parar e pensar nisso tudo, mesmo que não cheguemos a conclusão alguma.

Penso que o ideal seria chegar ao final da vida em paz. Consigo mesmo, com as pessoas que realmente te amaram, com a sensação de ter aproveitado as oportunidades, de ter tentado apesar dos erros, fazendo melhores escolhas, tentando não agradar todo mundo e mais a si mesmo, fazendo algo pelos outros, não vivendo numa bolha, mas também estabelecendo seu espaço, perdoando e deixando-se perdoar. O resto é experiência, aceita e tenta fazer o melhor que puder com o que você tem hoje. Meu pai sempre ressalta que eu tenho poderes. O poder de lutar, de focar em um objetivo e ir até o fim. Mesmo que eu erre, sempre vou ter o poder de levantar e retomar o meu caminho com foco e sabedoria. Acho que talvez isso seja algo bem perto da paz plena, continuar seguindo com coragem apesar das quedas, entendendo os erros e dando um novo significado para a dor.

Foi preciso um antigo amor, um eterno amigo e anos de crise para chegar até aqui, nesse exato momento em que estou escrevendo para vocês. Eu não conseguiria pensar tudo isso se eu não tivesse passado por tudo que passei. Se eu não tivesse aprendido com tantas pessoas. E nesse caso caso, com uma pessoa específica. A vida são feitas de escolhas, uma boa dose de palpite e muitas indagações. Mas relaxa, não tem problema. Já li em algum lugar, não me lembro onde, que as respostas não são tão importantes, o essencial é fazer as perguntas certas. Então continuemos tentando e fazendo perguntas, no decorrer da vida algumas respostas surgem e você começa a entender melhor certas coisas.

Só desejo, assim como ele me desejou, que vocês façam as coisas que gostam e sonham em fazer. A gente só tem uma chance na vida…

Me sinto feliz por ter escolhido escrever isso.

Boa noite.

Com amor,

Hady

 

 

Foto: Kaike Bersot