Vida

Que tal um ano sabático?

A primeira vez que ouvi falar no termo “ano sabático” foi com o meu pai. Ele estava comentando comigo que queria poder ter um ano para descansar e dedicar-se a outros projetos. Depois da nossa conversa fiquei bem tentada a experimentar a mesma ideia no futuro.

O termo veio da origem judaíca, sábado,“dia de descanso”. Além do sétimo dia da semana, reservado para o descanso, a cada ciclo de sete anos os judeus ficavam um ano inteiro sem trabalhar. Esse ano servia para que a terra pudesse descansar depois de seis anos de colheita e lida. O costume deixou o lado religioso e a sociedade incorporou esse termo para designar uma pausa, que pode ser de um ano, mais, ou menos, para fazer outras atividades.

Historicamente o ano sabático segue a lógica que a terra, e as pessoas, precisam ter uma pausa para descansar. Algumas pessoas podem achar que essa é uma boa maneira de fugir das responsabilidades ou do trabalho, que isso é coisa de gente folgada ou vagabunda. Mas esse período de descanso não é sinônimo sedentarismo ou inatividade. Infelizmente vivemos em uma sociedade que quanto mais trabalho melhor, e pausas para descanso, que eram para serem vistas como algo normal, não são bem compreendidas. Uma pausa na rotina para experimentar novas experiências é uma boa maneira de manter-se saudável e até com um nível melhor de intelecto. Algumas universidades apoiam o ano sabático para os professores colocarem seus projetos em dia, se engajarem numa pesquisa ou curso, enfim, não é visto como perda de tempo, mas sim investimento.

Se você parar para pensar vai acabar encontrando algo que gostaria de fazer durante um ano. Cada um de nós tem um motivo para tirar um tempinho, seja para fazer um curso no exterior que irá abrir novas possibilidades para sua carreira, ou aprender uma nova língua. Quem sabe para dedicar-se a um trabalho voluntário, abrir um novo negócio, escrever um livro (sonho), ou apenas ter uma pausa para colocar a cabeça em ordem e decidir novos rumos.

Apesar de não ser algo tão comum o ano sabático já foi adotado por várias pessoas ao redor do mundo.

E se você gostou da ideia deve estar fazendo algumas perguntas do tipo; e o dinheiro? O trabalho, conforto, amigos, família, namorado (a), papagaio, cachorro, vou ter que largar tudo? O que vou fazer durante um ano? Dei uma pesquisada, li muitos artigos sobre o assunto e compilei algumas dicas de pessoas que fizeram o ano sabático.

Bem, dinheiro é preciso. Mas pare para pensar, há muitas cidades pelo mundo em que o custo de vida é bem mais baixo do que morar em uma cidade no Brasil. O site Numbeo mostra o custo de vida pelo mundo e faz a comparação com o quanto você gasta atualmente. Essa é uma boa maneira de ter uma média de gastos e escolher um destino. Outra coisa, estabeleça prioridades e guarde uma grana. Por exemplo, a Luiza Antunes do blog 360 meridianos guardou o valor de um carro de R$25.000,00 para tirar um ano sábatico. Às vezes vale a pena fazer algumas trocas ou abrir uma poupança e guardar um pouco de dinheiro todo mês. Se você quiser seguir a ideia dos judeus pode seguir o 7 em 7 e colocar a meta que daqui sete anos você vai dar uma pausa, aí você começa a poupar desde já.

Em relação ao emprego há algumas opções: pedir licença não remunerada, pedir demissão ou ainda encontrar um trabalho em que você possa fazer as atividades de maneira remota ou como trabalho temporário em outro país. A ideia do ano sabático é descansar, mas acho que é válido ter uma experiência de trabalho a distância ou em outro país. Para quem estiver procurando algo na área o portal Jobbatical pode ter ajudar a se conectar com empresas e startups que precisam de um colaborador temporário. Eles oferecem empregos temporários, com duração variável entre um mês e um ano, em Berlim, Viena, Roma, Budapeste, Bruxelas, entre outras cidades são disponibilizados no site. E além desse, há vários outros sites que te ajudam a encontrar um trabalho que pode ser remunerado, ou voluntário.

E os laços com a família, amigos, cônjuge, namorado(a)? Assim como tudo na sua vida você terá que saber lidar com a situação da maneira menos traumática possível, é uma questão de gerenciamento. Uma boa conversa ajuda. Há muitas famílias que deram a volta ao mundo e o projeto deu super certo, ou outras pessoas que foram sozinhas e que conseguiram manter seus relacionamentos apesar da distância. Depende muito, de você e de quem for encarar o desafio ao seu lado. Também há a possibilidade de os relacionamentos se desgastarem ou que haja a falta de apoio da família. Bem, não posso dizer o que você deve fazer ou o que vai acontecer. O ideal é colocar essas questões em pauta e ver até vai a tua vontade de fazer essa pausa. Agora, se houver apoio se joga!

Sobre o que fazer durante esse ano de folga também vai da sua escolha pessoal, já citei cursos, viagens, aprender uma nova língua, ser voluntário, escrever um livro, ou fazer um retiro solitário para reorganizar suas ideias. Isso depende muito. Gosto de imaginar que se eu tirasse um ano sabático seria para fazer algo que eu realmente gosto, acho que é uma boa maneira de começar a pensar em uma atividade. 

Mas o contrário também pode acontecer, assim como existem pessoas que querem tirar um ano sabático, há aquelas que não podem e nem querem se arriscar, tudo bem galera! Há pessoas que amam trabalhar e que nem cogitam a ideia de parar. O importante é estar ciente de como você conduzirá a sua vida. Só não achem que é impossível tirar essa folga de um ano, muitas pessoas já fizeram e se deram bem.

É algo a se pensar, pelo menos, não acham?

PS: E se um ano não rolar, tire uma férias merecidas 😉

Até a próxima!

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Vida

Ainda é preciso um bocado de paixão

Fui criada em um meio artístico, e sou grata pelo fato. Minha mãe fez Belas Artes e sempre incentivou o amor por esse universo. Lembro que quando éramos pequenas, eu e minha irmã, sentávamos ao lado da nossa mãe para que ela lesse a biografia de pintores famosos. Outras vezes para pintar, reproduzir quadros e experimentar coisas novas na área. Era um gosto raro, lembro hoje com muito carinho.
Crescemos e cada uma enveredou por um lado, mas a apreciação pela arte em seu contexto mais amplo permaneceu. Foi por essa e outras situações que acabei me apegando, me apaixonando, pela história, por alguns artistas, suas obras e maneiras de expressão. Em especial Van Gogh.

Vicent Van Gogh não teve uma vida muito fácil. Quando jovem desistiu da carreira confortável de pastor para experimentar aquilo que o motivava de uma maneira ardente, a arte. Apesar do esforço, dos estudos, tempo e dinheiro investidos em pinturas, Van Gogh não teve reconhecimento em vida. Passou boa parte dos seus dias dedicado a sua paixão que o levou a uma constante série de fracassos. Vítima de chacotas, humilhações e indagações internas ele foi considerado louco. O artista suicidou-se em 27 de julho de 1890.

Embora seja uma história triste e com muitos outros detalhes que não consegui escrever na breve descrição acima, considero Van Gogh uma inspiração para minha vida. Louco, pobre, sem sucesso na vida profissional, amorosa e pessoal. Talvez você ache estranho alguém considerar o artista uma inspiração.

Um dos meus livros favoritos chama-se “Cartas a Théo”, que é uma compilação de cartas trocadas entre Vicent e seu irmão mais novo, Théo. E foi nessas folhas que descobri alguém além do fracasso e loucura. Van Gogh acima de tudo era um apaixonado por aquilo que fazia. Mesmo em sua dor e ridículo ele continuou perseguindo o que amava. Para mim suas pinturas são lindas pelo simples fato de serem de Van Gogh, mas observá-las com outra visão, sabendo o quanto custou de tempo, dedicação, paixão e coragem para criá-las deixa cada uma das obras mais belas e únicas.

Um dos pensamentos que mais gosto dele está escrita em uma carta de 9 de janeiro de 1878

A partir do momento em que nos esforçamos em viver sinceramente, tudo irá bem, mesmo que tenhamos inevitavelmente que passar por aflições sinceras e verdadeiras desilusões; cometeremos provavelmente também pesados erros e cumpriremos más ações, mas é verdade que é preferível ter o espírito ardente, por mais que tenhamos que cometer mais erros, do que ser mesquinho e demasiado prudente. É bom amar tanto quanto possamos, pois nisso consiste a verdadeira força, e aquele que ama muito realiza grandes coisas e é capaz, e o que se faz por amor está bem feito […] Se continuarmos a amar sinceramente o que na verdade é digno de amor, e não desperdiçarmos nosso amor em coisas insignificantes, nulas e insípidas, obteremos pouco a pouco mais e nos tornaremos mais fortes […] E é sensato fazer estas coisas, porque a vida é curta e o tempo passa depressa.

Toda vez que penso em Van Gogh gosto de analisar a mim mesma, e gostaria que você também o fizesse. Não acho que devemos usar o fracasso de Van Gogh como uma desculpa para nossos próprios erros. Pelo contrário! Considero o pintor uma inspiração por outros motivos. Não importa o que você esteja procurando, continue, busque de coração e dedique-se. Espero que você colha os frutos ainda em vida, diferente de Van Gogh, mas assim como ele que você viva aquilo que acredita. Por que acima das expectativas alheias e das pedras e buracos no caminho há a paixão, e é esse nosso combustível. Não se deixe enganar, ainda é preciso um bocado de amor para viver de verdade.

Às vezes precisamos lembrar disso para continuarmos na caçada pelos nossos sonhos.

Boa semana!

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Literatura

A obra de Wes Anderson em livros

Mostrei uns tempos atrás no meu perfil do Instagram uma foto de dois livros comprei. Perguntei se alguém tinha interesse que eu fizesse uma resenha e uma galerinha se mostrou interessada. Por isso, estou hoje respondendo aos pedidos! Finalmente preparei o post sobre os livros do (mega amado) diretor Wes Anderson.

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INTRODUÇÃO:

Wes Anderson é um diretor norte-americano que nos últimos anos começou a ganhar mais destaque na crítica especializada de cinema e por consequência ficar mais conhecido pelo grande público. Seu último filme “The Grand Budapest Hotel”, foi um sucesso e levou várias indicações ao Oscar. Venceu as categorias de melhor trilha sonora, melhor design de produção, melhor figurino e melhor maquiagem e cabelo, dominando os prêmios técnicos!

Não há como negar, o diretor tornou-se um dos queridinhos de muitos cinéfolos por aí. Sim, o cara é bom em vários sentidos, mas para mim o primordial é que ele conseguiu criar uma identidade muito sólida, um estilo muito Wes Anderson de ser. Exemplos; criou o dollhouse shot, o uso dos mesmos atores em vários trabalhos, uma referência sempre ao vintage, trilhas sonoras marcantes, câmera lenta, a colorização dos filmes, takes característicos, universo lúdico, enfim. No resumo da ópera Wes Anderson conseguiu uma coisa a qual aprecio muito, criar um estilo para chamar de seu e ser reconhecido por isso.

OS LIVROS:

Então vamos falar sobre os livros! Ambos foram escritos pelo crítico Matt Zoller Seitz, que acompanha o trabalho do Wes Anderson desde o sue primeiro longa lançado, Bottle Rocket. E isso é muito legal! Porque o leitor acompanha o trabalho do diretor através da perspectiva de um crítico da área desde o início, não apenas a partir da popularidade do Wes Anderson. Matt Zoller Seitz era figura presente nas entrevistas, nos lançamentos e acompanhou de perto o crescimento e aprimoramento dos filmes do diretor.

Os livros são para quem gosta de cinema e para quem curte o trabalho do diretor, já adianto. São muitos os termos técnicos, referências e entrevista sobre o assunto. Ah, o livro não foi lançado em português e não é tão fácil de encontrar em livrarias por aí. Encontrei apenas o The Wes Anderson Collection na Cultura e por um preço bem salgadinho. Okay que o dólar está nas alturas, mas eu comprei pela Amazon e valeu bem mais a pena. Então se você pensa em ir para o exterior ou tem um amigo ou familiar que pode trazer a encomenda na mala, sugiro que compre em uma livraria online gringa.

THE WES ANDERSON COLLECTION

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Esse livro levou 20 anos para ser escrito! Não de uma maneira linear, mas com pausas entre a escrita, já que nele estão reunidos os sete primeiros filmes de Wes Anderson! No “The Wes Anderson Collection” temos os filmes: Bottle Rocket, Rushmore, The Royal Tenenbaums, The Life Aquatic With Steve Zissou, The Darjeeling Limited, Fantastic Mr. Fox e Moonrise Kingdom. Para cada capítulo um filme!

O trabalho de diagramação está lindo! Foram feitas ilustrações para o livro e tem muito, muito conteúdo extra como fotos, anotações, referências de outros filmes, esboços do diretor entre outras curiosidades do por trás das câmeras. O livro foi escrito da seguinte maneira; um capítulo para cada filme e uma introdução do autor sobre cada um deles, depois todo o formato do capítulo é de uma entrevista entre Matt Zoller Seitz e o Wes Anderson. O autor pede para que nós leitores não encaremos a obra apenas como uma entrevista, mas como uma boa conversa entre os dois. E é isso mesmo que acontece, a leitura fluí.

O legal é ver como o Wes Anderson explicando a construção de seus filmes, suas ideias, referências, quando tal equipamento é usado e como ele criou e construiu cada personagem. Ele é perfeccionista. Um exemplo é a elaboração do “dollhouse” shot que é uma sequência de imagens bem característica do diretor. Quando a câmera visita ambientes com os personagens, como se estivéssemos em uma casinha de bonecas. O mais legal é ver as referências do diretor, algumas são bem presentes como Star Wars, Hitchcock e The Peanuts. Fiquei fascinada por tudo isso! E passei a olhar os filmes de uma outra maneira, compreendendo as escolhas do diretor e como as coisas funcionam em um set de filmagem.

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hadassah_sorvillo_img_85Ficha do Livro

Título: Ther Wes Anderson Collection

Autor: Matt Zoller Seitz

Ano: 2013

Editora: Abrams

ISBN: 978-0-8109-9741-7

Número de páginas: 327 páginas

Minha nota para o livro: 5/5

Deem uma olhadinha no Book trailer do livro:

THE GRAND BUDAPEST HOTEL

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O segundo livro foi totalmente dedicado ao último filme do diretor já que na época em que o The Wes Anderson Collection foi lançado o The Grand Budapest Hotel ainda não havia ido para as telas de cinema. Resumidamente esse livro segue a mesma linha do primeiro. Mas há um detalhe, nesse livro há mais textos descritivos em comparação ao primeiro, que é quase todo no formato de uma entrevista.

Diferente do primeiro livro eu achei esse mais completo, já que foi totalmente dedicado a um único filme. Há entrevistas com outras pessoas da equipe do Wes Anderson, e temas como; figurino, trilha sonora, ambientação e design de produção, foram mais explanados. Achei mais rico em conteúdos. E apesar de o primeiro também ser muito bom, o último lançamento conseguiu superar! É incrível o processo de criação!

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Ficha do Livro

Título: The Grand Budapest Hotel

Autor: Matt Zoller Seitz

Ano: 2015

Editora: Abrams

ISBN: 978-1-4197-1571-6

Número de páginas: 249 páginas

Minha nota para o livro: 5/5

Book trailer do livro The Grand Budapest Hotel

Eu poderia passar um bom tempo escrevendo sobre o assunto porque tem muuuito conteúdo nos livros, mas não conseguiria passar nem metade! O bom é sentar, folhear o livro e entrar no universo de Wes Anderson. Por isso aconselho quem gosta e ficou interessado em adquirir um exemplar, vale muito a pena.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o diretor separei esses três vídeos com umas informações extras. Aproveitem, e nos vemos na próxima!

Mini doc da obra de Wes Anderson

A simetria na obra de Wes Anderson

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