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Quando terminei a última página do livro, lembro-me que pensei “que corajoso!”

Retalhos é uma obra que que aborda de maneira profunda, delicada e sincera os principais questionamentos e mudanças da vida, mas que poucos têm coragem de mostrar com tanta transparência e poesia.

Não é um livro pequeno, creio que umas 600 páginas, mas passou tão rápido! Li numa sentada só, e depois de algumas horas já havia terminado. Sou meio suspeita para falar sobre Craig Thompson, desde que li Habibi desenvolvi uma “quedinha” pelo trabalho dele. E dessa vez não foi diferente, novamente ele me impressionou com a sensibilidade da escrita e desenhos.

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Numa narrativa auto biográfica permeada de uma ordem não cronológica dos fatos, Craig nos leva para sua infância em uma pequena cidade do estado de Wisconsin. Criado em uma família cristã e extremamente rígida o pequeno Craig desenvolve o gosto pelos desenhos como uma maneira de escapar do mundo e dos problemas que enfrenta em relação à pobreza, bullying e opressão religiosa. Ao percorrer seu amadurecimento até a entrada na universidade o autor nos mostra através dos quadrinhos seus questionamentos, sofrimentos, incertezas, primeiro amor e as descobertas maravilhosas e dolorosas que resultam.

Em todo o livro é perceptível o grande choque que ele teve em relação à religião. Mesmo tendo sido criado como um “bom cristão”, Craig deixa claro que a religião e a pressão que seus pais e pastores colocaram em cima do nome de Jesus não foi lá muito benéfica. A religião é colocada como pano de fundo para os principais questionamentos de sua vida. Achei de uma sinceridade imensa ele abordar esse tema. Creio que ainda exista um imenso tabu em relação ao cristianismo. Como se fosse proibido em certas famílias, e religiões, questionar práticas, ou sufocar dúvidas como se isso fosse proibido ou te tornasse um pecador.

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Esse livro é tão tocante porque é íntimo, como um diário contando em detalhes mais profundos sentimentos de um jovem ainda por descobrir o mundo e a si mesmo.Por isso acho tão corajoso!

Craig deixa claro que apesar dos traumas e das decepções todos nós queremos deixar nossas marcas pelo caminho, mesmo que momentâneas, elas ficam lá como sinal que precisamos continuar a caminhada.