low-consumerism

O consumo mudou com o decorrer do tempo. Primariamente consumíamos para satisfazer as necessidades básicas, e hoje estamos vivendo numa cultura que transformou tudo em excesso. Consumo virou consumismo, passamos a colocar as coisas acima de tudo, a ideia de felicidade mudou e comprar tornou-se sinônimo de satisfação. Mas esse cenário está mudando gradativamente, e estamos vendo algumas ideologias surgindo através de microtendências que buscam alternativas para viver com menos. Esse é o recado do Lowsumerism:

o processo de autodestruição causado pelo consumismo só poderá ser freado por meio de um profundo despertar de consciência.

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O vídeo “The Rise of Lowsumerism”, lançado pela Box1824 em agosto de 2015 é um estudo que introduz o conceito — nomeado pela junção das palavras “low” (baixo) e “consumerism” (consumismo) — e propõe o questionamento de hábitos ainda majoritários na relação humana com o ato de comprar.

Desde o final do século 19, com o crescimento do consumo ocasionado pela Revolução Industrial. A relação das pessoas com o ato de consumir vem se intensificando exponencialmente, fortalecida por diferentes períodos: o surgimento do sistema de crédito e da propaganda nos anos 1920, o ideal do “sonho americano” nos anos 1950, o consumo individualista dos anos 1980. Não podemos desconsiderar os fenômenos sociais de contracultura das décadas de 60 e 70, como a filosofia hippie, o punk e o anticonsumismo. Foram vanguardas que contribuíram para a disseminação de um estilo de vida minimalista, e defenderam — cada uma à sua maneira — uma libertação do sistema dominante.  Foi nos anos 90 que o cenário do consumo tornou-se preocupante, transformando-se em consumismo. Tal comportamento foi fortalecido pela mentalidade do “você é o que você consome”, vigente deste então. Neste período, a mídia de massa começou a abordar os males destes excessos e, nadando contra a corrente, iniciativas ambientais deram voz a previsões ecológicas catastróficas. Tudo isso contribuiu para que manifestações da consciência lowsumer começassem a ampliar seu alcance — mesmo que ainda timidamente.

Mais recentemente, nos anos 2010, o boom da economia compartilhada ajudou a vislumbrar alternativas para os moldes engessados do capitalismo, trazendo ao cotidiano das pessoas mais abertura para o despertar do Lowsumerism. – via pontoeletronico.me

As razões para repensar a maneira como consumimos são várias:

  • O planeta não aguenta mais: O ritmo crescente das causas desse cenário — mudanças climáticas advindas da poluição, destruição de habitats, superpopulação humana, sobre-exploração dos recursos naturais — levou cientistas a concluírem que um quarto dos mamíferos estarão extintos nos próximos 30 anos, e que metade de todas as espécies desaparecerão até o fim deste século. Se o comportamento atual for mantido, até 2050 precisaremos de duas Terras para nos sustentar.
  • Estamos trocando os valores: O consumismo tornou a felicidade do homem moderno. O problema é que essa é uma grande balela. Ninguém pode ser plenamente feliz e satisfeito depositando suas expectativas em bens materiais e contribuindo com uma indústria que precisa urgentemente repensar os impactos naturais e sociais que provoca. A ideia é clara, querem que compremos mais e mais, a dúvida é; será que não trocamos os valores? As coisas servem para nos servir, ou nos escravizam?

“Excesso” é um conceito subjetivo, e cabe a cada um de nós identificar o descontrole a partir dos seus próprios parâmetros. Ansiedade e depressão, entendidos como os males deste século, são bons termômetros.Está na hora de repensar certas atitudes. Já ouviu falar em Lowsumerism? Essa ideia não sugere que cortemos de vez o consumo e que inibamos nossos desejos, mas sim que essas vontades sejam remodeladas a partir do entendimento que o excesso não é bom, que consumismo não é sinônimo de felicidade, repensar no impacto ambiental e social das nossas escolhas e práticas. A ideia é aderir ao “consumo equilibrado”, procurando alternativas para remodelar a maneira como encaramos aquilo que compramos.

O consumidor, cada vez mais consciente, abraçará as alternativas de novos modelos mercadológicos capazes de atender às suas necessidades e vontades de uma maneira menos nociva. – Eduardo Biz

E como é o Lowsumerism na prática?

Há inúmeras iniciativas que podem ser citadas para exemplificar o crescimento do Lowsumerism.

  • A crescente troca dos automóveis por bikes em grande centros urbanos;
  • Vemos cada vez mais pessoas trocando, doando, roupas;
  • Pessoas que dividem caronas, quartos, casas, etc. Levando em conta novos tipos de economia.
  • A sustentabilidade é colaborativa, coletiva e está mudando os nossos velhos conceitos;
  • Ideias inovadoras estão deixando de usar dinheiro. Agora podemos fazer trocas ao invés de pagar por um serviço, estadia, etc;
  • A mentalidade DIY. Faça você mesmo, reutilize materiais, não compre, crie e satisfaça suas necessidades com as próprias mãos.

De modo geral, percebemos em nosso tempo um cansaço geral da população, que está repensando seus hábitos e buscando alternativas mais sustentáveis para satisfazer suas necessidades. No resumo pense em três pontos: trocar, consertar e fazer. E viva com menos!

Que tal repensar também?

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Lowsumerism é um conceito que tem como objetivo fazer com que as pessoas reflitam sobre suas necessidades básicas e saiam da alienação do “comprar pelo comprar”, “comprar para acumular”, “comprar para ficar na moda” – Eduardo Biz

Nos últimos tempos parei para pensar no assunto e acho que está na hora de mudar certas coisas na minha vida. Repensar como estou lidando com o consumismo. Reduzir meu consumo, produzir menos lixo, ser feliz com o que já tenho e seguir um estilo de vida com mais responsabilidade.

Você já parou para pensar nisso, individualmente? Quais são seus impactos, como estão seus valores? Vamos mudar certas práticas?

Indico a leitura desse post publicado por Eduardo Biz no site pontoeletronico.me, que me ajudou muito na hora das referências e citações aqui no VUOU.

Até a próxima pessoal 😉