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Todo mundo o conhece como Chacrinha, tem 58 anos, é divorciado e mora em uma escola abandonada faz vinte anos. A primeira vez que passei pela casa dele foi por acaso, eu estava pedalando e parei quando vi aquele lugar exótico lotado de tralhas, ele não estava em casa. Decidi voltar, mas dessa vez levei minha câmera.

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“Ô de casa!” gritei em frente ao portão com cata-ventos pendurados. “Já vai” uma voz arrastada respondeu de dentro de uma pilha de sacos com garrafas plásticas.

Foi então que vi o rosto do morador da tal “casa” que tanto me instigava. Um senhor com barba longa, óculos sujos, chinelos nos pés e um cachimbo de fumo na boca. Ele cheirava a pinga, na verdade ele era a própria pinga, ficava em pé por um milagre. Perguntei se podia entrar, ele disse que sim, saquei minha câmera e comecei a fotografar tudo que podia. Perguntei qual era seu nome, me respondeu com aquela voz bêbada “Sou o Chacrisss, Chacrinha”.

Dentro da escola ele me mostrou seu quarto o qual chamava de “meu ninho”, a cozinha improvisada, a sala lotada de tralhas que da antiga escola só guardava a lousa já gasta. Na tal casa não tem água, não tem luz e ele usa o mato como banheiro. Ele disse “óia, puta que pariu, aqui é uma bagunça! Mas eu sou assim, sou muito ocupado para limpar.” Perguntei o que o ocupava tanto. “Nada, eu não faço nada, isso me ocupa muito”. Dei risada.

Chacrinha perdeu uma filha faz pouco tempo, ela estava grávida e teve uma febre que a matou, junto com o bebê. Chacrinha não tem mais esposa. Seus filhos pouco visitam o pai. Chacrinha criou um universo particular para sobreviver a tudo isso. Uma escola abandonada, uma porção de tralhas que ele recolhe nas ruas, flores de plástico em garrafas, bonecas velhas em prateleiras empoeiradas, a bebida, o cachimbo com o fumo. Muitos o chamam de maluco. Pode até ser. Mas cada um lida como pode com essa loucura que é estar vivo. E quem somos nós para julgar a maluquice alheia, não é mesmo?

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