Lembro que na primeira vez que li O Morro dos Ventos Uivantes terminei a leitura indignada com a Cath e o Heathcliff. Não gostei nada dos dois personagens, mas precisava admitir que o livro era cativante. Se passaram alguns anos desde a primeira vez que tive contado com o livro e já foram diversas as vezes que fiz a releitura. E de alguma maneira inexplicável Emily Brontë conseguiu me fazer mudar de ideia em relação aos personagens. O Morro dos Ventos Uivantes é uma das histórias de amor que eu mais gosto, apesar de ser bem controverso.

Essa é a história sobre um amor amaldiçoado e a sede de uma vingança alimentada durante anos que leva à morte e a destruição de duas famílias. Apesar de ser um relato extremamente brutal O Morro dos Ventos Uivantes ainda é considerado umas das mais intensas histórias de amor já escrita na língua inglesa.

O Morro dos Ventos Uivantes possuí características que o tornam um livro ímpar se comparado diante de seus contemporâneos. Principalmente pelo sua estrutura dramática que é uma rica mistura de romantismo e realismo. Repleta de paixão, turbulências, misticismo e um estilo gótico de escrita. Publicado em dezembro de 1847 sob o pseudônimo de Ellis Bell, o livro chocou os leitores da época. Já que para contar a história de amor entre Catherine e Heathcliff, a jovem Brontë expôs os sentimentos e a alma dos personagens de uma maneira pouco comum. Mostrando suas falhas de caráter de uma forma violenta e revelando o abismo social que separava os dois irmãos de criação, mantendo, assim, a tensão ao longo de todo o romance que resulta em uma tragédia e o ódio por gerações.

Eu que estava acostumada, até então, com romances que idealizam o casal doce e caridoso me vi assustada com Cath e Heathcliff, duas almas selvagens por natureza e cobertos de preconceitos e traumas. A autora não esconde os lados sombrios do casal, o que gerou minha revolta no momento da leitura. Felizmente, hoje, posso dizer que passei a gostar mais desses dois. Já li o livro cinco vezes e todas as vezes me admiro ao notar como ele mexe comigo. Cath e Heathcliff não são o meu ideal de amor, mas por outro lado eles me provocam e me instigam de uma maneira tão intensa que seria muita falsidade dizer que ainda não gosto deles. Amo esses dois personagens porque eles me provocam ódio. Foi muito esquisito escrever isso, mas é verdade, hahahaha. Não sei explicar… e nem sei se quero. Só sei o que eu sinto quando leio o livro, e sentimentos muitas vezes são inexplicáveis.

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O livro já foi adaptado mais de vinte vezes para o cinema, rádio e televisão. A versão de William Wyler de 1939 é considerado um dos grandes clássicos do cinema até hoje. Mas a minha versão favorita é a mais recente, de 2011. Que para a minha alegria está disponível na Netflix!!!! Sério, assistam, depois me contem o que acharam 😉

Assim como o livro essa versão é controversa. Começando por Heathcliff. Diferente de todos os outros atores que interpretaram o personagem, nesse filme Heathcliff é negro. Pessoalmente eu gostei muito da quebra do padrão de aparência feita durante décadas.

Outros fatores que influenciam muito na minha opinião sobre o filme é a fotografia, direção de arte, colorização e trilha sonora. Para todos esses quesitos essa versão ganha um 10. A fotografia é incrível e passa toda a sensação gélida e selvagem dos personagens e da história em si. A diretora, Andrea Arnold, usou muitas vezes a câmera na mão, sinceramente não sei como se chama essa técnica, mas… enfim, parece que estamos acompanhando os personagens de perto. As cenas ficam bem balançadas, de vez em quando dá até uma leve tontura, mas sério… ficou incrível! Para quem se envolveu intensamente com o livro essa é a melhor maneira de assistir o filme. É como se estivéssemos observando bem de perto todas as situações e participando da narrativa. Me senti parte de tudo aquilo, assim como me senti enquanto lia o livro.

Outra coisa que me agradou bastante é o som do vento que está muito presente. Na maioria do tempo ouvimos o vento ao fundo e isso remete demais ao título da obra. São detalhes como esse que me fazem gostar tanto desse filme.

Assista ao trailer só para ter um gostinho 🙂

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Outra grata supresa foi a trilha sonora! A música tema do filme foi feita por uma das minhas bandas favoritas, Mumford and Sons, e caiu como uma luva para todo o conceito do filme e da história do livro. Ouça só…

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Falando nos livros…

Tenho duas edições. Essa da capa com uma foto de uma árvore é uma edição bilíngue com o original em inglês. A outra é uma edição de clássicos que a Editora Abril publicou. Tem vários títulos nesse estilo de capa. Gosto muito das duas, mas a da editora Abril é a minha favorita. Pelo motivo de ter ganhado de aniversário da minha mãe. E também porque a capa dela é dura e com uma cobertura de tecido, o que torna a experiência de segurar o livro ainda mais gostosa!

Quem aí já leu o livro?

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Por hoje é só! Espero que vocês gostem da dica e que curtam o filme. Ah, e por favor leiam o livro também <3

Até a próxima pessoal! 🙂

Com amor,

Hady