céu

Ela sempre soube, mas fizeram com que ela sentisse que fosse loucura, colocaram na sua cabeça que ela não tinha força, que ela não sabia do que estava falando, que ela não tinha escolha, que era frágil demais para isso, que seu corpo era muito delicado para resistir, que seus olhos eram meigos demais para encarar a realidade, que suas ideias eram românticas para um mundo que não dava a mínima… mas ela sabia. Ela tinha seus instintos e estava cansada de sucumbir toda vez que tinha coragem. Sua natureza uivava por dentro, como uma besta selvagem ela queria livrar-se de todas as amarras, todas as palavras e ações que a levavam para debaixo da terra e a faziam sentir medo da escuridão. Ela queria correr, voar, nadar, escalar e chegar até o fim do mundo. Apostar, lutar, amar, fazer valer, chorar, levantar e chegar mais perto de si mesma.

Ela quer andar pela floresta na primeira hora do dia, sentir o vento gelado da manhã, a primeira gota do orvalho a cair no seu ventre e despertar-lhe sensações oprimidas. Ela quer andar no deserto na hora mais quente, sentir o sol nas costas nuas, os raios quentes penetrando-lhe a pele, quer sentir queimar-se de dentro para fora. Quer ser resistente, arrastar-se e saber que pode levantar. Ela quer nadar no mar ao final do dia, mergulhar entre as ondas enquanto o céu vai escurecendo pouco a pouco. Sendo levada para o centro de si mesma, de ressaca ela quer voltar e preencher todos os espaços vazios da praia.

Ela quer sentir-se plena, ela quer ouvir sua alma, respeitar seus ciclos e assim como a lua ela quer entender suas fases. Ela ouve todos os dias o mesmo chamado… volta.

Dentro de uma sala fechada ela sabe, sabe que tem uma vida inteira em ebulição dentro de si. Ela parece domesticada, ela não se sobressaí na multidão, cumpre seus deveres, é uma “boa menina”, mas sua alma, seu corpo e suas paixões não possuem donos, é ela quem comanda, ela sabe…

Volta, volta, volta para seus instintos. Você sabe, às vezes se confunde porque tenta agradar. Porque existem muitos que querem dizer como, com quem e o que fazer. Mas e você? O que você acha disso tudo? Se aquieta. Isso, devagar… silencia. Respira fundo e feche os olhos e tenta ouvir sua própria voz…

… Sentiu?

Você sabe.

Não fuja dos seus instintos. Você não é só mulher, és um universo inteiro. Não deixe que te reduzam a menos do que isso.

 

Foto: Pexels