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Hoje dei-me ao luxo de ficar enrolando na cama até as 10:00 da manhã. Acordar devagar, fazer um chá, andar no quintal de pijama e começar o dia só depois das onze. Às vezes é bom né? Infelizmente não posso dizer que passei o dia numa boa, as provas do meu curso de gastronomia estão chegando e ainda tenho uma porção de receitas para fazer e outro tanto de material teórico para estudar. Preciso desabafar, achei que esse curso iria ser mais fácil, mas me enganei. Enfim…

Enquanto tomava chá fiz essas que estão no post. Tava tudo muito lindo, muito bom, mas eu precisava estudar. Troquei de roupa e fui até a cozinha para separar os ingredientes das receitas, e foi aí que dei uma daquelas mancadas feias.

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Ontem minha mãe me ajudou com as compras dos ingredientes. Eu estava muito enrolada com o trabalho e ela me deu uma força comprando as carnes que eu precisava para fazer as receitas. Só que ela não entende muito de carne e acabou trazendo os cortes errados. Quando percebi que eu não teria todos os ingredientes necessários para fazer as receitas que eu tinha colocado como meta entrei em parafuso. Fiquei muito irritada e chateada, aí fui tirar satisfação com a minha mãe. Perguntar porque ela não havia comprado os ingredientes que eu havia descrito na lista. Só que o meu tom de voz estava meio alterado. Obviamente a conversa acabou numa discussão. Não vou dar muito detalhes, mas no resumo me comportei muito mal, pensei só em mim e fui injusta com ela.

Quando a poeira baixou e eu voltei para a cozinha a ficha começou a cair. Cozinhar me ajuda a pensar, a reorganizar meus pensamentos. O trabalho solitário, o som das panelas quentes, a água caindo pela torneira e os movimentos contínuos, acho que toda essa atmosfera parece me colocar em ordem. Eu errei, fui estúpida e mimada. Minha mãe não era obrigada a saber os cortes das carnes. Ela se disponibilizou para me ajudar e só por isso eu já devia ter sido mais grata, mesmo que a tentativa dela não tenha dado muito certo. Minha mãe erra, e não tem nada de errado nisso. Eu que estou errada de não levar isso numa boa. Acho que eu estava tão sufocada pelos prazos de entrega das atividades, tão preocupada em fazer tudo certo que esqueci que ter os ingredientes certos era meu dever e não o dela. Minha mãe só queria dar uma força, mas era meu o papel de garantir que tudo estivesse correto.

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Já percebi que muitas vezes sou exigente com os meus pais, como se eles fossem meus eternos protetores. Mas eles são pessoas que não sabem todas as respostas, que se cansam, que ficam tristes, que ainda podem estar perdidos e cheios de dúvidas. Eles não vão corresponder à todas as minhas expectativas e pedidos. E esse nem é o papel deles.

Felizmente minha mãe sempre vai ser minha melhor amiga e sempre vai me perdoar, apesar dos meus erros (nisso eu acredito). Eu é que preciso amadurecer. Tenho tanto sorte em tê-la, apesar de ela às vezes se meter na minha vida hahaha, ela é tudo para mim.

Estou tentando aprender com os meus erros e não quero fingir que sou perfeitinha. Por isso estou escrevendo esse post, para dizer que eu também faço minhas mancadas, que sou egoísta e injusta.

Se eu pudesse te dar um conselho, caro(a) leitor(a), esse seria: Se você ainda tem a sorte de ter os seus pais por perto, ame-os independente dos seus atos, encare-os mais como os seres humanos que são, tenha paciência e seja amável. Os cabelos brancos significam experiência, mas não os isenta dos erros. Vai com calma nos seus julgamentos e exigências. Muitas das vezes eles precisam mais de um amigo ao invés de um filho reclamão.

Sabe aquela música do Legião Urbana, Pais e Filhos? Tem uma parte que diz assim…

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer

Um dia vamos estar do outro lado, na pele deles. E um dia eles não vão estar mais aqui e não vai adiantar ficar lamentando por aquilo que não fizemos ou por aquilo que podíamos ter evitado. “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há”. 

Vamos aproveitar mais o tempo que nos resta? 

Com amor,

Hady