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A série mais aguardada do ano (pelo menos para mim) era Stranger Things. Eu não esperava que nenhuma outra série fosse me fisgar de jeito. Porém, por mais difícil que seja admitir isso, Stranger Things ficou em segundo plano quando a Netflix lançou em dezembro a 1ª temporada de Dark. Não que eu queira comparar as séries, elas são diferentes entre si (apesar de ter lido muitos posts elegendo Dark como um Stranger Things mais sombrio e adulto). Gostei muito de ambas, mas não posso negar que Dark foi a melhor supresa do ano!

Dark é uma produção original alemã da Netflix, que chamou a atenção de críticos e do público apesar da divulgação não ter sido tão intensa. Antes de assistir à serie li várias críticas e opiniões e muitas delas fizeram uma ligação com Stranger Things. Havia comparações e a promessa de ser uma série que bebia da mesma fonte. A trama gira em torno do desaparecimento de crianças, uma cidade pacata do interior, um grupo de amigos unidos pela busca por soluções, alguns eventos acontecem na década de 80 e ambas abusam de fenômenos inexplicáveis. Sim, a comparação não é gratuita, mas essas semelhanças são superficiais. Com o decorrer dos episódios as semelhanças somem e Dark toma um rumo próprio, original, surpreendente, mais maduro e sombrio.

Dark é uma série de suspense, ficção científica e trama policial. Que trata de um assunto que eu curto demais, viagem no tempo! A série usa uma famosa frase de Einstein para introduzir o espectador ao núcleo principal da teoria e enredo, em que “tudo está conectado”.

A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente. – Albert Einstein

Ao decorrer dos episódios acompanhamos os segredos e dramas de quatro famílias que são lentamente introduzidos a um jogo de quebra-cabeça. Há muitos personagens para acompanhar e isso pode parecer meio confuso no começo, porém se você prestar atenção aos detalhes é possível pegar várias dicas do que acontecerá nos próximos episódios. E são esses detalhes que me agradaram. Eu gosto de seguir pistas e quebrar a cabeça pensando em teorias e soluções.


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Jonas (Louis Hofmann) é um adolescente que passou alguns meses em um hospital psiquiátrico após o suicídio de seu pai, e que agora está tentando se reajustar à sua antiga rotina. Porém, a cidade de Winden, um município industrial alemão que sedia uma usina de energia nuclear, já não é mesma desde o desaparecimento de um dos colegas de Jonas, Erik. Os problemas pioram quando Jonas e alguns amigos vão até a floresta sombria em busca de algumas drogas que Erik escondia em uma caverna. Durante a expedição pela busca das drogas o irmão mais novo de um dos amigos do grupo, Mikkel (Daan Lennard Liebrenz) desaparece de uma forma assustadora e inexplicável. À partir desse desaparecimento as histórias desses jovens, de seus pais e avós começam a se conectar de uma forma surpreendente. Segredos sujos virão à superfície. A morte do pai de Jonas guarda segredos que serão explicados através de uma carta póstuma. O passado, presente e futuro deixarão de seguir a lógica comum para tornar-se apenas em uma ilusão persistente (lembre-se de Einstein).

Dark é uma série enigmática. É uma caixa de mistérios que a cada episódio apresenta pequenas soluções e que ao final da primeira temporada (sem dar spoilers) acaba com novas questões. As respostas dadas ao decorrer da série são apenas uma introdução para outras, e maiores indagações. Dark acaba explodindo com a cabeça do espectador! Essa é uma série que te convida a resolver questões. Porém, não há soluções fáceis e por mais frustrante que isso possa parecer, Dark termina deixando um gostinho de quero mais.

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O clima da série é pesado e isso não significa que seja uma série de terror. Dark não é para dar sustos. A pressão psicológica é perceptível e às vezes sufocante. A sensação de melancolia é constante e reforçada através da direção de fotografia, colorização e trilha sonora. Falando nisso, uma das coisas que mais gostei nessa série foi a direção de fotografia e colorização. É lindo! O clima é sempre sombrio, mas também poético e inspirador. Cada cena é uma fotografia que podia ser pendurada na parede. Sério, as cenas são lindas!

O ritmo da série é um pouco mais lento em comparação às séries americanas, mas esse detalhe não é um problema. Dark é cativante e extremamente interessante. Com toda certeza esse a minha favorita desse ano!