extraordinário

Extraordinário é um daqueles filmes que aquece o coração e faz você se lembrar de assuntos importantes como a empatia, bondade e gentileza. O modo como tratamos os nossos semelhantes e a necessidade de nos colocarmos no lugar dos outros são alguns dos pilares desse longa baseado no best-seller homônimo da autora americana R. J Palácio. Extraordinário é um filme apelativo, mas não no mal sentido. Ele apela para aos melhores sentimentos e motivações que existem dentro de nós.

August Pullman, mais conhecido por Auggie (interpretado pelo carismático e talentoso Jacob Tremblay), é um garoto que nasceu com uma deformidade no rosto e que precisou passar por 27 cirurgias para poder respirar com mais facilidade, ouvir sem um aparelho e até mastigar melhor. Apesar de todas essas cirurgias Auggie não conseguiu ganhar um rosto “normal”. As cicatrizes lhe dão uma aparência deformada o que causa espanto e desconforto nas pessoas. Os adultos tentam contornar o choque da primeira impressão, já as crianças de sua idade não conseguem obter tanto sucesso na hora de esconder o quanto o acham diferente. E é verdade, Auggie pode ser tudo, menos um garoto comum.

Auggie se esconde do mundo e dos olhares insistentes das pessoas criando seu universo à parte. Com o apoio da família ele cresce sendo um garoto criativo, sensível, comunicativo e muito inteligente. Ele estuda em casa e sai na rua usando um capacete de astronauta para esconder o seu rosto. Até que chega o momento de o menino enfrentar a escola convencional e a realidade do mundo. Essa nova experiência resultará em grandes mudanças, não só nele, mas também em todas as pessoas com as quais convive.

Extraordinário não é um filme surpreendente. Temas como bullying, dramas familiares e superação já foram retratados diversas vezes no cinema. Porém, a previsibilidade do enredo não tira a magia da história. O longa funciona como um reforço para aquilo que já sabemos, mas que esquecemos diversas vezes: trate as pessoas com gentileza, todos nós temos nossas próprias batalhas!

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Um dos trunfos do filme é não focar apenas na história de Auggie, mas mostrar também a visão e conflitos de outros personagens. Como a de sua irmã Olivia, que se sente sozinha e neglicenciada porque os pais passam mais tempo se dedicando ao irmão mais novo. A história de Miranda, melhor amiga de Olivia, que está passando por conflitos na família. A de Jack Will, o garoto bolsista da escola que se torna um dos melhores amigos de Auggie. E são essas partes da história que mostram que todos possuem medos, traumas e desafios que precisam ser superados. Extraordinário nos faz pensar em nós mesmos. Nos primeiros dias de aula, no receio em relação à nossa aparência e a tristeza das rejeições que recebemos. Se por um lado pensamos em nós, logo somos levados a lembrar das outras pessoas. Auggie pode ser o grande protagonista, mas não é o detentor de todo sofrimento. Por muitas vezes ele é mais sortudo e feliz do que outro personagem que tem um rosto aparentemente lindo e perfeito.

extraordinárioO filme segue um ritmo cadenciado, sem evitar os momentos de apelação melosa. Ao passo que também não se prolonga nas cenas de drama. Os personagens são carismáticos, (Julia Roberts está maravilhosa, como sempre), ressaltando a atuação das crianças que são um talento à parte e extremamente encantadoras. Ah, e a trilha sonora está deliciosa. E apesar de não ser o meu filme favorito do diretor Stephen Chbosky (de As Vantagens de ser Invisível), para mim Extraordinário cumpre bem o seu papel. Sem grandes surpresas o filme é como um xícara de bebida quente em um dia de frio. Esquenta de dentro para fora, promovendo uma sensação de aconchego e felicidade.

Extraordinário tem a missão de ensinar uma lição ao público; de elevar o espírito de compreensão e amor entre as pessoas. De mostrar que todos sofrem por algo, independente de como são, onde vivem e o que fazem. Que crianças e adolescentes passam por inegáveis momentos de descoberta quando saem para o mundo, o que pode ser traumático, mas também muito esclarecedor e educativo. Que batalhas e sofrimentos são intrínsecos ao viver, não há como evitar. Porém, a vida pode ser mais fácil de levar se tivermos o apoio de outras pessoas. O que nos torna extraordinários é a união de tudo aquilo que vivemos, do que escolhemos todos os dias e para onde estamos indo. Não precisamos ter vergonha do que somos.