Diário, Textos

Colcha

13 de novembro de 2018

Ontem eu estava pensando… pensando sobre a vida e cobertores. Conclui com meus botões que me pareço muito com uma colcha de retalhos. E que a vida em si também é, essa grande colcha de retalhos. Onde tudo é de uma estampa diferente, mas também tudo se une para formar uma coisa só. Onde nossas histórias cobrem nossos corpos e nossas memórias viram um esconderijo no final do dia. Em suma somos o que sobrou de cada retalho de vivência, de cada costura que fizemos dos fatos. De cada pedaço que atamos uns aos outros.

Eu não sou só, sou divisível. Ora isso, ora aquilo. Sou essa colcha que abro na cama. Retalhada. Essa que adorna e faz as honras dos meus segredos, onde me deito e onde convido outros a se deitarem. Ela que esconde o crueza da cama, de seus lençóis opacos. Essa colcha com algumas manchas de café, pequenos rasgos do tempo e cheiros que não saem. E que mesmo já não sendo nova, ainda me cobre e a cada dia mais me aquece. Dos meus erros e acertos, das minhas alegrias e tristezas, nada foi tirado, tudo tornou-se capa, manta, cobertura… deito em mim mesma e isso me consola. Sou mais minha a cada dia. 

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