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Não sou o que você espera, e não preciso pedir desculpas por isso

Toda vez que vou escrever um texto começo logo pelo título, é uma maneira de não me esquecer da ideia principal. Meus pensamentos voam livres como pássaros e quando escrevo acompanho meu fluxo. Enfim. Título feito significa foco, ou pelo menos tentativa de foco.

Hoje sentei-me para escrever. São 8:42 da manhã, e estou pensando em escrever algo sobre expectativas alheias. Comecei com dois parágrafos que me pareceram muito bons, fortes e empolgantes. Estou relendo… não me convenci. Apago tudo. Folha em branco. Vou recomeçar. O título:“me desculpe por não ser o que você espera”. Faço uma pausa, estico os braços, e paro para analisar a porcaria de título que acabei de escrever. Desculpas? Espera aí, de onde eu tirei isso, desculpas pelo o quê mesmo?!

Não somos o que os outros esperam de nós e na maior parte do tempo ficamos lá pelo meio do caminho, na encruzilhada entre; escolher em correspondermos às expectativas alheias ou seguirmos o tal caminho da auto compreensão e do dane-se sociedade. E adianto que a segunda opção não garante a aprovação de ninguém, e nem um tapinha nas costas no final do dia. Mas e aí? Viver na sombra dos outros, ou do que os outros acham de nós, também vale o esforço?

Escolha pessoal, mas aí vai minha opinião.

Coloca na tua cabeça que você nunca, NUNCA, nunquinha vai estar 100% de acordo com as expectativas alheias. Sempre vai ter um camarada muito “bom”, “maduro”, dono da verdade, e “amigo”, para cuspir umas hipocrisias na tua cara. Como se ele tivesse a capacidade de ditar as regras para uma vida melhor, ou fosse moralmente superior a você. E você vai ter ir com calma, por que ele repara em tudo, e no mais leve deslize, pá! Você será motivo de chacota, fofocas e críticas. Errar não é uma opção se você quiser causar uma boa impressão nas pessoas. Deixa eu te contar uma coisa; a maioria de nós vive ainda naquele conto de fadas em que ninguém erra, em que ninguém é sacana uma vez por outra. E se você aceitar o fato que somos humanos falhos, vai ter que lidar com uns hipócritas aqui e ali. Mas a vida não e tua? Os erros e acertos também não ficam por tua conta? Só você sabe o quanto custa cada um deles. É simples, despache o “amigão” como a boa mala que ele é. Evite os “santos”, os cínicos, os felizinhos demais, os críticos demais. São todos falsos demais. Colocam nos outros os erros que não enxergam em si mesmos. Então mais vale tua sanidade e paz, do que estar na companhia de muitos e ainda assim se sentir sozinho. Papo de eremita, mas antes só do que mau acompanhado.

Raros serão os que vão te apoiar. Mas acredite, eles existem. E serão essas pessoas em que você poderá ter um papo aberto, ter liberdade para discutir, para discordar sem medo se elas vão ou não te apontar o dedo depois. Deus, tua família, teus amigos e olhe lá. São poucos, mas confie em mim, não precisará de muito mais. Cuide bem de quem realmente se importa com você, e não troque as prioridades.

O contrário também vale. Evite olhar para os outros com expectativa, eles não irão corresponder a tudo o que você quer. Desistas de ser júri quando tu também estás no banco de réus. Pisamos muito na bola, então aceite, erramos também. Cada um tem uma história, uma cultura, uma criação. Então esqueça e perdoe os outros e a si mesmo. Perdoe até o “amigão”. Você não quer carregar peso morto certo? Gosto de encarar a vida como uma viagem. Estamos caminhando só com uma mochila, caçando aventuras. Não podemos parar em um lugar (um problema) por muito tempo. Vamos levar o que importa. O resto, deixemos pelo caminho em algum lugar do nosso passado.

Chegará um dia que essa tua ânsia de agradar o mundo todo perderá a graça. Chegará o tempo em que você vai encarar a realidade; que é preciso melhorar, avançar, ter noção dos seus erros e pedir perdão por eles. Mas espero, sinceramente, que você nunca precise pedir desculpas por ser você mesmo.

São 09:33. Mudei o título do texto, agora sim. Publicar.

 

Imagem via Pexels

 

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Reorganizando a rotina no trabalho para focar na produtividade

Já comentei que a rotina de quem trabalha em casa costuma ser mais flexível. Isso porque não precisamos ir até o escritório, não temos um horário de almoço, nem de saída. E isso tem pontos positivos, como também os negativos. Se não tivermos foco e organização as coisas nem sempre vão correr bem. E isso não é legal para o cliente, e muito menos para você. Ainda bem que há maneiras de melhorar a rotina, focar no trabalho e ser mais produtivo.

Faz meses que tenho acompanhado o blog da Thais Godinho, o Vida Organizadae outros sites e matérias sobre organização pessoal. E separei algumas dicas, que estou colocando em prática, para compartilhar com vocês sobre como focar mais no trabalho e ser mais produtivo.

1º passo: Autoconhecimento

Antes de tudo você precisa analisar sua rotina, seu estilo de trabalho, pontuar seus pontos fortes e também os fracos. Fazendo essa análise fica mais fácil saber por onde começar as mudanças. Por exemplo; eu gosto de produzir conteúdos e posso passar um bom tempo criando textos, fotos, promoção em redes sociais, etc… mas sei que há horários específicos que tenho mais criatividade. Sabendo disso dedico esses períodos para criar. Ou, às vezes tenho tantas coisas para resolver que acabo deixando escapar alguns assuntos, sabendo disso passei a criar listas e focar em metas para conseguir dar conta de tudo.

Resumidamente, todos nós temos falhas então não adianta tapar o sol com a peneira. Então descubra o que te impede de progredir e encontre soluções para melhorar. Ah, e sabendo seus pontos fortes você pode focar em desenvolver ainda mais suas capacidades. Por isso, sente um dia desses consigo mesmo e bata um papo sincero 😉

2º passo: Crie uma rotina

Acho que agora vou derrubar uma velha ideia que eu tinha, fazer o quê, errei… Descobri que não adianta. Trabalhar em casa também requer uma rotina. Tá certo que não será igual a de alguém que trabalha em uma empresa, e terá dias que a demanda será mais intensa e outros nem tanto. Trabalhar em casa significa flexibilidade, mas também é preciso estipular metas e pontuar bem tudo isso.

3º passo: Saiba separar as coisas

Sabe aquele papo de “amizade, negócios à parte”? Pois bem, “vida pessoal, trabalho à parte”. Para quem trabalha em casa tudo se mistura, para não virar tudo uma bagunça é preciso saber separar bem as coisas. E talvez esse seja um das maiores dificuldades que muitas pessoas que trabalham em home office possuem. Li muitas entrevistas e artigos sobre o assunto e é a mesma declaração; sobre o perigo de misturar as rotinas. Por isso, quando for trabalho é trabalho, não pense na panela que está no fogo, ou em qualquer outro assunto doméstico. E o contrário também vale. Difícil? Sim, mas é treino.

4º passo: Algumas dicas práticas para implantar na rotina

Antes do trabalho

– Preparar-se para o trabalho. Cuidar do corpo e bem estar para começar as atividades com mais prazer.

– Conferir a lista de metas para o dia, e priorizar cada uma das atividades.

– Ajeite o ambiente de trabalho de maneira organizada e agradável. E não importa se você trabalha em uma sala, na varanda de casa, rede ou qualquer outro lugar. O importante é saber que o ambiente não vai te prejudicar no trabalho.

Durante o trabalho

– Desligue-se de tudo que vá atrapalhar sua atenção do foco principal. Redes sociais, aquela porção de janelas abertas no computador, enfim… você sabe o que desvia sua atenção.

– Faça pausas para alongar o corpo ou dar uma caminhada.

– Quando estiver faltando criatividade dê um tempo. Leia algum artigo interessante, confira um conteúdo de outro blog, ou simplesmente desligue o computador por uma hora e vá esfriar a cabeça. Às vezes é preciso não focar no problema para encontrar a solução. Não está conseguindo terminar o trabalho? Então faça outra coisa, e quando retornar traga junto uma solução.

– Use a técnica dos 5 minutos, quando não estiver conseguindo focar-se em algo. Funciona da seguinte maneira; tente focar no trabalho por cinco minutos, não pense em mais nada além daquilo que você precisa fazer. Crie, escreva, organize e planeje durante esses cinco minutos ininterruptamente. Você vai perceber que os cincos minutos vão virar dez, vinte, trinta! Isso porque você forçou sua atenção na tarefa.

– Tente focar em um cliente e um trabalho por vez. Dedique todas as suas forças em algo, e quando terminar salve tudo e parta para outra. Nada de fazer tudo de uma vez.

Depois do trabalho

– Faça uma lista para o dia seguinte, priorizando as tarefas que deverão ser feitas.

– Analise como foi seu dia, veja no que você acertou, errou, e como está sua rotina.

– Descanse sem levar o trabalho para cama, porque não há nada pior do que dormir pensando no que você deixou de fazer por falta de cuidado.

 

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É hora da caçada

Li um dia que há dois tipos de nascimento. O primeiro, quando saímos da barriga de nossas mães, e o outro quando encontramos algo em nós mesmos, um extinto, uma vontade, que derruba todas as outras coisas que nos ensinaram desde então. Deixamos de ser os “outros”, deixamos de viver para agradar os “outros”, para encontrar algo em nós mesmos.  É como ouvir o chamado da sua natureza, como se você fosse o caçador e a caça fosse você mesmo. Ouvimos algo dentro de nós que dá aquele clique na cabeça, e nascemos de novo porque algo mudou, porque nos conectamos a nós mesmos e a Deus.

As pessoas pensam que são, se acham muito! Ô eguinho desgraçado de grande! Mas no final das contas somos uma repetição, o eco de “alguém”, ou de vários “alguéns”. Porque para convivermos com a família, na religião, na escola, no trabalho, e nos encaixarmos na sociedade, precisamos seguir regras, precisamos ser atraentes e ter as mesmas ideias, do contrário… nada feito! E com o passar do tempo vamos nos fechando, até que pouca coisa sobra do Selvagem, natural e original, dentro de nós. E isso é triste. É como pegar uma orquídea que nasceu para ficar em árvores com as raízes expostas ao ar, e enterrá-las na terra fria e escura. Vai contra nosso projeto inicial, aquele que Deus desenhou antes mesmo do nosso primeiro nascimento.

Não vou dizer aqui o que você precisa, deve, ou não, fazer. Nem vou dizer que alcancei essa clareza, até porque não acho que consegui. Não vou ditar regras sobre o assunto, quem sou eu para tal prepotência? Não vou dizer que você precisa largar sua família, sua vida e todo o resto. Não mesmo! Só acho uma coisa;

é preciso perseguir, caçar a si mesmo antes de perseguir e caçar qualquer outra coisa.

Então dê um tempo, dê uma desligada. Quando voltar esteja ciente das suas escolhas, do que vale à pena perseguir ou deixar para lá. Sua vida, suas indagações, suas respostas, não deixe ninguém fazer o seu serviço. É hora da caçada e você não vai pegar nada parado aí.

 

Foto via: Pexels

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Fazendo um samba com Dona Tristeza

Já ouviu o Samba da Benção do Vinicius de Moraes? A letra começa assim:

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

*Se você leu no ritmo toca aqui!

Já parou para pensar que fugir da TRISTEZA talvez não seja a melhor maneira de encarar a vida? E muito menos de ser FELIZ, tipo… realmente FELIZ!

É óbvio que nós, como seres humanos, tendemos a buscar experiências que nos façam sentir confortáveis. Apreciamos nosso ambiente familiar e preferimos o que mantém nossas faculdades mentais e físicas em um estado de equilíbrio e comodidade. O grande porém é que essa tendência leva-nos a julgar e rotular experiências como “boas” ou “ruins”, levando em consideração somente o nível de conforto e prazer que nos proporcionam. Quem falou sobre isso foi o psicólogo Rollo May (1909 – 1994). Ele concluiu que quando procedemos dessa maneira estamos prejudicando a nós mesmos, pois estamos lutando contra processos que nos trariam grande crescimento e desenvolvimento, caso os aceitássemos como parte natural da vida.

Às vezes ficamos tão centrados no nosso próprio umbigo que cremos que o mundo está conspirando contra nós. Quando somos injustiçados ou magoados temos a tendência de nos perguntarmos “Por que céus? Eu sempre tentei fazer tudo certinho!”. Dorothy Rowe, uma famosa psicóloga na área da depressão, diz que o fato de nos culparmos pelo desastre que nos ocorreu pode tornar a tristeza normal (isso mesmo, TRISTEZA NORMAL) em uma depressão. Ela explica que nós podemos fazer nossas escolhas, abrir mão da ideia de um mundo justo e refletir mais racionalmente sobre as experiências negativas. Para superar esses contratempos é preciso parar de achar que tudo é pessoal, que o mundo está querendo te destruir! Enxergar os fatores externos e perceber que às vezes coisas ruins simplesmente acontecem. Nossa história não determina nosso destino. Já ouviu falar em resiliência? Enquanto há pessoas que ficam totalmente arrasadas diante de um problema, sem forças para seguir em frente. Outras pessoas, porém, reagem de modo diferente. Conseguem administrar esses altos e baixos da vida. Apesar de sofrerem elas conseguem elaborar uma maneira de superar circunstâncias dolorosas. E quem diz isso é Boris Cyrulnik, um psiquiatra que dedicou sua carreira ao estudo da resiliência psicológica. Ele descobriu que a resiliência não é uma característica inerente à pessoa, mas construída através de um processo natural. As pesquisas de Cyrulnik demonstraram que as pessoas aptas a lidar com os obstáculos da vida são aquelas que conseguem encontrar um sentido nas dificuldades. E Cyrulnik pode falar sobre isso com todos os embasamentos, tanto de estudos, quanto na sua história de vida. Deem uma olhada depois na biografia desse cara, ele sabe o que é sofrer desde muito novinho. Mesmo assim soube contornar a situação e se tornar um grande psiquiatra que dedica sua carreira ao trabalho com crianças traumatizadas.

O psiquiatra vienense Viktor Frankl em seu livro “Em Busca de Sentido” , escreveu que temos duas forças que nos permitem suportar situações dolorosas e seguir em frente: a capacidade de decisão e a liberdade de agir. Frankl enfatizou que somos nós que nos deixamos influenciar, e que até mesmo o sofrimento pode ser visto de modos diferentes, dependendo da nossa interpretação dos fatos. Ele diz que precisamos dar um sentido para tornar o sofrimento suportável. E esse sentido precisa ser encontrado, e não inventado. Nós o encontramos na vida e, sobretudo, no amor, exercendo a criatividade de acordo com a maneira como escolhemos enxergar os fatos.


A verdade é que cada um sente a tristeza de uma maneira. Uns conseguem superar, dar sentido mais rápido, outros se desesperam, e alguns não conseguem encontrar uma solução sozinhos. Todo mundo sofre, de diferentes maneiras, mas a raiz é uma só. E não adianta romantizar a vida, principalmente a alheia, estamos todos no mesmo barco. Então faça um favor a si mesmo, sente um dia desses com a Dona Tristeza, peça uma bebida e bata um papo com ela. Uma conversa sincera, sem rodeios e fugas. Leve o tempo que for necessário. Saiba que ela pode te ensinar umas e outras sobre a vida. Inclusive te ajudar a tomar novas rotas, reavaliar escolhas e criar a resistência necessária para enfrentar o que vem pela frente.

Sofrer faz parte, aceite os fatos, não é nada pessoal meu caro. Senão a vida seria como amar uma pessoa só linda. E daí? Uma pessoa tem que ter qualquer coisa além de beleza. Não se escreve um samba só na piada. Como diria o poetinha, quem faz samba assim NÃO É DE NADA. E Felicidade, ah… essa também existe, mas acho que ela começa a fazer mais sentido a medida que vamos aprendendo com o caminho.

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

 

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Mamilos polêmicos

Estávamos sentados na mesa do restaurante, eu, minha irmã, mais três amigos. Conversa vai, conversa vem e quando dei por mim o assunto principal na roda era sobre o tamanho dos seios das mulheres. Não que eu não esteja já familiarizada com isso. Perdi a conta de quantas vezes já me vi envolvida nesse assunto, e na maioria das vezes por puro golpe de azar do destino, por que mamilos, tamanho de silicones etc, não são “meu assunto preferido do mundo!”, longe disso!

Mas lá estava eu tendo que ouvir que a preferência da classe masculina são seios maiores e blá blá blá. A grande verdade é que eu nunca dei a mínima para o meu caso, por ter seios pequenos de alguma forma estou “fora dos padrões”, eu não sei porque.  Nunca achei que ter seios pequenos fosse uma anomalia, o que na verdade não é mesmo, mas algumas pessoas encaram de uma maneira bem infantil que até parece defeito. E confesso que é muito desconfortável ouvir alguém falar como se houvesse algo de errado com seu biotipo. Achei todo aquele papo desnecessário. Era uns tentando defender um ponto de vista de lá, outros o contrário de cá e eu pensando quando é que o garçom ia trazer a próxima rodada de sushi para calar a boca de todo mundo com coisa boa, COMIDA.

E essas situações um tanto desconfortáveis não acontecem só comigo. É normal nos sentirmos meio constrangidos com as opiniões alheias ou com comentários fora do lugar, ainda mais quando isso corresponde ao nosso corpo. Ou se é magrela demais, ou gordo demais, ou tem coisa grande demais e por fim pequena demais, aiai… essa baboseira toda. E sejamos sinceros, todo nós queremos ser bonitinhos e atraentes, porque afinal queremos fazer parte de um grupo e nos sentirmos valorizados por alguém. Mas o grande problema é que às vezes, na verdade na grande maioria das vezes, colocamos nos outros a responsabilidade da nossa auto aceitação. Se não agradamos a maioria,  achamos que somos feios, se não nos parecemos com os famosos significa que ainda temos muito que melhorar. E vivemos numa busca eterna atrás da aceitação de alheios, quando na verdade nós que devíamos gostar e conviver bem com a nossa “casca”, também conhecida como corpo. Aí a vida vira uma agonia! Já que você não consegue conviver com esse corpo em que Deus lhe enfiou, por tabela ninguém vai conseguir também. Por isso aquele papo gasto e até meio chatinho de “ame você mesmo”, ainda está valendo. Agora, se você quiser melhorar algo que te incomoda muuuito, sem problemas! Mas faça isso por você, e principalmente, pela sua saúde. E se rolar uma dúvida ou insegurança com seu corpo tente superar você com você, ou procure um analista, mas é mais barato tomar vergonha na cara e começar a te valorizar.

O garçom demorou para voltar com os sushis e eu acabei cansado de todo aquele papo e falei numa boa: “Gente péra… qual o problema com os seios pequenos?” olhei para baixo vendo os meus, estufei meu peito, coloquei as mãos na cintura e disse em um tom de brincadeira “meus seios são muito polêmicos? Poxa, eles não estão atrapalhando em nada a vida de vocês, e eu não tô nem aí para a formação deles, eu gosto deles mesmo pequenos, são bonitinhos para mim”. E caí na risada sozinha quando percebi que lá estava eu falando dos meus peitos para três marmanjos. Um dos garotos ficou quieto, o restante voltou os olhares para mim e minha irmã fez uma cara de tipo…  “O quê é que você está fazendo?”. Eles não esperavam essa reação da minha parte. Levei tudo na brincadeira ao invés de tomar as dores e partir para um debate mais acalorado, cheguei à conclusão que  rir é um bom remédio para lidar com a estupidez dos outros. Apelar não é a melhor maneira de se defender. Eles não estavam querendo me magoar, eu os conheço a muito tempo para compreender isso. Foi puro azar, acontece. Às vezes falamos o que não devia. E ao invés de ficar irritada decidi me aceitar do jeito que sou e deixei isso bem claro a todos naquela mesa. Minha irmã caiu na gargalhada comigo, houve uns sorrisinhos amarelos, algumas tentativas de tentar contornar a situação, mas a essa altura eu estava achando tudo muito engraçado. A noite terminou numa boa, todo mundo conversando, outros assuntos, e eu estava me sentindo ótima! Depois disso nunca mais deixei alguém usar o meu corpo como uma maneira de me desvalorizar ou vulgarizar. Estava finalmente vacinada contra essa pequenez de pensamento.

Se eu pudesse dar algo a você, caro leitor, daria paz de espírito, algo que não se encontra em bisturis ou em aparelhos de ginástica, mas como essa sensação não se dá, vende ou repassa, apenas torço para que você encontre-a o quanto antes para que possa suportar com mais tranquilidade os dias que lhe restam. Daria isso ou uma viagem para a Islândia. Quando um cara me perguntou o que eu faria com o dinheiro que uma amiga em comum “investiu” em silicone, eu respondi: “Iria para a Islândia, sem pestanejar” , me levantei e saí da sala antes que o papo se prolongasse.

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