Category

Literatura

Literatura

Dobradinha: O Pequeno Príncipe

O Pequeno Príncipe é um desses livros que fica em algum lugar do cérebro reservado somente para aquelas boas memórias que te fizeram muito bem. E toda vez que é lembrado trás logo consigo um suspiro ou um sorriso no canto do lábios. Não sei quanto a vocês, mas para mim é assim. Dizem que é livro de criança. Ok. Até pode ser, mas acho que existe muito marmanjo por aí que está precisando de uma dose de infantilidade para viver com mais sinceridade, e porque não, como mais amor. É disso que o Pequeno Príncipe fala, de encontrarmos em nós mesmos a criança já esquecida.

E para quem ficou com saudades do Pequeno Príncipe existe uma outra publicação chamada O Retorno do Jovem Príncipe, que narra a volta do Príncipe para a terra, só que dessa vez ele está mais maduro e com outros questionamentos. E é sobre esses dois livros que vou escrever para vocês hoje. Aproveitem o 2 em 1 😉

blogvuou_livro_pequenoprincipe_2

 

blogvuou_livro_pequenoprincipe_4O PEQUENO PRÍNCIPE de Antoine de Saint-Exupéry

Publicado em 1945 O Pequeno Príncipe conquistou milhões e milhões de leitores ao redor do mundo. Com uma narrativa fácil de acompanhar somos levados para a história de um piloto, o narrador da história, que está no meio do deserto tentando consertar seu avião quebrado depois de uma pane. Um dia ele acorda e percebe que não está sozinho, um garotinho está ao seu lado. É assim que começa uma amizade que irá mudar a vida do piloto. São dos simples relatos da viagem do Pequeno Príncipe que ambos vão aprendendo lições novas.

Durante a história somos apresentando a vários personagens como o rei, que tinha vários súditos, mas nenhum amigo. O contador que vivia trabalhando e não tinha tempo para sonhar. O geógrafo que se achava muito inteligente, mas que não sabia nem a geografia do próprio país. O bêbado que não queria mais beber, mas bebia para esquecer a vergonha de beber. E então a raposa, que ensinou ao Príncipe o valor da amizade, da sinceridade do amor. A rosa que era muito bonita e vaidosa, mas que causou uma decepção ao Príncipe. Entre outros. Todos os personagens que o Príncipe teve contado lhe ensinaram alguma coisa, muitos não de maneira escancarada. Por isso, é preciso que o leitor fique atento para perceber a mensagem que o autor que passar por cada um deles.

O que eu mais gosto nesse livro é o tom de simplicidade só que ao mesmo tempo de complexidade. Pode parece antagônico, pois é. Isso porque o livro mostra o mundo através do olhar de uma criança. Fala sobre sentimentos e questionamentos às vezes complicados de lidar, e até compreender, mas de uma maneira infantil, por isso é simples, leve. Mas se você prestar atenção é denso, porque questiona muito valores. Antoine de Saint-Exupéry fala sobre amizade, amor, que não precisamos ter meio mundo para sermos feliz, e que é preciso aprender a dar o valor certos para as coisas. Como por exemplo, olhar o pôr-do-sol, conversar com um amigo, contar uma história, se dedicar à alguém, enfim, essas coisas que vamos esquecendo conforme vamos crescendo. Mas que é sempre bom lembrar.

Outra coisa, não sei quanto a vocês, mas toda vez que leio o livro, dependendo da fase da minha vida ele possuí um significado diferente da leitura anterior. Um dia estava conversando com um amigo sobre isso e ele disse a mesma coisa. Por isso, indico a leitura de tempos em tempos dessa obra, que é linda!

blogvuou_livro_pequenoprincipe_8

blogvuou_livro_pequenoprincipe_9

Ficha do Livro

Título: O Pequeno Príncipe

Autor: Antoine de Saint-Exupéry

Editora: Agir

ISBN: 978.85-220-0523-9

Número de páginas: 91 páginas

Minha nota para o livro: 5/5

blogvuou_livro_pequenoprincipe_5

O RETORNO DO JOVEM PRÍNCIPE de A. G. Roemmers

Nesse livro o autor argentino A. G. Roemmers resgata a história do Pequeno Príncipe anos depois da publicação do original de Antoine de Saint-Exupéry. O Retorno do Jovem Príncipe foi escrito em apenas nove dias, após um período de isolamento que o autor passou em busca de respostas para sua vida. Inicialmente distribuído para um grupo restrito de pessoas o livro causou um grande entusiasmo entre eles. A partir daí venho a ideia de lançá-lo para o grande público. Não virou o sucesso do primeiro, mas mesmo assim acho que deveria ser lido pela menos uma vez na vida, por conter boas análises. O próprio Roemmers disse “O efeito desse livro tem sido completamente transformador: permitiu-me concluir uma etapa, deixando para trás o homem triste e melancólico que fui, para inaugurar uma outra, como o homem bem-sucedido e feliz que sempre quis ser.”

Dessa vez o narrador não é o piloto, mas um homem aventureiro que está na Patagônia (ao que tudo indica esse homem é Roemmers), isolado de tudo, e que em uma noite se depara com um jovem no meio estrada. Após oferecer carona o aventureiro começa a reparar no jovem ao seu lado. E qual não é a sua surpresa ao descobrir que o moço de cabelos loiros e olhar triste é o Pequeno Príncipe que acabou de retorna para o nosso planeta. Conversa vai, conversa vem e o aventureiro descobre que o Príncipe está a procura do piloto, que ele acreditava ser seu amigo, mas que agora nutre uma profunda tristeza por acreditar que foi traído por ele. Com o decorrer da história acompanhamos o Pequeno Príncipe que cresceu e acabou conhecendo e sentindo a tristeza, a desesperança e as dúvidas da vida adulta. Então ambos, aventureiro e Príncipe, partem em busca do piloto e a estrada rende boas reflexões.

Achei Roemmers corajoso por dar continuidade a uma obra tão popular e amada por tantas pessoas. Sempre há aquela incerteza entre errar feio, ou acertar bonito. Mas esse livro não fica entre nenhum dos dois extremos, acho que há um certo equilíbrio. Ficou gracioso e delicado. Dá para perceber que o autor colocou no papel seus sentimentos, questionamentos que ele fez a si próprio, e gostei por ele ter compartilhado isso. Ao mesmo tempo que não tem como, ele fica à sombra do livro de Antoine de Saint-Exupéry. Mas creio que a intenção do autor não foi sobrepujar a obra original. Rommers, assim como muitos de nós, é um fã do Pequeno Príncipe e que após uma profunda reflexão decidiu escrever um livro com esse personagem que lhe ensinou tantas coisas e que foi tão importante na sua vida. No Prefácio o autor ressalta essa importância. Na obra do argentino o Jovem Príncipe está mais maduro e em compensação também mais triste. Deixou ser levado pela dúvida e agora está numa crise existencial. A sacada da história é esse retorno para os antigos valores que o Príncipe havia esquecido por dar atenção demais aos problemas.

A única coisa que me incomodou foi que às vezes, durante a leitura, eu sentia estar lendo um livro auto-ajuda. Nada contra, já li muitos livros desse gênero na minha vida. Mas achei que o autor exagerou nas frases de confirmação, de superação e blábláblá. Poderia ter sido mais sutil, na minha opinião.  Tirando isso é uma boa leitura. É uma parte que eu não sei se o Antoine de Saint-Exupéry imaginou para a vida do Pequeno Príncipe, mas que é bem realista, levando em consideração o fluxo natural da vida. Quem nunca né? Se perdeu em tanta besteira para depois se reencontrar de novo, no essencial, no simples que no fundo é o que nos faz realmente felizes.

blogvuou_livro_pequenoprincipe_6

blogvuou_livro_pequenoprincipe_7

Ficha do Livro

Título: O Retorno do Jovem Príncipe

Autor: A. G. Roemmers

Editora: Editora Objetiva

ISBN: 978.85-390-0312-9

Número de páginas: 105 páginas

Minha nota para o livro: 3,5/5

blogvuou_livro_pequenoprincipe_10

blogvuou_livro_pequenoprincipe_11

Então é isso pessoal! Os livros são bem curtinhos e dá para ler sossegado nessas férias. Então quem tiver interesse é uma ótima pedida.

Ah, e vou dar um spoiler aqui, se é que posso chamar assim, hahaha. No mesmo dia que comprei a minha versão do O Retorno do Jovem Príncipe, aproveitei para pedir mais um exemplar para sortear aqui no blog. Então fiquem de olho que em breve alguém aí poderá ganhar esse livro (EBA!!!)

Até a próxima 😉

Me acompanhe pelas redes sociais: FACEBOOK / INSTAGRAM / SKOOB / YOUTUBE / PINTEREST 

You may also like
Literatura
Resenha: Solanin – Inio Asano
4 de dezembro de 2017
Literatura
Destination Simple – rituais diários para uma vida com mais calma
17 de novembro de 2017
Literatura
Em Algum Lugar nas Estrelas (Clare Vanderpool)
20 de julho de 2017
Literatura

Guia de uma Ciclista em Kashgar – Suzanne Joinson

Falar sobre o destino é algo estranho, ainda mais se parar para analisar que você é o que é hoje não apenas pelas tuas escolhas, mas daqueles que te antecederam. E que você será o que escolher juntamente com aquilo que já foi feito, e que em suas mãos está o futuro de outros, que passarão e que ainda virão a passar pela tua vida. Meio complicado, não é? Uma vez uma amiga me disse que eu era o tipo de pessoa que pensa demais naqueles que morreram e que já ama os que nem nasceram. O que é meio verdade.

Gosto de analisar a história e aprender com o passado, e amo imaginar o futuro, principalmente dos meus filhos, que ainda nem existe! Quando li Guia de uma Ciclista em Kashgar, de Suzanne Joinson, me veio à tona como o passado e o futuro dançam juntos, mesmo que tenhamos somente o presente a linha entre o tempo é muito tênue. Viva o presente, está certo, mas você é o resultado de uma escolha no passado, e que o futuro é o presente em preparo. Já pensou no que seria de você se não fosse a escolha de seus pais, avós, bisavôs, etc, etc, etc? Suzanne une em sua obra a história de seis mulheres que tiveram suas vidas intimamente ligadas por suas escolhas.

Em 1923, Evangeline English chega cvuou_livro_guiadeuma_7om a irmã Lizzie à antiga cidade asiática de Kashgar, na Rota da Seda, para ajudar a estabelecer uma missão cristã supervisionada pela líder, Millicent, que mostra um lado mais obscuro da real motivação das missões ou anseios de converter pessoas. Logo nos primeiros capítulos as três mulheres acabam se envolvendo em um escândalo na cidade, uma mulher morta e um bebê rejeitado. Presas pelas leis locais, que se misturam às crenças da religião, as três mulheres ficam um bom tempo em Kashgar. Enquanto Lizzie se dedica à fotografia e nutre uma fascinação por Millicent, Eva cuida do bebê rejeitado e para guardar sua história começa a escrever em um diário.

Em Londres, nos dias atuais, outra história tem início. A história de Frieda, uma jovem independente que tem um relacionamento conturbado com a mãe. Um dia ela abre a porta de sua casa e se depara com um homem dormindo no corredor, pela manhã, ele não está mais lá, mas deixa na parede um desenho de um belo pássaro e uma frase escrita em árabe. Tayeb, que deixou o Iêmen para morar na Inglaterra, aparece novamente no dia seguinte na porta de Frieda. Uma amizade improvável nasce entre esses dois estranhos, não tão estranhos assim, na mesmo período em que Frieda é notificada da morte de uma parente que ela jamais tinha ouvido falar, e cujo o apartamento abandonado contém muitas surpresas e mistérios. Entre eles uma coruja, uma foto dentro de uma bíblia e um velho diário. O resto você terá que descobrir lendo.

A autora escreveu o livro como se houvesse duas histórias diferentes, por exemplo, um capítulo é reservado para Eva em Kashgar e outro para Frieda em Londres, assim por diante. Essa quebra das histórias me deixou muito intrigada. Quando um capítulo estava em seu auge a autora quebrava o pensamento iniciando a história de outra personagem. Se isso atrapalhou muita leitura? Não, na verdade teve o efeito contrário! Me instigou a ler mais e mais, eu queria saber qual era ponto em comum entre essas mulheres tão diferentes, com histórias aparentemente opostas. Mas é aí que Suzanne Joinson nos prega uma surpresa ao mostrar que alguns “estranhos”, podem na verdade estar intimamente ligado a nós. E que somos o fruto de algumas histórias desconhecidas.

Gostei muito do livro, principalmente pelo cenário criado pela autora, o místico oriente é um ponto forte da obra, em alguns momentos dá para sentir o calor vindo do deserto e os sabores dos deliciosos pratos descritos. A cultura islâmica, as crenças do oriente, tudo parece ter sido estudado e bem colocado nas páginas. Acho incrível quando um autor consegue despertar essa imaginação em mim. E Joinson não escreveu apenas por escrever. Ela viaja com frequência para o Oriente Médio, o norte da África, Rússia e China, é perceptível a pesquisa feita pela autora, o que deixou o livro ainda mais rico na descrição. Além disso, tenho que tirar o chapéu para a autora que conseguiu fechar a obra da maneira certa, unindo todos os pontos soltos da história de Eva e Frieda. Sem falar que pássaros e bicicletas são partes importantes na história, quer mais amor?

vuou_livro_guiadeuma_3vuou_livro_guiadeuma_2vuou_livro_guiadeuma_5vuou_livro_guiadeuma_4vuou_livro_guiadeuma_6vuou_livro_guiadeuma_8

vuou_livro_guiadeuma_9

Ficha do Livro

Título: Guia de uma Ciclista em Kashgar

Autor: Suzanne Joinson

Editora: Editora Intríseca

ISBN: 978-85-8057-327-5

Número de páginas: 270

Minha nota para o livro: 3/5

 

You may also like
Literatura
Resenha: Solanin – Inio Asano
4 de dezembro de 2017
Literatura
Destination Simple – rituais diários para uma vida com mais calma
17 de novembro de 2017
Literatura
Em Algum Lugar nas Estrelas (Clare Vanderpool)
20 de julho de 2017
Literatura

O Chamado da Floresta – Jack London

Já comentei nesse post aqui sobre a minha paixão pela escrita de Jack London, e como ele me conquistou com suas histórias sobre lobos, ambientes selvagens e sua intensa forma de escrever sobre os extintos naturais de seus personagens animais, que muito estão relacionados a nós mesmos, “homens civilizados”.

Diferente de Caninos Brancos, Buck não é um lobo selvagem, mas um cão domesticado que é raptado e vendido para aventureiros que estão desbravando as selvagens e gélidas florestas do Alasca. E é nesse ambiente que Buck retorna ao primitivo, livrando-se de tudo que conhecia acaba encontrando a liberdade em seus extintos mais internos e esquecidos.

blogvuou_livro_ochamadodafloresta_4

Há um êxtase que marca o apogeu da vida; além desse ponto, a vida não pode mais avançar. E é esse o paradoxo da vida, esse êxtase chega quando se está mais vivo do que nunca, e chega com um completo esquecimento de que se está vivo. Esse êxtase, esse esquecimento da existência, chega ao artista, quando incapaz de se expressar diante de uma página que arde como fogo; chega ao soldado, enlouquecido pela guerra, num campo arrasado, recusando a mercê do inimigo; e chegava a Buck, conduzindo a matilha, repetindo o antigo uivo dos lobos, dando tudo de si atrás do alimento vivo que fugia com rapidez a sua frente, em meio ao luar. Estava repetindo o som que vinha das profundezas de sua natureza, as quais retornavam ao útero do Tempo. Estava dominado pelo impulso da vida, pela poderosa onda da existência, pelo prazer perfeito, completo, de cada músculo, de cada junta, de cada nervo, de tudo que era contrário à morte, que era ardente e impetuoso…

blogvuou_livro_ochamadodafloresta_3

Jack London já tinha uma certa fama quando escreveu O Chamado da Floresta, ele escreveu o livro inteiro em um mês, mais um dia para revê-lo e datilografá-lo. O resultado foi um obra enxuta, sem muitos rodeios, mas extremamente intensa. A linguagem é simples e acessível, sem “frescuras, ou melhor, floreios, desses que encontramos em obras de alguns autores intelectuais. E eu gosto disso em London, ele é rústico quando escreve, até meio tosco, mas o aspecto e caráter primitivo da obra se adequam perfeitamente a esse estilo. Não consigo imaginar London descrevendo a primeira vez que Buck mata um animal de uma maneira cheia de rococós, a escrita crua e direta foi uma ótima opção. Ao passo que London também não perde o encanto, a maneira como escreve é muito envolvente, na minha opinião. Ele parece não ter grandes pretensões, além de escrever uma narrativa com fatos empolgantes. Mas um olhar atento notará que a obra revela mais significados do que uma trama pura e simples.

blogvuou_livro_ochamadodafloresta_2

Arrancado de uma casa em que era mimado, Buck vai para no mundo hostil e inóspito do Alasca. Ali, precisa se adaptar à lei do porrete e da dentada, enfrentando a natureza, os homens rudes, os cachorros rivais, a fome, sede, cansaço e frio. Como um símbolo do indivíduo que no ambiente refratário do mundo, urbano, industrial e capitalista, precisa se ajusta à lei do cão para sobreviver.

blogvuou_livro_ochamadodafloresta_1

A narrativa é toda feita do ponto de vista de Buck, e logo nos primeiros capítulos o leitor torna-se simpatizante do personagem e envolvendo-se com as descobertas e tomadas de decisão. Vemos um pouco de nós em Buck. Esse cachorro é tanto London, Hadassah, quanto você. Um animal jogado nesse mundo louco e tendo que se adaptar, ao passo que luta com algo que o chama mais alto, sua individualidade, seu extinto natural, ser dono do próprio nariz. O apelo ao individualismo e à liberdade é tão forte nessa obra que os nazistas queimaram O Chamado da Floresta, como inimigo ao regime de Hitler, mas já era tarde. A consagração da obra não poderia ser atravessada por algumas fogueiras nazistas.

Ficha do Livro

Título: O Chamado da Floresta

Autor: Jack London

Editora: Editora Ática

ISBN: 85-08-04526-3

Número de páginas: 111 páginas

Minha nota para o livro: 5/5

 

You may also like
Literatura
Resenha: Solanin – Inio Asano
4 de dezembro de 2017
Fotografia
Conheça Isolda e Babette
22 de novembro de 2017
Literatura
Destination Simple – rituais diários para uma vida com mais calma
17 de novembro de 2017
Literatura

O Jardim Secreto – Frances Hodgson Burnett

Quando eu era criança minha mãe alugou uma fita cassete do filme O Jardim Secreto, me encantei logo de cara. Eu era uma menininha romântica que gostava de flores e histórias que se passavam em ambientes antigos e para mim essa foi um dos filmes que me marcaram, junto com A Princesinha. Os anos já se passaram, mas ainda continuo guardando com carinho a história de Mary e do seu Jardim Secreto. Frances Hodgson Burnett marcou uma época muito linda da minha vida.
blogvuou_thesecretgarden_1

Depois de alguns anos eu estava na livraria Cultura da Paulista com a minha mãe quando encontramos uma edição de bolso do livro The Secret Garden, uma edição muito bem feita, com uma capa linda e ainda por cima britânica! Minha mãe sabendo o quanto essa história era especial para mim acabou comprando e me dando de presente. Fiquei muito feliz! Pode parecer besteira para algumas pessoas, mas a carga afetiva de algumas histórias, livros, músicas e filmes eu carrego durante toda a minha vida e guardo com carinho, mesmo que seja um livro infantil.

Mistress Mary stood up and looked at it with an almost frightened face as it hung from her finger.
‘Perhaps it has been for ten years,’ she said in a whisper. ‘Perhaps it is the key to the garden!’

Mary Lennox é uma garotinha rica e mimada que mora na Índia. Seus pais sempre muito ocupados com o trabalho ou festas acabam negligenciando o cuidado de Mary, ela possuí tudo que quer, mas não o essencial. Após a morte de seus pais em um surto de cólera Mary é enviada para morar com seu tio na Inglaterra. E logo ela encontra resistência no novo estilo de vida, na casa enorme e ambiente melancólico que se instalou após a morte de sua tia. Para passar o tempo ela começa a investir em descobrir coisas na grande propriedade, até que um dia encontra uma porta escondida por trepadeiras, e do outro lado do muro ela faz a descoberta do Jardim Secreto, um lugar abandonada que pertencia a sua tia e que após a morte da mesma teve suas portas fechadas. Mas o Jardim não é a única coisa que Mary encontra. Ela conhece Dickon, um garoto encantador de animais e Collin o filho do Sr. Craven, também seu primo, que se diz muito doente e a beira da morte. E é a partir desse momento que as coisas começam a mudar. Mary encontra forças para mudar suas opiniões e ajudar o primo, ao mesmo tempo que cresce em segredo como as flores do jardim que agora estão aos seus cuidados. E é isso que eu gosto nessa história, ver Mary amadurecendo e deixando de ser uma menina mimada para transformar-se numa garota viva e cheia de fé. Gosto de pensar que o Jardim tem ligação direta com sua mudança e que assim como os lírios que ela plantou Mary precisou de um tempo para finalmente florescer. As crianças acreditam na Mágica, em concentrarem seus pensamentos em coisas boas e a ter fé que no que desejam. Isso traz uma nota de fantasia e beleza para a narrativa.

Escrito em 1911 o Jardim Secreto é considerado uma obra de importância pois foi um dos primeiros romances a trazer uma garota e um garoto como protagonistas. E também por trazer personagens que são apáticos no começo da obra, mas que crescem junto com a história, e podem acreditar,  suas transformações são extremamente visíveis com o decorrer das páginas.

E não importa se você se acha muito “grandinho” para uma história como essa, indico a leitura mesmo assim! É algo leve, bonito e gostoso de ler, com lições preciosas. Não vejo a hora de ler para a Eliza Victória.

blogvuou_thesecretgarden_4

blogvuou_thesecretgarden_3

blogvuou_thesecretgarden_6

blogvuou_thesecretgarden_7

blogvuou_thesecretgarden_2

Ficha do Livro

Título: The Secret Garden

Autor: Frances Hodgson Burnett

Editora: Collector’s Library

ISBN: 978-1-904633-31-0

Número de páginas: 287 páginas

Minha nota para o livro: 5/5

You may also like
Literatura
Resenha: Solanin – Inio Asano
4 de dezembro de 2017
Literatura
Destination Simple – rituais diários para uma vida com mais calma
17 de novembro de 2017
Literatura
Em Algum Lugar nas Estrelas (Clare Vanderpool)
20 de julho de 2017
Literatura

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Distopia se tornou um dos meus gêneros literários favoritos desde que comecei a ler George Orwell. Que me perdoem os fãs de Jogos Vorazes e Divergente, mas curto mesmo as distopias clássicas, se é que posso chamar assim os livros que vieram antes desse bum das sagas distópicas!

Conheci Fahrenheit 451 por indicação de uma amiga, a Bruna 🙂 Ela comentou comigo sobre um filme em que as pessoas eram proibidas de lerem livros, então alguns revoltados do sistema guardavam as histórias na memória tornando-se responsáveis pela guarda e ensinamentos dos livros que haviam lido.

Fiquei fascinada pelo enredo e acabei descobrindo que o filme tinha sido inspirado na obra do escritor e roteirista Ray Bradbury. Não deu outra, comprei o livro. Comecei a leitura com a expectativa formada pela conversa que tive com a Bruna, mas com o passar do tempo percebi que as coisas andavam meio diferentes do que eu havia imaginado.

Imagine uma época em que os livros configuram uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros- profissionais que outrora se dedicavam à extinção  de incêndios, mas que agora são responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem “famílias” com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fato reais. Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa uma séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus “parentes televisivos”, enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e o que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, ele é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória.

A obra de Bradbury além de ser uma distopia tem um cunho de ficção científica, e por esses dois motivos me interessaram imensamente. Mas infelizmente coloquei expectativas superiores sobre a obra e isso me frustou um pouco. O próprio Bradbury disse na época em que o filme foi lançado que os personagens e a história ganharam proporções mais sofisticadas no longa metragem e que quando jovem pensou algumas vezes em mudar o romance, mas apesar das críticas decidiu manter o livro em sua forma original. Ainda não assisti ao filme então não posso dizer se é, ou não, melhor que o livro, mas gostaria muito que Bradbury tivesse aproveitado mais a ideia de ter pessoas que liam livros e que se mantinham “guardiões” das obras em suas memórias. Pena que essa parte da história só é apresentada ao leitor nas últimas páginas do livro. Para mim ficou pobre e mal explicado. Teria sido ótimo se Bradbury tivesse explorado com mais afinco essa “sociedade alternativa”. Mas enfim…

blogvuou_fahrenheit_2

Bradbury escreve com paixão, é algo nítido! Ele escreve os pensamentos de Montag nas suas idas e vindas sem intenção de fazer algum sentido linear, e durante a leitura esse estilo do autor me deu uns nós na cabeça, mas achei bom exatamente por que não é algo com a qual estou acostumada e adoro quando isso acontece! Outro ponto positivo para a obra é a construção dos cenários inovadores, não é à toa que Bradbury é um dos mais importantes nomes da ficção científica! Ele conseguiu passar com maestria a crítica à superficialidade da era da imagem sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer, muito pelo contrário! Ele foi bem pontual, e mesmo sendo uma ficção há muitas verdades contidas nas páginas.

blogvuou_fahrenheit_5

No final do livro há apêndices com alguns escritos de Bradbury e em um deles ele comentou sobre a onda de críticas que recebeu em relação aos seus contos e romances, em resposta aos críticos escreveu:

Todos vocês, juízes, voltem para as arquibancadas. Árbitros, para os chuveiros. A partida é minha. Eu arremesso, eu rebato, eu apanho. Eu corro as bases. No poente, ganhei ou perdi. No nascente, saio novamente, fazendo a velha tentativa. E ninguém pode me ajudar. Nem mesmo vocês.

E depois dessa Bradbury ganhou meu respeito, como também Fahrenheit 451. Pouco importa se o livro superou ou não as minhas expectativas. Já é um clássico da literatura mundial, leitura obrigatória e de extrema qualidade, não posso e nem devo negar.

 

Ficha do Livro

Título: Fahrenheit 451

Autor: Ray Bradbury

Editora: Globo (Selo: Biblioteca Azul)

ISBN: 978-85-250-5224-7

Número de páginas: 215 páginas

Minha nota para o livro: 4/5

 

 

You may also like
Literatura
Resenha: Solanin – Inio Asano
4 de dezembro de 2017
Literatura
Destination Simple – rituais diários para uma vida com mais calma
17 de novembro de 2017
Literatura
Em Algum Lugar nas Estrelas (Clare Vanderpool)
20 de julho de 2017
Close