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Nove Plantas do Desejo e a Flor de Estufa – Margot Berwin

Lila Nova tem 32 anos, trabalha como redatora de publicidade, mora em Nova York, divorciada e tem como mantra pessol “nada de animais de estimação, nada de plantas, nada de gente, nada de problemas”. Mas quando ela conhece David Exley, um charmoso vendedor de plantas, um mundo novo se revela.

Certa noite, ao passar em frente a uma lavanderia muito estranha, repletas de plantas, uma raríssima samambaia chama sua atenção. Aquela planta é tão valorizada, que uma mudinha poderia ser vendida por milhares de dólares. Lila é iniciada, então, no universo das flores com propriedades medicinais, que rivalizam com qualquer substância disponível em farmácias. E conhece o mito das nove plantas que trazem fama, fortuna, imortalidade e paixão.

O dono da lavanderia, Armand, submete Lila a um teste: se ela conseguir que a muda daquela samambaia-de-fogo crie raízes, ele lhe mostrará o segredo que guarda em um quarto secreto. Mas ao cometer um erro terrível, por ingenuidade, Lila joga fora a oportunidade de ver as misteriosas plantas de Armand. A única maneira de ter uma chance é viajar, sozinha para Yucatán.

Embrenhada nas matas tropicais mexicanas, Lila descobre um mundo de xamãs e animais-espíritos, de encantadores de serpentes e nativos. Sozinha na selva, é obrigada a aprender mais do que possa ter sonhado sobre a natureza – e sobre si mesma.

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MINHA OPINIÃO

Vou ser direta, o livro tinha tudo para ser bom, capa muito bonita, enredo legal, uma editora que sempre lança títulos interessantes, mas infelizmente não rolou. Nove Plantas do Desejo e a Flor de Estufa me conquistou inicialmente por alguns motivos que vou resumir em palavras; plantas, publicidade, auto conhecimento e natureza. Quando comprei o livro achei que a história cairia como uma luva para o meu perfil, que Lila seria uma personagem com a qual eu me identificaria. E mesmo não esperando um mega livro com uma qualidade de escrita refinada e genial, pelo menos esperava que eu pudesse me divertir. Ok, me diverti um pouco no início, mas não a ponto de considerar o livro muito bom. Margot Berwin, na minha opinião, pecou ao criar a protagonista. Lila tinha grande potencial, mas foi reduzida a uma mulher desesperada para encontrar qualquer cara que estivesse disposta a dormir com ela. Eu não acharia ruim o fato de Lila se meter em tantas encrenca por causa das suas aventuras amorosas, até poderia ser um ponto positivo. A personagem tinha tudo para ser cômica, original e descolada, mas não! Lila ficou mais para uma mulher infantil, insegura e extremamente manipulável. E no final do livro quando ela teve a chance de se redimir, pecou de novo. Foi mal Margot, mas a Lila não desceu.

Além do fato da protagonista ser bem mais ou menos (mais para menos do que para mais) a Margot quis dar um certo ar místico e exótico ao livro e acabou dando uma exagerada. Em certo momento da história Lila tem quer ir para o México para resgatar algumas plantas mágicas e ao construir o ambiente e os personagens nativos Margot deu uma viajadinha. Ela quis ser muito exótica, muito erótica, (chega a ficar cansativo), muito xamã, muito feiticeira do Andes, e acabou metendo os pés pelas mãos. O final da história também foi um grande erro, na minha opinião. O livro acaba com uma grande ponto de interrogação, mas ao invés de deixar o leitor curioso ou com aquela sensação de “quero uma continuação”, ficou parecendo que a autora tinha que acabar logo com livro aí foi metendo alguns diálogos ruinzinhos e umas resoluções nada a ver. O livro poderia ter dado muito certo, juro que vi potencial, mas em algum momento a autora errou na mão.

Tá, pontos positivos. Já falei da capa? (risos) Brincadeira. Sim a capa está linda, mas em relação ao conteúdo eu gostei de alguns pontos;

  • A pegada da botânica. A história toda gira em torno das plantas, dos seus significados e “poderes”. Acho isso legal porque o universo das plantas é científico, mas ao mesmo tempo místico e permeado de crenças. E eu gosto de plantas, então acho que Margot mandou bem com a escolha do tema;
  • A escrita da Margot é legal, tem ritmo e apesar de eu não ter gostado da maneira que ela escreveu a história acho que se ela tivesse mudado algumas coisas o livro ficaria muito divertido. Seria um ótimo entretenimento;
  • A construção dos personagens está razoável. Eu consegui me envolver até certo ponto com eles, só não me apaixonei porque, enfim… Não dá para forçar esse tipo de coisa.
  • E por fim a diagramação está muito boa, a Intrínseca sempre manda bem nas suas edições.

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Ficha do Livro

Título: Nove Plantas do Desejo e a Flor de Estufa

Autor: Margot Berwin

Ano: 2010

Editora: Intrínseca

Número de páginas: 243 páginas

ISBN: 978-85-8057-000-7

*Minha nota para o livro: 2/5

Então é isso, obrigada por tudo pessoal, nos vemos na próxima!

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HQ Palestina – Joe Sacco

Quando terminou a faculdade de jornalismo Joe Sacco percebeu que ia ter algumas dificuldades na carreira, começando pelo o que ele realmente queria fazer da sua profissão. Em uma dessas crises existenciais, que todos nós temos de tempos em tempos, ele fez as malas para o Oriente Médio com um propósito ambicioso, escrever uma matéria jornalística no formato de história em quadrinhos. E deu certo!

Publicada pela primeira vez em 1996 a narrativa gráfica documental é considerada um marco ao introduzir o gênero “reportagem em quadrinhos”.

Abordando o conflito Israel-Palestina, Sacco viajou entre 1991 a 1992 pela região da Palestina coletando histórias nas ruas, hospitais, escolas e campos de refugiados. Nos quadrinhos Sacco torna-se personagem e através das páginas o acompanhamos pelas sua busca por histórias. Na HQ o autor mostra como vive a população expulsa de suas terras pelos israelenses, como é o dia a dia dos moradores dos assentamentos imundos, os ativistas que são presos e torturados, as pessoas que perderam seus entes queridos e principalmente o ódio instalado.

O foco principal da HQ é o povo palestino, em alguns momentos lemos algumas considerações do lado israelense, mas como o próprio Sacco escreve nos últimos capítulos seu foco é expor o lado palestino. O legal é que apesar de ser uma reportagem há também traços subjetivos e pessoais do próprio autor. Ainda mais porque Sacco não é apenas um expectador, ele está presente nos fatos, nos desenhos, tudo gira em torno dele, de seu ambicioso projeto o do que ele descobre estando na Palestina.

Assisti uns dias atrás uma entrevista que Sacco concedeu a Livraria Cultura durante a FLIP e ele ressaltou que a HQ tem muito de autobiográfica, apesar desse não ter sido planejado. Ele conta que muitos jornalistas possuem um certo receio em colocar sua opinião pessoal, ainda mais em matérias sobre zonas de conflito, mas que para ele essa é uma das melhores maneiras de envolver o leitor, colocando o autor no contexto. Apesar disso, na minha opinião, Joe Sacco não fugiu do quesito “ser jornalista”, é óbvio que o autor está envolvido com a obra e que ele não é apenas um narrador dos fatos, mas sim parte importante e ativa da história. Mas talvez eu esteja acostumada com HQs mais romantizadas, que mesmo usando fatos reais, autobiografias etc, elas possuem uma linguagem mais rebuscada, usam artifícios tanto do desenho quanto na narrativa para ressaltar sentimentos mais íntimos. Exemplos são: Persépolis, em que a autora conta sobre sua vida no Irã e mistura os fatos sociais e políticos de seu país com sua história pessoal, seus temores, sonhos e experiências. Ou ainda Craig Thompson com Retalhos, uma autobiografia muito focada em seus sentimentos, tanto que ele praticamente personifica muitos deles em desenhos. Em Palestina eu vi bastante da realidade, de uma maneira até bem dura. Claro que não é uma matéria de quatro parágrafos de um jornal desses que lemos todos os dias, então é óbvio que há traços subjetivos. Eu me envolvi com os personagens, me simpatizei e fiquei comovida com suas histórias, mas em nenhum momento esqueci do propósito do autor, que seu livro fosse uma reportagem em quadrinhos. O tom é jornalístico.

Em relação aos aspectos gráficos o livro está incrível! O que me chamou atenção foi o traço mais caricato do autor e a sequência dos quadrinhos que não seguem uma lógica comum. Quando li parecia que eu estava acompanhando Sacco pelas ruelas, observando ao longe os assentamentos e outros momentos me senti uma mosquinha voando através das pernas dos palestinos e vendo-os de uma perspectiva de baixo para cima. Sem falar nos detalhes dos ambientes, muito bom!

Indico a leitura a todos.

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Ficha do Livro

Título: Palestina

Autor: Joe Sacco

Ano: 2012

Editora: Conrad

Número de páginas: 328 páginas

Minha nota para o livro: 5/5

Até a próxima pessoal!

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Literatura

A obra de Wes Anderson em livros

Mostrei uns tempos atrás no meu perfil do Instagram uma foto de dois livros comprei. Perguntei se alguém tinha interesse que eu fizesse uma resenha e uma galerinha se mostrou interessada. Por isso, estou hoje respondendo aos pedidos! Finalmente preparei o post sobre os livros do (mega amado) diretor Wes Anderson.

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INTRODUÇÃO:

Wes Anderson é um diretor norte-americano que nos últimos anos começou a ganhar mais destaque na crítica especializada de cinema e por consequência ficar mais conhecido pelo grande público. Seu último filme “The Grand Budapest Hotel”, foi um sucesso e levou várias indicações ao Oscar. Venceu as categorias de melhor trilha sonora, melhor design de produção, melhor figurino e melhor maquiagem e cabelo, dominando os prêmios técnicos!

Não há como negar, o diretor tornou-se um dos queridinhos de muitos cinéfolos por aí. Sim, o cara é bom em vários sentidos, mas para mim o primordial é que ele conseguiu criar uma identidade muito sólida, um estilo muito Wes Anderson de ser. Exemplos; criou o dollhouse shot, o uso dos mesmos atores em vários trabalhos, uma referência sempre ao vintage, trilhas sonoras marcantes, câmera lenta, a colorização dos filmes, takes característicos, universo lúdico, enfim. No resumo da ópera Wes Anderson conseguiu uma coisa a qual aprecio muito, criar um estilo para chamar de seu e ser reconhecido por isso.

OS LIVROS:

Então vamos falar sobre os livros! Ambos foram escritos pelo crítico Matt Zoller Seitz, que acompanha o trabalho do Wes Anderson desde o sue primeiro longa lançado, Bottle Rocket. E isso é muito legal! Porque o leitor acompanha o trabalho do diretor através da perspectiva de um crítico da área desde o início, não apenas a partir da popularidade do Wes Anderson. Matt Zoller Seitz era figura presente nas entrevistas, nos lançamentos e acompanhou de perto o crescimento e aprimoramento dos filmes do diretor.

Os livros são para quem gosta de cinema e para quem curte o trabalho do diretor, já adianto. São muitos os termos técnicos, referências e entrevista sobre o assunto. Ah, o livro não foi lançado em português e não é tão fácil de encontrar em livrarias por aí. Encontrei apenas o The Wes Anderson Collection na Cultura e por um preço bem salgadinho. Okay que o dólar está nas alturas, mas eu comprei pela Amazon e valeu bem mais a pena. Então se você pensa em ir para o exterior ou tem um amigo ou familiar que pode trazer a encomenda na mala, sugiro que compre em uma livraria online gringa.

THE WES ANDERSON COLLECTION

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Esse livro levou 20 anos para ser escrito! Não de uma maneira linear, mas com pausas entre a escrita, já que nele estão reunidos os sete primeiros filmes de Wes Anderson! No “The Wes Anderson Collection” temos os filmes: Bottle Rocket, Rushmore, The Royal Tenenbaums, The Life Aquatic With Steve Zissou, The Darjeeling Limited, Fantastic Mr. Fox e Moonrise Kingdom. Para cada capítulo um filme!

O trabalho de diagramação está lindo! Foram feitas ilustrações para o livro e tem muito, muito conteúdo extra como fotos, anotações, referências de outros filmes, esboços do diretor entre outras curiosidades do por trás das câmeras. O livro foi escrito da seguinte maneira; um capítulo para cada filme e uma introdução do autor sobre cada um deles, depois todo o formato do capítulo é de uma entrevista entre Matt Zoller Seitz e o Wes Anderson. O autor pede para que nós leitores não encaremos a obra apenas como uma entrevista, mas como uma boa conversa entre os dois. E é isso mesmo que acontece, a leitura fluí.

O legal é ver como o Wes Anderson explicando a construção de seus filmes, suas ideias, referências, quando tal equipamento é usado e como ele criou e construiu cada personagem. Ele é perfeccionista. Um exemplo é a elaboração do “dollhouse” shot que é uma sequência de imagens bem característica do diretor. Quando a câmera visita ambientes com os personagens, como se estivéssemos em uma casinha de bonecas. O mais legal é ver as referências do diretor, algumas são bem presentes como Star Wars, Hitchcock e The Peanuts. Fiquei fascinada por tudo isso! E passei a olhar os filmes de uma outra maneira, compreendendo as escolhas do diretor e como as coisas funcionam em um set de filmagem.

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hadassah_sorvillo_img_85Ficha do Livro

Título: Ther Wes Anderson Collection

Autor: Matt Zoller Seitz

Ano: 2013

Editora: Abrams

ISBN: 978-0-8109-9741-7

Número de páginas: 327 páginas

Minha nota para o livro: 5/5

Deem uma olhadinha no Book trailer do livro:

THE GRAND BUDAPEST HOTEL

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O segundo livro foi totalmente dedicado ao último filme do diretor já que na época em que o The Wes Anderson Collection foi lançado o The Grand Budapest Hotel ainda não havia ido para as telas de cinema. Resumidamente esse livro segue a mesma linha do primeiro. Mas há um detalhe, nesse livro há mais textos descritivos em comparação ao primeiro, que é quase todo no formato de uma entrevista.

Diferente do primeiro livro eu achei esse mais completo, já que foi totalmente dedicado a um único filme. Há entrevistas com outras pessoas da equipe do Wes Anderson, e temas como; figurino, trilha sonora, ambientação e design de produção, foram mais explanados. Achei mais rico em conteúdos. E apesar de o primeiro também ser muito bom, o último lançamento conseguiu superar! É incrível o processo de criação!

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Ficha do Livro

Título: The Grand Budapest Hotel

Autor: Matt Zoller Seitz

Ano: 2015

Editora: Abrams

ISBN: 978-1-4197-1571-6

Número de páginas: 249 páginas

Minha nota para o livro: 5/5

Book trailer do livro The Grand Budapest Hotel

Eu poderia passar um bom tempo escrevendo sobre o assunto porque tem muuuito conteúdo nos livros, mas não conseguiria passar nem metade! O bom é sentar, folhear o livro e entrar no universo de Wes Anderson. Por isso aconselho quem gosta e ficou interessado em adquirir um exemplar, vale muito a pena.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o diretor separei esses três vídeos com umas informações extras. Aproveitem, e nos vemos na próxima!

Mini doc da obra de Wes Anderson

A simetria na obra de Wes Anderson

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Guia Politicamente Incorreto da Filosofia – Luiz Felipe Pondé

Este livro não é um livro de história da filosofia, mas sim um ensaio de filosofia do cotidiano. Mais especificamente um ensaio de ironia filosófica que dialoga com a filosofia e sua história. Movido por uma intenção específica: ser desagradável para um tipo específico de pessoa (que espero, seja você ou alguém que você conhece). Ou, talvez, para um tipo de comportamento (que, espero, seja o seu ou de algum amigo seu).  Este livro é a confissão de um pecador irônico a respeito de uma mentira moral: o politicamente correto. – Pondé

Luiz Felipe Pondé é um filósofo que, até onde sei, gosta de cutucar as feridas da sociedade. Já assisti algumas entrevistas e debates que ele participou e  sempre notei essa característica. Ele gosta de criticar de maneira incisiva e claro, com bons embasamentos, temas cotidianos. Quando comprei o livro Guia Politicamente Incorreto da Filosofia já sabia que não ia concordar com tudo, e que talvez o autor até me deixasse meio desconfortável com algumas considerações. Mas não posso negar o fato que isso me deixou duplamente curiosa e com mais vontade de ler.

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O livro foi escrito em forma de ensaios, Pondé escolhe um tema e a partir dele expõe sua opinião tendo grandes filósofos e pensadores como sustento para suas considerações. Gostei muito do formato do livro, tanto os ensaios, quanto a diagramação, ficou bonito. Em relação ao conteúdo, me surpreendi ao perceber que concordei com muitas coisas que o autor escreveu, mas, como já previa, em outras partes achei que ele exagerou no reforço de críticas negativas. Nesses casos relevei e aproveitei aquilo que achei interessante. Além disso, a leitura é gostosa, tem ritmo e mesmo abordando o tema filosofia, que pode parecer complicado para algumas pessoas, já garanto que esse livro não tem nada de complicado. É irônico, sagaz e direto ao ponto, qualidades que aprecio demasiadamente.

Em suma o autor ironiza os politicamente corretos, essas pessoas que dizem amar o mundo e as diferenças, mas que no fundo são segregadores com quem não concorda com suas opiniões, sendo assim, na visão de Pondé, falsos moralistas. Quem contradiz esses sentimentos, ou não usa os vocabulários e ideais da maioria coloca-se fora do grupo de homens “civilizados”. E são vários temas abordados! Desde feminismo, aristocracia, a democracia, sexualidade, intelecto até felicidade, entre outros. Decidi fazer uma lista com os títulos dos capítulos para deixar um gostinho dos assuntos para vocês:

  • O Politicamente correto e o general Patton
  • Aristocracia – Os poucos melhores carregam o mundo nas costas
  • A democracia, sua sensibilidade e seus idiotas
  • O outro
  • Romantismo e a natureza
  • Sexualidade, mulheres e homens
  • A beleza e a inveja
  • Os funcionários da educação, do intelecto e da arte
  • Viajar jamais
  • A tragédia do keeper (“o bom partido”)
  • Religiões, fundamentalismo e budismo light
  • Natureza humana e felicidade
  • A nova hipocrisia social
  • Teologia de esquerda ou da libertação
  • A culpa
  • Injustiça social, mediocridade e banalidade
  • Hipocrisia em tempos de guerra
  • Ditadura
  • Leitor
  • Bovarismo
  • Canalhas cheios de amor
  • Baianidade
  • Os “sem iPads” do Reino Unido
  • O comércio de ideias

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Só uma advertência, esse livro foi escrito com a intenção de desagradar. Caso você se ache dono da verdade talvez não goste muito da leitura, porque anota aí, o Pondé vai te deixar numa saia justa. Mas espero que você leve isso numa boa. As pessoas pensam de maneiras diferentes e podemos aprender muitas coisas interessantes com essas diferenças. Então leiam, mesmo que seja um desconforto, é sempre bom ouvir os dois lados antes de atirar uma pedra. 

Ficha do Livro

Título: Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, Ensaio de Ironia.

Autor: Luiz Felipe Pondé

Ano: 2012

Editora: Leya

ISBN: 978-85-8044-438-4

Número de páginas: 230 páginas

Minha nota para o livro: 4/5

Até a próxima pessoal!

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Dicas para limpar e restaurar livros

Nos meus primeiros anos de faculdade trabalhei na biblioteca do campus para pagar parte da minha bolsa de estudos. E lá aprendi algumas coisas sobre cuidados com livros. E um dia desses decidi fazer uma limpeza passando pente fino na minha estante. A meta era limpar o que precisava e também doar algumas obras. Infelizmente, nessa faxina, descobri que alguns dos meus livros haviam mofado.

Fiquei bem chateada porque eram alguns dos meus favoritos, como Tolstói, HQs, Dom Casmurro, etc. O pior é que isso poderia ter sido evitado com algumas atitudes bem simples. Por isso, decidi compartilhar com vocês algumas dicas de limpeza, cuidados e restauração de livros, que aprendi na biblioteca que trabalhei. Para que ninguém tenha surpresas desagradáveis como a minha.

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Material de Limpeza:

– Pincel chato

– Algodão

– Pano limpo

– Acetona

– Lixa de madeira 220

– Borracha

1-) Livros precisam respirar

Os livros possuem poros, assim como a nossa pele. E quando eles ficam muito tempo na estante costumam “sugar” o pó e outras sujeiras. Isso pode deixar o seu livro com manchas e amarelados. Além da humidade, que resulta naquele mofo preto. Uma prática muito boa é tirar os livros da estante de tempos em tempos e folheá-los, um a um. Deixe passar o ar pelas páginas, depois é só recolocar na estante.

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2-) Limpeza básica

Reserve um paninho só para limpar seus livros, é importante que ele esteja limpo. Tenha também um pincel chato reservado para a limpeza. O pano é bom para limpar a capa e as folhas, já o pincel tira aquelas sujeiras que o pano não consegue alcançar. E a borracha é para limpar aqueles rabiscos ou manchas que ficam no miolo do livro.

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3-) Tirando o amarelado das folhas

Uma boa dica para amenizar aquelas sujeiras que deixam as folhas amarelas é lixar a parte externa do livro. Use uma lixa de madeira número 220. Essa técnica não vai solucionar o problema por completo, apenas amenizar. Então cuidar do livro ainda é a melhor alternativa.

Quando for passar a lixa tome muito cuidado com a capa, para não lixá-la junto! Outra coisa, mantenha todas as folhas bem juntinhas e firmes forçando-as uma contra a outra com as mãos. Ah, não lixe demais, se não vai acabar com as folhas! hahaha

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4-) Deixando os livros com cheirinho de novos

Você sabia que a acetona além de tirar a sujeira deixa os livros com aquele cheirinho de novo? Não sei se todas são assim, mas a marca que usei deixou. A marca é Zumbi, se é uma das melhores para as unhas isso já não sei, mas para os livros… hummmm… aprovei.

Lembrando; acetona só pode ser usada para capas com aquela película de plástico, se for de papel ou pano, não rola. Para as últimas opções é melhor um paninho seco mesmo.

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5-) Lidando com a humidade

Vai por mim, encontrar um livro mofado é a pior coisa do mundo! Por isso evite guardar seus livros em ambientes propícios a humidade, deixe o ar circular no local. Em dias quentes abra as janelas e aproveite para limpar as prateleiras dos livros. Caso o seu livro molhe entrar em pânico não resolve. Pegue algumas folhas de jornal e envolva cada uma das folhas e deixe que as folhas de jornal suguem a água. Troque quantas vezes for necessário. E claro, deixe secar em um local seco e arejado. Outra boa técnica para tirar a humidade é passar maizena nas folhas (só que o livro não pode estar molhado), deixe assim por uns dois dias e então limpe com um pano.

Quando um livro estiver mofado retire da estante imediatamente, o contato com os outros livros pode resultar na proliferação do mofo.

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6-) Cuidados com a estante

Minha estante é de madeira, mas sei que não é a melhor opção. A madeira chama traça e pode manchar os livros dependendo do produto que você usar para manter a madeira limpa. Mas com alguns cuidados é possível evitar acidentes. Por exemplo, use apenas pano para limpar a madeira, nada de óleo de peroba! Toda semana passe um espanador, e tente fazer uma limpeza mais detalhada no mínimo uma vez por mês. Nada complicado, é só ficar de olho mesmo e manter o local sempre limpo.

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Com alguns cuidados básicos é possível ter uma biblioteca particular sempre bem cuidada. Não sei quanto a vocês, mas os livros são muito importantes para mim, aprendi e ainda aprendo muito com eles. E quando gostamos de algo é preciso cuidar. Mas não esqueçam, vamos ler né? Não adianta ter um monte de livros parados só pegando pó ou servindo de decoração. Aqui no blog já dei algumas dicas para melhorar os hábitos de leitura, para ler é só clicar aqui.

Boa leitura e faxina! 😀 rs

Nos vemos na próxima

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