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Remember, remember, the 5th of November – Noite das fogueiras e V de Vingança

Sabe que dia é hoje? 5 de Novembro! E você pode estar se perguntando, “e daí que é dia 5”? Bem, para alguns pode não significar muita coisa, para outros, no meu caso é uma lembrança de um dos personagens mais marcantes da literatura e cultura pop, o V da HQ V de Vingança.

De acordo com o Wikipédia (vamos confiar ok?) essa data é comemorada na Inglaterra como a Noite das Fogueiras, para relembrar A Conspiração da Pólvora que foi um levante liderado por Robert Catesby, que foi executado, assim como outros católicos insatisfeitos, cujas atividades eram consideradas subversivas pois pretendiam restaurar o poder temporal da Igreja Católica na Inglaterra. Foram, portanto, duramente reprimidas durante o reinado de Jaime I, que era protestante. Os conspiradores pretendiam explodir o Parlamento utilizando trinta e seis barris de pólvora estocados sob o prédio durante uma sessão na qual estariam presente o rei e todos os parlamentares. Guy Fawkes, como especialista em explosivos, seria responsável pela detonação da pólvora.

Porém os conspiradores notaram que o ato poderia levar à morte de diversos inocentes e defensores da causa católica. Assim, enviaram avisos para que alguns deles mantivessem distância do parlamento no dia do ataque. Para infelicidade dos conspiradores, um dos avisos chegou aos ouvidos do rei, que ordenou uma revista no prédio. Assim acabaram encontrando Guy Fawkes, guardando a pólvora.

Capturado, Fawkes permaneceu resoluto e desafiante durante seu interrogatório, identificando-se como “John Johnson” e negando-se a fornecer informações aos seus captores. Quando lhe perguntaram o motivo de estar em posse de tanta pólvora, respondeu que a pólvora era “para explodir todos vocês, desgraçados bêbados de scotch de volta para as montanhas sujas de onde vieram”. Fawkes admitiu sua intenção de explodir o parlamento e lamentou seu fracasso. Sua coragem acabou rendendo certa admiração por parte do rei, que o descreveu como “um homem de resolução romana”.

Essa admiração não evitou que o Rei ordenasse sua tortura “de maneira progressiva e planejada”. Para a surpresa do torturador William Waad, Fawkes inicialmente resistiu aos tormentos infligidos e não forneceu informações significativas além de declarar “que rezava todo dia a Deus para o avanço da fé Católica e a salvação de sua alma podre”.

Após mais de uma semana de tortura, Fawkes cedeu e entregou o nome de oito conspiradores. Sua assinatura de confissão, que era pouco mais de um risco ilegível, é indicio do sofrimento ao qual deve ter sido submetido.

Fawkes e os demais conspiradores foram condenados à morte por decapitação e depois serem estripados e esquartejados. Em um último ato de desafio antes de ser conduzido ao local de execução, Fawkes conseguiu se desvencilhar dos guardas e pular de uma escada, quebrando o pescoço e evitando assim a tortura. Seu corpo foi esquartejado e exposto publicamente junto com o dos outros conspiradores.

A graphic novel V de Vingança possui influências da “Conspiração da Pólvora”. Um personagem que utiliza o codinome V e que utiliza uma máscara inspirada no rosto de Guy Fawkes, tenta promover uma revolução na Inglaterra fictícia (década de 1990) onde é ambientada a graphic novel. A explosão do parlamento inglês também era objetivada, buscando-se concretizar, de certa forma, os planos da conspiração da pólvora.

Já faz um ano que fiz esse vídeo falando um pouco sobre a HQ, mas ainda está valendo! Dê play para conferir. Até a próxima pessoal 😉

“Remember, remember, the 5th of November. The gunpowder, treason and plot; I know of no reason, why the gunpowder treason should ever be forgot.

 

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A Festa de Babette – A magia de cozinhar

A primeira vez que assisti ao filme A Festa de Babette foi por indicação do meu pai. Ele disse que eu precisava ver, que era minha cara, que ele tinha lembrado muito de mim… enfim, me deu vários motivos empolgados e depois de uma boa propaganda sentei uma noite após as aulas para assistir ao tal filme que meu pai tanto falou. E bem, ele estava certo.

A Festa de Babette é um filme franco-dinamarquês de 1987 e foi inspirado em um dos contos mais célebres de Karen Blixen. A história se passa na costa da Noruega onde duas senhoras puritanas, filhas de um pastor protestante, vivem de maneira devota ao preceitos luteranos pregando a salvação através da renúncia. Até que um dia recebem a visita de Babette, uma misteriosa francesa que, fugindo de Paris, lhes pede abrigo em troca de serviços domésticos. Babette é aceita no novo lar pois traz consigo uma carta de recomendação de Papin, velho amigo das senhoras que havia sido apaixonado por uma delas no passado. O vilarejo é composto por famílias extremamente religiosas e que possuem o hábito de comer apenas o básico. Pratos sonsos, sem sabor, só por sobrevivência mesmo. Um dia, Babette tira a sorte e ganha um bilhete premiado na loteria. É a possibilidade de retribuir o bem às irmãs, ela então prepara um grande jantar para a comunidade local, com os mais refinados ingredientes, com sabores e texturas jamais experimentados por aquelas pessoas. Grandes mudanças na vida simples do vilarejo se apresentam a partir desse jantar.

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O filme, em suma, fala sobre como os personagens tão alienados em suas convicções não se permitiam aos prazeres de uma boa refeição. Achavam que Babette era uma bruxa, como se cozinhar fosse um ritual de feitiçaria. Rubem Alves em uma de suas crônicas diz que certa maneira eles estavam certos. “Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas. Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças… Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo.”

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O encanto dessa história está exatamente nessa quebra de conceitos, nessas mudanças que algumas sensações podem acarretar. No caso, um jantar saboroso, uma mesa bem posta, um cardápio bem elaborado. A graça de compartilhar momentos, interagir todos juntos em uma mesa com infinitas possibilidades de sensações. Os moradores daquele vilarejo descobrem uma alegria a muito esquecida e que foi desperta pelo simples ato de degustar um saboroso jantar.

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Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. – Rubem Alves

Gosto de pensar que uma boa comida é porta para o coração, porta para as recordações, porta para o carinho. Meu pai me indicou esse filme porque ele sabia que assim como Babette eu vejo graça em preparar pequenos encantamentos na cozinha. Não que eu me ache uma grande cozinheira, apenas quero deixar as pessoas ao meu redor felizes ao compartilhar uma refeição. Comer é algo bom, todo mundo sabe disso, mas poucos são os que encontram a felicidade em servir, em cozinhar. A graça de ir até o mercado, ou feira, e escolher os ingredientes, ir para cozinhar e seguir receitas, experimentar e criar suas próprias técnicas, aguçar o sabor e por fim montar a mesa, servir e observar as as reações das pessoas.

A comida tem essa magia, os encantos visuais, o toque, o sabor, com amor, gerar momentos de prazer. Sem pressa. O prazer de preparar as etapas, montar os pratos, é uma construção. Concordo com Rubem Alves. “O prazer de comer mesmo não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald’s. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final.” 

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Muitas reflexões podem ser tiradas de A Festa de Babette, mas para mim o que ficou mais marcado foi que a vida tem seus prazeres e que fomos dotados por Deus para espalhar alegria e boas sensações. Um artista ao pintar seu quadro, um escritor ao publicar uma história, um cantor ao provocar empatia com suas letras, um arquiteto ao construir belos prédios, e um cozinheiro preparando seus pratos. Um cozinheiro renomado que trabalha em um restaurante famoso, um pizzaiolo, a mãe, a vó, você, não importa a posição ou grau de instrução, cozinhar sempre será uma grande magia.

Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária. – Rubem Alves

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HQ Pílulas Azuis – Frederik Peeters

Frederik encantou-se por Cati à primeira vista em uma festa de ano novo. Durante um bom tempo eles se esbarraram em algumas ocasiões, mas nada além de amizade rolou entre eles. Cati acaba casando-se e tendo um filho até que um dia eles se reencontram em uma festa, por coincidência de ano novo. Cati está em processo de divórcio e finalmente eles decidem sair.

Papo, cinema, jantar, parecia que a noite ia render, até que Cati abre o jogo e diz que é soropositiva, assim como seu filho. Um mundo novo está logo à frente de Peeters, e uma escolha. Bem, ele acaba optando por ter um relacionamento com Cati apesar de todas as dúvidas e preocupações.

Escrita inicialmente em formato de diário, Pílulas Azuis transformou-se em uma HQ autobiográfica do cartunista suíço Frederik Peeters que narra a sua história de amor com uma mulher e o envolvimento com um vírus que assombra a relação do casal e coloca na mesa questões sobre gerenciamento de sentimentos como: amor, compaixão, medo e desejo. Esse livro permite ao leitor acompanhar, sem rodeios e sentimentalismo barato, o cotidiano de uma relação cingida pelo HIV e todos os ensinamentos que poderiam resultar de uma história de amor como essa. Fiquei simplesmente encantada com a coragem do autor de contar essa história! Com leveza e humor ele não deixou de lançar algumas verdades duras e surpreendentes sobre a AIDS, que infelizmente ainda é um grande tabu.

Na trilogia Matrix, a pílula azul representava a fuga para a vida ilusória. Nesta magnífica HQ […] ela é a garantia de que a realidade continua. Sempre cercada de incerteza, medo, desejo, dor, angústia, fé, compaixão e, principalmente, amor – Sidney Gusman, jornalista e editor

Lidar com as recorrentes visitas ao hospital, coquetéis de remédio, criar uma criança, as restrições sexuais, a culpa, medo de transmissão, o pavor da primeira camisinha furada, como contar sobre o HIV para família e amigos, constituir uma família, esse e outros temas são abordados nesse livro de uma maneira tão sincera que o leitor vai quebrando os preconceitos juntos com os personagens. Frederik e Cati amadurecem e aprendem juntos, e nós também aprendemos no decorrer da história. Vemos o lado de Frederik e todas as dúvidas que ele enfrenta, como também o sofrimento e culpa de Cati, ela sentia como se fosse o próprio vírus e que a qualquer minuto poderia fazer mal ao homem que amava, e também tinha o filho de Cati que tinha um futuro incerto pela frente. No meio desse turbilhão foi preciso paciência, uma boa dose de empatia, da ajuda de um médico divertido e humano (desses que sentam com o paciente para conversar), para que o casal finalmente desmistificasse a doença e aprendesse a ter uma vida normal, tanto social quanto sexual, e finalmente encontrasse o equilíbrio do relacionamento. Ambos cederam, e isso mostra que o amor não pode ser pautado apenas na comodidade ou até o ponto em que um ofereça prazer ao outro. Frederik mostra que o amor é uma escolha, um aprendizado, uma admiração que inspira respeito, ele não fala dessa fascinação ou veneração passageira, mas uma admiração que nos deixa alegres e com vontade de compartilhar tanto as coisas boas, como as ruins com outra pessoa. Ele diz que hoje, ele e Cati, já transpuseram o cabo da euforia e das dúvidas do começo do relacionamento. Eles souberam extrair o lado bom das coisas, “não que a nossa vida tenha se tornado totalmente ‘normal’, mas ela atingiu um ritmo de cruzeiro”, ele diz.

Essa HQ foi lançada em 2001 e só agora saiu no Brasil pela editora Nemo, por conta disso essa edição conta com alguns extras. Como, a entrevista que Peeters fez com a sua família após todos esse anos. Cati e o filho estão bem, ambos ainda tomam remédios e continuam a fazer acompanhamento médico, os tratamentos foram tão eficazes que o vírus sumiu do sangue de Cati! Ah, Peeters e Cati tiveram uma filha livre do vírus. Eles pegaram um esperma na camisinha do Frederik e colocaram em Cati com uma seringa. Simples né? Sim, algumas coisas muito complicadas podem tornar-se simples com o passar do tempo, com informação, e principalmente com amor. Amor, com ele até os maiores obstáculos podem virar união, compreensão e admiração.

Livro lindo, sensível, real e maduro. Deixe seu preconceito de lado e afunde numa história de amor que vai além de palavras bonitinhas e frases clichês. 
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Ficha do Livro

Título: Pílulas Azuis

Autor: Frederik Peeters

Ano da edição: 2015

Editora: Nemo

Número de páginas: 206 páginas

ISBN: 978-85-8286-159-2

*Minha nota para o livro: 5/5

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Clube da Luta – Chuck Palahniuk

Clube da Luta narra a história de um jovem relativamente bem sucedido profissionalmente, estabilizado financeiramente, mas extremamente frustrado com a vida que leva. Com problemas de insônia e sem saber como restabelecer-se esse jovem (que em nenhum momento do livro entrega sua identidade) descobre uma maneira de encontrar alívio frequentando grupos de apoio à pessoas doentes com câncer terminal, ou que perderam os testículos, etc.

Esses grupos o ajudam a dormir, mesmo ele não tendo nenhuma das doenças dos pacientes. Até que um dia em um desses encontros ele conhece Marla, uma mulher que vai despertar dois lados da sua personalidade. No meio dessas crises ele também conhece Tyler Durden, um cara que vive à margem da sociedade e das regras gerais de conduta. E depois de uma conversa os dois acabam criando, meio que na brincadeira ou no fervor do momento, o Clube da Luta, que resumidamente é um clube em que homens se reúnem para lutar uns com os outros em um porão de bar. Esse clube cresce e toma proporções inimagináveis, e agora o jovem (sem nome) vai acabar descobrindo certas coisas que estão acontecendo dentro da sua mente.

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OPINIÃO:

Vamos lá! Para quem assistiu o filme e não entendeu nada ou achou tudo aquilo uma loucura sem fim não espere que o livro vá ser diferente. O próprio Chuck Palahniuk disse que ao escrever o livro tudo não passava de um experimento, ele queria escrever uma história curta, inicialmente um conto. Sua ideia era que ao invés de fazer o personagem caminhar de uma cena para a outra como normalmente são escritas as histórias, queria encontrar um jeito mais simples de narrar os fatos. Então ele pensou em cortar, cortar e cortar. De pular de uma cena para a outra mas sem perder o leitor. De mostrar cada aspecto da trama, mas apenas o cerne de cada aspecto, que se resume em momento central e depois outro momento central, e assim por diante. Por isso que tanto no filme quanto no livro a história é toda picada. É o tempo todo ação atrás de ação, não tem aqueles momentos calmos para o leitor se ambientar. Você vai entrar no fogo cruzado logo no primeiro capítulo e aí não para mais! Mas ao mesmo tempo há um tipo de cola ou argamassa, o próprio autor usa esses termos, para ligar de uma maneira leve os fatos entre si, mas essas ligações não tiram a graça, o corte atrás de corte, que caracteriza a narrativa. É uma loucura ler isso daqui! Durante a leitura você acha que não está entendendo porcaria nenhuma e pá, tudo fica claro como em uma epifania, e logo em seguida nada mais faz sentido de novo. E de pedaços em pedaços o leitor vai construindo a história.

O Palahniuk diz que escreveu o livro para os homens. Que ele estava observando os livros publicados e percebeu que tinha muitas publicações para mulheres, histórias em que elas se reuniam em clubes para conversar sobre um tema e que aprendiam coisas com isso. Aí ele pensou em escrever sobre um clube, mas coisa para macho mesmo. Então ele usa elementos que na “teoria” é coisa para homem, tipo sangue, explosões, sacanagem, caras se atacando em porões sujos e todo o resto que os homens fazem (na opinião dele) para se sentirem mais homens. Li em uma resenha que o Clube da Luta é um grito de libertação dos homens. Não tem o grito feminista? Então, já que a sociedade está tomada pela feminilização Palahniuk decidiu escrever algo com uma dose extra de testosterona. Não sei se concordo muito com a denominação de LIVRO PARA MACHO…  Acho que não dá para levar esse fato muito ao pé da letra. Por exemplo, o Cinquenta Tons de Cinza foi escrito para o público feminino, certo? Mas já ouvi muito marmanjo confessando que leu e gostou. E tem tantos outros livros, como os Y.As escritos para mulheres mas que os meninos também leem e gostam. A questão não é se é livro para homem ou para mulher, se um livro foi escrito focando em determinado público não quer dizer que o perfil contrário também não vá gostar. Clube da Luta não tem aquele romance meloso homem bonito encontra menina comum, ou assuntos que permeiam o universo feminino. Na verdade é porrada, atrás de porrada, gírias e palavrões usados sem filtros. E sinceramente achei bem mais interessante do que algumas leituras que se “encaixam” melhor no meu perfil. Então é relativo. Se falarem para você, que é mulher, que o Clube da Luta é coisa para homem e que você não vai aguentar (o que até pode acontecer) não aceite esse fato como determinante na hora de ler ou não ler o livro. O gênero aqui não faz diferença, o que conta mesmo é tua cabeça e se você está preparada para ler algo vai te tirar da zona de conforto a ponta pés.

Como tudo que você já amou o rejeitará ou morrerá. Tudo o que você criou será jogado fora. Tudo que você tem orgulho vai virar lixo.

Filme x Livro. Livro, principalmente pelo final (que não vou contar detalhes) que preferi bem mais do que o do filme. Apesar de achar que o longa até que é bem fiel ao livro, a escolha do atores também foi muito boa. Cada um deles, era para ser, ponto.

A primeira vez que eu vi o filme curti mais pela produção e direção do longa, que são fenomenais. Aí assisti uma segunda vez e tudo vez mais sentido, e lendo o livro muito mais! É pesado? É. O Chuck Palahniuk esfrega na tua cara o pior de um ser humano. O livro gira em torno da ideia do Tyler que é preciso chegar até o fundo do fundo do poço para ganhar a redenção. E o fundo disso é uma revolta com o sistema, com as regras, com os ricos, com aqueles que os criaram, com tudo que foi construído e ensinado como o certo. No livro os personagens meio que perderam essa “vergonha moral”, o autor não teve medo de mostrar o lado obscuro, underground, da psique humana. O autor fala descaradamente daquilo de ruim que vive nas pessoas de uma maneira muito intensa. Perturbador e degradante. Não é spoiler, para quem já leu ou assistiu ao filme vai entender, a coisa da dupla personalidade do protagonista ressalta isso. Partes nossas que são desconhecidas e que podem ser despertadas sem que saibamos!

O livro é considerado uma das obras contemporâneas mais influentes e conta com uma legião de fãs convictos ao redor do mundo. O autor diz que já ouviu um pouco de tudo sobre o livro, que as pessoas dão sua própria interpretação sobre aquilo que ele escreveu. Mas no sentido amplo é um romance que começou sendo escrito como um conto numa tarde entediante no trabalho e que fala sobre assuntos desconfortáveis. Um livro escrito de forma não linear abordando temas pertubadores da mente humana e da sociedade em geral. O autor não quer ser gracinha, doce e dar lição de moral para o leitor, ele só quer falar de um bando de caras perturbados que estão cansados de bancar os normais. Acredito que foi por isso que fez tanto sucesso. Mas tomem suas próprias conclusões.

Para mim foi uma experiência diferente no âmbito literário. Não se tornou um dos meus livros favoritos, não creio que vou reler, mas com toda certeza vai ficar naquela lista de livros desconfortáveis que dão um nó na cabeça, o que é bom por um lado, mas que em compensação me deu uma ressaca literária daquelas!

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Ficha do Livro

Título: Clube da Luta

Autor: Chuck Palahniuk

Ano da edição: 221 páginas

Editora: Leya

Número de páginas: 147 páginas

ASIN: B00AC7C9LE

*Minha nota para o livro: 3,5/5

 

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A Revolução dos Bichos – George Orwell

Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos – motivados por um sonho que o velho Major teve em que os animais eram livres de todas as opressões humanas – os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário
, sob o slogan “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”. Com um novo nome, agora Granja dos Bichos, os animais criam uma sociedade com suas próprias regras e com esperanças de um futuro mais justo. Mas não demora muito para que alguns bichos – em particular os mais inteligente, os porcos – voltem a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirando no lema “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados à força. Sob a granja baixa um sistema opressivo que distancia-se dos ideais iniciais.

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OPINIÃO:

Quando foi publicado, em 1945, depois de ser rejeitado por vários editores a Revolução dos Bichos causou mal-estar no grupo de intelectuais literários e políticos da época, pois foi imediatamente percebido como uma sátira feroz da ditadura stalinista, e os soviéticos ainda eram vistos como aliados na luta contra o nazifacismo. De fato, a analogia era escancarada. Qualquer um que conheça um pouco da história da Revolução Russa perceberá as semelhanças.

A grande ambição de Orwell ao escrever o livro era denunciar o mito soviético numa história que fosse fácil de compreender por qualquer pessoa e fácil de traduzir para outras línguas. A ideia para o livro surgiu enquanto caminhava na pequena cidade onde morava e viu um menino guiando um cavalo. Ele escreveu; “Vi um menino de uns dez anos guiando por um caminho estreito um imenso cavalo de tiro que cobria de chicotadas cada vez que o animal tentava se desviar. Percebi então que, se aqueles animais adquirissem consciência de sua força, não teríamos o menor poder sobre eles, e o que os animais são explorados pelos homens de modo muito semelhante à maneira como o proletariado é explorado pelos ricos.” Orwell decidiu então fazer o uso antropomórfico de sua percepção, declarando que ia “analisar a teoria de Marx do ponto de vista dos animais”.

Uma das mais fabulosas fábulas que já li! A Revolução dos Bichos consta na minha lista de livros favoritos e já reli diversas vezes! Pequeno, de fácil leitura, porém denso em conceitos, o livro de Orwell foi pouco aprovado na época de seu lançamento, mas hoje é umas das obras mais relevantes e sagazes da literatura.

O que eu mais gosto é a maneira como Orwell utiliza a sátira para ambientar o leitor sobre questões polêmicas de um dos períodos negros da história moderna. Em suma o livro é uma história que esconde em seu interior muitas críticas aos sistemas totalitários, a manipulação, opressão e perda de identidade do povo, só que através de uma fábula o que torna a leitura, não mais leve e infantil, mas sim acessível a todos os tipos de leitores.

A minha única dica é não ficar no superficial. O legal é acompanhar a leitura com uma embasamento histórico sobre a Revolução Russa e o sistema comunista da época. Sabendo sobre a história você conseguirá cruzar os dados e entender os personagens e suas ações. Por exemplo; A figura inspirada em Marx é adotada pelos porcos mais cultos, a intelligentsia do mundo animal. O forjamento de uma aliança entre os cavalos Sansão e Quitéria, que representam o proletariado, e os elementos disparatados do campo e da classe média representados pelas ovelhas, pelas vacas, pelas galinhas e outras forças. A égua Mimosa, que representa um tipo de pequeno-burguês. Moisés que é o corvo eloquente que fala de um mundo além céu para onde os animais vão quando morrem, que acaba obtendo permissão de voltar à fazenda, assim como Stálin permitiu a reentrada de atividades da Igreja Ortodoxa Russa durante a Segunda Guerra Mundial. O final do livro – sem querer dar spoilers – que é uma referência sarcástica ao encontro de Teerã que reuniu Churchill, Roosevelt e Stálin. Muito bom! Por isso leiam, mas não só por ler. Leiam com curiosidade, leiam com vontade de entender o passado para compreender a história. O livro é pequeno, então não tem nem desculpa de ser enfadonho.

LEITURA MAIS QUE INDICA, OBRIGATÓRIA!

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Ficha do Livro

Título: A Revolução dos Bichos

Autor: George Orwell

Ano da edição: 2007

Editora: Companhia das Letras

Número de páginas: 147 páginas

ISBN: 978-85-359-0955-5

*Minha nota para o livro: 5/5

Obrigada por tudo pessoal, nos vemos na próxima!

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