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Se a gente vai juntinho, vai bem…

Quando a Eliza Victória chegou em casa ela era só um pacotinho de gente de cinco meses de idade, os olhinhos bem abertos com aquela expressão assustada tentando entender como havia caído em uma família estranha. Lembro que a primeira vez que troquei a fralda da novata prometi a mim mesma que faria de tudo para ser a melhor irmã do mundo! Eu não sei se estou conseguindo, mas só posso dizer que é muito divertido encarar o desafio de estar sempre presente na vida da pequena!

Irmã mais velha é metade mãe, aquela que dá banho, bronca quando precisa, apronta para escola, faz comida e que ajuda no dever de casa. Mas irmã mais velha também é aquela bobona que assiste desenho animado, que gosta de pregar peças, que decorou as falas do Frozen, que jura de pé junto que existe um dragão no céu e que há duendes no jardim de casa. Descobri que irmã mais velha além disso tudo também é mentora e que acaba tomando para si a incumbência de refinar o gosto musical, literário e artístico da criança. E que mesmo tendo nas mãos uma menininha de seis anos já se adiantou apresentando Bob Dylan e colocando filmes mudos, apesar de ela não gostar muito da última opção. Me derreto toda quando ouço a pirralha dizer “Eu adoro Beatles… é tão legal!” ou “Hady me leva na loja que vende livro para a gente comprar aquele de dinossauros”.

Sei lá se no futuro ela vai continuar gostando das coisas que ensinei ou se ainda iremos cantar Cazuza juntas em alto e bom som, “AMOR DA MINHA VIDA, DAQUI ATÉ A ETERNIDADE… NOSSOS DESTINOS FORAM TRAÇADOS NA MATERNIDADE!”. Mas como o futuro é um ponto de interrogação aproveito o hoje. Aproveito os melhores momentos que são aqueles em que nós ficamos deitadas juntinhas, ambas em um silêncio raro, porque nem sempre precisamos de palavras para entender que é amor. É sim, e dos mais sinceros.

Eu sei que a vida anda complicada, mas se a gente vai juntinho, vai  bem…

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After The Storm

E chegará um tempo, você verá, sem mais lágrimas
E o amor não irá quebrar seu coração, mas descartar seus medos
Suba sua colina e veja o que você encontrará
Com graça em seu coração e flores no cabelo – Mumford & Sons

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Alô Freguesia!

Feiras são lugares fascinantes. Uma diversidade de cheiros, sabores, cores e texturas que se você estiver disposto podem despertar todas as suas sensações de uma vez só, como num combo, uma explosão de sentidos. O cheiro de morangos ainda frescos, pessoas gritando e pedindo passagem, o som de caixas caindo no chão, o óleo velho fritando pastéis, o suor dos trabalhadores, o cheiro azedo de frutas podres, cigarros recém acesos, as infinitas cores que cabem em uma caixa de legumes sortidos a casca sedosa de um kiwi. Tudo é um chamado à admiração.

E você pode escolher entre torcer o nariz para toda essa sopa fervilhante e barulhenta, ou aproveitar todas essas diferenças para capturar e admirar os detalhes do cotidiano. Precisamos admirar mais o mundo, em todas as suas esferas, e nem precisamos ir tão longe para isso.

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Aqui em casa reduzimos as idas ao supermercado para frequentar a feira. Foi uma iniciativa da minha mãe e confesso que gosto muito da ideia de comprar de pequenos produtores e de ir à feira buscar o alimento ainda fresco e direto da fonte. (Já escrevi um pouco sobre sustentabilidade na hora de comprar e preparar alimentos, se quiser ler é só clicar aqui). Supermercados se tornaram monótonos comparados com a barulheira de uma feira.

Semanas atrás fui com minha mãe comprar comida, aproveitei para levar minha câmera para fotografar e compartilhar esses registros com vocês.

Logo nos primeiros cliques conheci um moleque chamado Paulo, ele pediu que eu tirasse uma foto sua. Ele era realmente lindo! Olhos azúis como o céu em dias de verão sem nuvem. Depois que cliquei ele pediu meu Facebook, um galante, e perguntou com o que eu trabalhava, se eu era jornalista do jornal da cidade. Como não tinha nada a perder dei uma leve viajada na minha resposta e disse que eu era fotógrafa e escritora, e que estava fazendo um livro sobre pessoas e lugares que eu conhecia, mas que por hora só estava colocando as fotos em um site. Ele riu e perguntou se eu colocaria a foto dele, respondi que sim. Ele pediu o endereço do VUOU e eu dei. (Paulo se você estiver lendo isso, por algum acaso, saiba que se eu pudesse publicar um livro você com toda certeza estaria nele).

Depois teve o Caique que usava uma camiseta do homem aranha, mas que na verdade gostava mesmo é do Ben 10. Te entendo Caique, os pais nem sempre acertam no presente né? Teve o casal que vendia pimentas em conserva que vieram até mim e pediram para fotografá-los, ele 10 anos mais velho do que ela, mas que ainda “dava pra um caldo”, foi assim que me disse quando mostrei seu retrato no visor da câmera. Também teve o cara das laranjas que me colocou na carroceria do caminhão para que eu pudesse tirar fotos dele perto das caixas. Teve o cara com apelido de Negão que estava morrendo de vergonha, e era só eu baixar as câmera para se soltar, danado. A senhorinha almoçando sentada numa caixa de frutas, a mulher que de tão conectada no celular nem notou que a fotografei, ela parecia uma rainha em sua montanha de batatas, lembrei daquela frase do livro Quincas Borba “Ao vencedor as batatas”. E claro, teve a minha pequena deixando tudo mais bonito!

E sabe o que mais me encantou? Foi o orgulho que eles tinham das suas produções, como estavam felizes em estar lá. A família toda, filho, filha, pai, mãe, todos eles juntos vendendo suas frutas e legumes com o maior orgulho do mundo. Me perguntavam “você viu essa caixa de morangos, olha que beleza!” ou “tomate, tô te falando o meus são os melhores, olha aqui! Eu mesmo cuido”. Tive praticamente uma aula sobre morangas anãs com uma feirante. Povo humilde que vive do suor de seu rosto e tira seu sustento da terra em que habita, provendo alimentos deliciosos para milhares de mesas.

Já em casa enquanto comia os morangos produzidos pelo padrasto do Paulo, lembrei deles e senti um baita respeito por todos.

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Fotografia

Lente 50mm

Olá pessoal! Tudo bem por aí?

Um dos assuntos mais pedidos aqui no blog é sobre fotografia, e fico muito feliz por saber que há tantas pessoas interessadas, e ainda mais porque há pessoas que se inspiram nas minhas fotografias! Obrigada pelo carinho 🙂

Como fotografia é um universo bem vasto vou tentar falar um pouco sobre tudo, inspiração, edição, equipamento, etc. Mas como tenho que começar por um assunto optei por comentar sobre uma das lentes mais queridinhas dos fotógrafos, a 50mm. Se você está pensando em investir em equipamento então coloque a 50mm na lista. Confie em mim.

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A 50mm é uma lente fixa, isso significa que ela não faz zoom. Então você vai ter que se movimentar um pouco mais para fazer as fotos, o que não funciona muito bem em alguns casos, mas na maioria das vezes dá certo, basta você não ter preguiça de se movimentar para pegar o melhor ângulo. Ela também é ótima para fotografar em ambientes com pouca luminosidade e também favorece no controle sobre a profundidade de campo. Muitos leitores perguntam sobre o desfoque das minhas imagens, que acham lindo e que veem muitas fotos de blogueiras com o mesmo estilo de desfoque, bem… agora vocês já sabem o segredinho. Como a Nicole disse nesse post sobre Luz na fotografia (indico muito a leitura desse artigo), “As lentes fixas além de terem uma qualidade ótica maior, costumam ter os menores valores de abertura. Influenciando positivamente na qualidade da foto, na entrada de luz, e na profundidade de campo.” O que dá aquele desfoque lindo.

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Gosto muito da 50mm para fotografar retratos e detalhes de objetos. A maioria das fotos que produzo aqui no blog são feitas com ela. A 50mm é curinga e acredito que todos que possuem uma concordam que a vida fica bem linda por de trás de uma cinquentinha.

Como já disse no começo do post, se vocês estão pensando em profissionalizar o blog, ou quem sabe ingressar na fotografia, assim que tiverem a oportunidade comprem uma 50mm. Elas são compactas, leves, com uma abertura excelente, fazem bokehs lindos e o melhor, o preço não é tão salgado como muitas lentes por aí.

Essas são algumas fotos que fiz com a lente 50mm para mostrar para vocês:

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Nós vemos na próxima! Ah… e continuem a mandar perguntas e sugestões.

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Grande Chacris

Todo mundo o conhece como Chacrinha, tem 58 anos, é divorciado e mora em uma escola abandonada faz vinte anos. A primeira vez que passei pela casa dele foi por acaso, eu estava pedalando e parei quando vi aquele lugar exótico lotado de tralhas, ele não estava em casa. Decidi voltar, mas dessa vez levei minha câmera.

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“Ô de casa!” gritei em frente ao portão com cata-ventos pendurados. “Já vai” uma voz arrastada respondeu de dentro de uma pilha de sacos com garrafas plásticas.

Foi então que vi o rosto do morador da tal “casa” que tanto me instigava. Um senhor com barba longa, óculos sujos, chinelos nos pés e um cachimbo de fumo na boca. Ele cheirava a pinga, na verdade ele era a própria pinga, ficava em pé por um milagre. Perguntei se podia entrar, ele disse que sim, saquei minha câmera e comecei a fotografar tudo que podia. Perguntei qual era seu nome, me respondeu com aquela voz bêbada “Sou o Chacrisss, Chacrinha”.

Dentro da escola ele me mostrou seu quarto o qual chamava de “meu ninho”, a cozinha improvisada, a sala lotada de tralhas que da antiga escola só guardava a lousa já gasta. Na tal casa não tem água, não tem luz e ele usa o mato como banheiro. Ele disse “óia, puta que pariu, aqui é uma bagunça! Mas eu sou assim, sou muito ocupado para limpar.” Perguntei o que o ocupava tanto. “Nada, eu não faço nada, isso me ocupa muito”. Dei risada.

Chacrinha perdeu uma filha faz pouco tempo, ela estava grávida e teve uma febre que a matou, junto com o bebê. Chacrinha não tem mais esposa. Seus filhos pouco visitam o pai. Chacrinha criou um universo particular para sobreviver a tudo isso. Uma escola abandonada, uma porção de tralhas que ele recolhe nas ruas, flores de plástico em garrafas, bonecas velhas em prateleiras empoeiradas, a bebida, o cachimbo com o fumo. Muitos o chamam de maluco. Pode até ser. Mas cada um lida como pode com essa loucura que é estar vivo. E quem somos nós para julgar a maluquice alheia, não é mesmo?

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