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Aprendendo a viver. Feliz ano novo!

Não te faço promessas, não te peço nada. Minhas resoluções estão muito bem guardadas, é segredo, o mistério que faz os dias mais interessantes. Não tenho medo de ver a idade em mim, de cair, muito menos de tentar. Estou sujeita ao risco pelo qual tenho minha salvação, sem o qual a vida não vale a pena! Então que venha o inevitável! Já não tenho mais medo dessa coisa chamada vida. Me mostre o caminho, ou me leve ao fim dele. 2015… Venha surpreender-me!

Costumava fazer um apanhado no final do ano e escrever resoluções em meu antigo blog, agradecer pelo o que havia passado, relembrar o que havia aprendido e finalmente me motivar a fazer algo de bom no ano que ia iniciar. Mas não dessa vez.

Claro que tenho muito à agradecer, talvez mais do que imagine! Foi um bom ano, 2014 tratou de me ensinar da maneira certa, e algumas coisas cravou tão fundo em meu coração que ando até com medo de proclamar. Diriam que sou louca, quem sabe… Então deixo como está, no silêncio e no lugar mais secreto que posso achar, dentro de mim mesma. Há coisas que só são boas e significantes de maneira individual. Cada qual consigo mesmo.

Mas não podia deixar de publicar algo em relação ao Ano Novo, e ontem tive a sorte de ler uma antiga publicação de Clarice Lispector a um jornal da época. Um texto de Ano Novo em que ela cita Thoreau algumas (várias) vezes. Fiquei muito feliz ao ler umas das minhas escritoras favoritas citando um dos meus filósofos favoritos.

Decidi transcrever a crônica aqui no blog. Ela traduz exatamente o que sinto, uma coisa realmente espantosa essa tal empatia que alguns escritores me provocam.

Eis o texto…

Aprendendo a Viver (Clarice Lispector)

Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.
Thoreau, por exemplo, desolava-se vendo seus vizinhos só pouparem e economizarem para um futuro longínquo. Que se pensasse um pouco no futuro, estava certo. Mas “melhore o momento presente”, exclamava. E acrescentava: “Estamos vivos agora.” E comentava com desgosto: “Eles ficam juntando tesouros que as traças e a ferrugem irão roer e os ladrões roubar.”
A mensagem é clara: não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe.

Cada um de nós, aliás, fazendo um exame de consciência, lembra-se pelo menos de vários agoras que foram perdidos e que não voltarão mais. Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.
Ele queria que fizéssemos agora o que queremos fazer. A vida inteira Thoreau pregou e praticou a necessidade de fazer agora o que é mais importante para cada um de nós.
Por exemplo: para os jovens que queriam tornar-se escritores mas que contemporizavam — ou esperando uma inspiração ou se dizendo que não tinham tempo por causa de estudos ou trabalhos — ele mandava ir agora para o quarto e começar a escrever.
Impacientava-se também com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. “É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber.”
E dizia esta coisa forte que nos enche de coragem: “Por que não deixamos penetrar a torrente, abrimos os portões e pomos em movimento toda a nossa engrenagem?” Só em pensar em seguir o seu conselho, sinto uma corrente de vitalidade percorrer-me o sangue. Agora, meus amigos, está sendo neste próprio instante.

Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: “A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos.” É verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois “o que um homem pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino”.

E, por mais inesperado que isso seja, ele dizia: tenha pena de si mesmo. Isso quando se levava uma vida de desespero passivo. Ele então aconselhava um pouco menos de dureza para com eles próprios. O medo faz, segundo ele, ter-se uma covardia desnecessária. Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio. “Creio”, escreveu, “que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força.” E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas — e quem de nós não faz isso? —, como eu ia dizendo, ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!

E um dia desses, abrindo um jornal e lendo um artigo de um nome de homem que infelizmente esqueci, deparei com citações de Bernanos que na verdade vêm complementar Thoreau, mesmo que aquele jamais tenha lido este.

Em determinado ponto do artigo (só recortei esse trecho) o autor fala que a marca de Bernanos estava na veemência com que nunca cessou de denunciar a impostura do “mundo livre”. Além disso, procurava a salvação pelo risco – sem o qual a vida para ele não valia a pena – “e não pelo acolhimento senil, que não é só dos velhos, é de todos os que defendem as suas posições, inclusive ideológicas, inclusive religiosas” (o grifo é meu).

Para Bernanos, dizia o artigo, o maior pecado sobre a terra era a avareza, sob todas as formas. “A avareza e o tédio danam o mundo.” ” Dois ramos, enfim, de egoísmo”, acrescenta o autor do artigo.

Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!

Feliz Ano Novo!

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Berçário

A antiga casinha de bonecas virou galinheiro e a Eliza é a segunda mamãe de um bando de pintinhos.

Hadassah Sorvillo

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Todas as coisas boas são selvagens e livres

Hoje enquanto trabalhava no computador fiquei olhando a Eliza brincar com os cachorros. Ela corria, fingia latir rolava pelo chão de grama recém cortada, enquanto motivava os outros a entrar na brincadeira. Uma verdadeira selvagem. A Eliza é um serzinho único. Cheia de vitalidade e imaginação.

E ela me ensinou muitas coisas, desde aquela parte de ser irmã mais velha e ter que aprender a ser responsável, a trocar fraldas e fazer mamadeiras. Ela também me ensinou a aproveitar as fases da vida com intensidade, de maneira livre e até a última gota. E talvez essa seja uma das parte que eu mais gosto nesse processo todo, aprender com a pirralha.

Alguns dizem que é preciso crescer e parar de ser criança. Concordo que as coisas mudam, com elas as perspectivas de vida e todo resto também. Não reclamo, sei que é preciso amadurecer. O ciclo da vida é irremediável e inevitável. Mas quem disse que não dá para guardar algo de infantil dentro de nós? Por quê não encarar o cotidiano com a mesma paixão de uma criança? Olhando a Eliza daqui eu só queria ter a mesma força e animação para encarar meus dias pela frente, como ela encara suas brincadeiras. VUOU blog ELiza 2

Sei que tenho muito que aprender e talvez minhas ideias mudem lá na frente. Tudo bem, estou sujeita aos meus erros e aceito. Mas uma coisa que ando tentando fazer ultimamente é “desamadurecer”. É meio controverso, mas acredite, parece funcionar. Sei que preciso amadurecer em alguns pontos, como trabalhar, abrir minha empresa, pagar contas, INSS, e tal. Essas coisas que eu não fazia até uns dias atrás e agora preciso fazer. Agora sou uma mulher, e querendo ou não, tenho responsabilidades de uma adulta. Ao passo que também estou tentando reaver meus espírito infantil em outros aspectos. Como ser mais curiosa, querer aprender mais, experimentar novas sensações e viver os meus dias com mais intensidade.

Creio que a vida é assim, um processo de aprendizado, onde deve se guardar o melhor de cada fase. Quando eu for mais velha, vou ter que aprender a guardar o meu espírito jovem também, e assim por diante. Acredito que nunca podemos esquecer o que já fomos, aprender com o que passamos e reavermos as melhores sensações do passado.

Bem, é isso que eu estava pensando, só quis compartilhar.

Enquanto isso fico aqui, observando o sol cair, vendo ao longe a Eliza brincar com o Lucky e com o Salvatore e pensando que mesmo que eu mude lá na frente (o que provavelmente vai acontecer) sempre concordarei com Thoreau:

“Todas as coisas boas são selvagens e livres”.

VUOU blog Eliza 3

 

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A aventura está só começando

Pois é pessoal, acabou. Dá para acreditar? Nem parece que a 4 anos atrás que chegamos ao UNASP para tentar a sorte, e agora, vejam só! Estamos saindo com a sensação de dever cumprindo, enfim publicitários!

Estava aqui pensando e confesso que sentirei saudades. Meu pai sempre me disse, “Hady, você vai sentir falta”. Obviamente que eu negava. Mas agora confesso. É, vocês vão fazer falta sim.

Sentirei saudades dos gêmeos e seus raps geniais, da Susie bancando a cdf em todas as aulas, da Priscille papando todos os prêmios de a melhor aluna da sala. Nossa… da Carol fazendo a melhor cara da Chloe, do Davidson e todo seu poder de resolver qualquer assunto relacionado ao som. Vou sentir falta da Shirley e suas pérolas (eu sei que você chama Sheila, Shirley hahahahaha). De cada membro do meu grupo de TCC, um mais doido que o outro! Ah, sentirei falta das brincadeiras, dos momentos tensos que passamos, das broncas que levamos, dos filmes no horário de PREX e até dos dias temáticos.

Pessoal, talvez não nos vejamos mais. Cada um vai para um lado e isso é o normal da vida. Ao mesmo tempo que bate uma dorzinha, por conta da despedida, eu estou feliz porque finalmente concluímos mais essa etapa! E mesmo com uma porção de dificuldades estamos chegando ao fim disso tudo com aquele sentimento bom de dever cumprindo! Tenho orgulho de vocês. E fico feliz por ter feito parte dessa classe.

A vida é boa sim, porque apesar dos problemas nós podemos seguir em frente, que para cada queda sempre tem a chance de levantar-se. A vida é boa porque a cada que burrada nós temos a chance de aprender com os erros e mudar a nós mesmos. A vida é boa porque temos sonhos a perseguir e descobertas a viver. A vida é boa porque ela é a nossa única chance de fazer algo de extraordinário.

Só espero que nós sempre cultivemos esse espírito criativo que aprendemos a desenvolver durante esses 4 anos. Que possamos ver o mundo com outros olhos e a cada dia usar nossa imaginação para torna-lo em um lugar melhor.

Porque passe o que passar o que realmente importa é como somos e como transmitimos isso aos outros. Eu desejo do fundo do coração que vocês sejam profissionais de sucesso. Não só espero que se deem bem financeiramente, que tenham fama e tal, mas principalmente que vocês vivam a vida sem mediocridade. Agarrem-se à um ideal, à uma ideia, corram atrás de seus sonhos. Não deixem que ninguém tire de vocês a coragem de enfrentar e encarar o caminho. Porque tudo passa, nós passamos, e o que fica para trás são as histórias e as mudanças que provocamos. Esse é o verdadeiro sucesso, de chegar ao final de uma fase, ou da vida, e poder partir em paz deixando um legado de amor para trás.

“Se quer viver uma vida feliz, amarre-se a uma meta, não às pessoas nem às coisas” – Albert Einstein

Agora que vamos enfrentar o “mundo real” gostaria de desejar boa sorte para todos. Que Deus nos abençoe e espero que nossos caminhos se cruzem um dia. Ficarei muito feliz com a felicidade de cada um. Obrigada por terem feito parte da minha vida.

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A Vida Acontece do Lado de Fora

“As coisas belas não clamam por atenção” – Filme A Vida Secreta Walter Mitty 

A natureza sempre me fascinou. Fui criada em uma cidade do interior de São Paulo, estudei em casa até os meus 16 anos, então já podem imaginar. Boa parte da minha vida foi em meio à animais, banhos de cachoeira e longas caminhadas pela mata.

VUOU blog 3

Olhando agora eu não poderia ter escolhido destino melhor.Semana passada tive a chance de compartilhar um pouco disso tudo com três amigos meus, a Pâm, a Zitia e o Rodi. Eles foram passar um final de semana lá em casa e em meio à conversas, caminhadas e fotografias ficou nítido que a vida simples é uma delícia. Sabe aquela coisa de sentar perto do fogão, bater papo com um prato de comida na mão? Ou ainda a alegria de sentir a chuva chegando, fazer carinho em um cachorro e dormir à luz de velas? Então. Tudo isso é muito bom! E eles não me deixam enganar.

Alguns podem achar perda de tempo, outros um tédio. Mas eu gosto de ver os dias passando na calma do campo. Não me imagino muito tempo fora daqui. Foi por essas e outras que decidi me alojar numa cabana e começar a vida a partir daqui. Mas essa uma história para outro post, aguardem.

Voltando, onde eu estava mesmo? Ah, sim!

Fiquei muito feliz em poder compartilhar meu cafofo com meus amigos. Como já ouvi uma vez, “a felicidade só é real quando compartilhada”, e essa é a mais pura verdade. Não dá para ser feliz sozinho. Deus coloca pessoas em nossas vidas, no momento certo, para que possamos aprender coisas novas, para que possamos crescer.

A melhor coisa do mundo é poder compartilhar algo que nos é especial com pessoas que saibam apreciar.

Apesar da canseira pós TCC eu fiquei muito feliz em receber vocês!VUOU post 2

A Pâm (que super manja dos assuntos de captar imagens) aproveitou para fazer um vídeo do nosso final de semana. Ficou lindo! Espero que gostem e sintam todo o amor e paz que sentimos.

Eis o primeiro post do blog, depois de meses pensando em como começar o VUOU decidi que esse post não seria de apresentação ou uma explicação do conceito dessa nova empreitada. Decidi começar assim. Com boas recordações de um final de semana memorável. Estou muito grata por tudo.

PS: Quem quiser saber um pouco mais sobre o VUOU pode clicar aqui e ir para a página de perfil.

Fotos por Rodolfo Sanches / Vídeo por Pamella Regina

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