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Diário Fotografia

Alô Freguesia!

Feiras são lugares fascinantes. Uma diversidade de cheiros, sabores, cores e texturas que se você estiver disposto podem despertar todas as suas sensações de uma vez só, como num combo, uma explosão de sentidos. O cheiro de morangos ainda frescos, pessoas gritando e pedindo passagem, o som de caixas caindo no chão, o óleo velho fritando pastéis, o suor dos trabalhadores, o cheiro azedo de frutas podres, cigarros recém acesos, as infinitas cores que cabem em uma caixa de legumes sortidos a casca sedosa de um kiwi. Tudo é um chamado à admiração.

E você pode escolher entre torcer o nariz para toda essa sopa fervilhante e barulhenta, ou aproveitar todas essas diferenças para capturar e admirar os detalhes do cotidiano. Precisamos admirar mais o mundo, em todas as suas esferas, e nem precisamos ir tão longe para isso.

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Aqui em casa reduzimos as idas ao supermercado para frequentar a feira. Foi uma iniciativa da minha mãe e confesso que gosto muito da ideia de comprar de pequenos produtores e de ir à feira buscar o alimento ainda fresco e direto da fonte. (Já escrevi um pouco sobre sustentabilidade na hora de comprar e preparar alimentos, se quiser ler é só clicar aqui). Supermercados se tornaram monótonos comparados com a barulheira de uma feira.

Semanas atrás fui com minha mãe comprar comida, aproveitei para levar minha câmera para fotografar e compartilhar esses registros com vocês.

Logo nos primeiros cliques conheci um moleque chamado Paulo, ele pediu que eu tirasse uma foto sua. Ele era realmente lindo! Olhos azúis como o céu em dias de verão sem nuvem. Depois que cliquei ele pediu meu Facebook, um galante, e perguntou com o que eu trabalhava, se eu era jornalista do jornal da cidade. Como não tinha nada a perder dei uma leve viajada na minha resposta e disse que eu era fotógrafa e escritora, e que estava fazendo um livro sobre pessoas e lugares que eu conhecia, mas que por hora só estava colocando as fotos em um site. Ele riu e perguntou se eu colocaria a foto dele, respondi que sim. Ele pediu o endereço do VUOU e eu dei. (Paulo se você estiver lendo isso, por algum acaso, saiba que se eu pudesse publicar um livro você com toda certeza estaria nele).

Depois teve o Caique que usava uma camiseta do homem aranha, mas que na verdade gostava mesmo é do Ben 10. Te entendo Caique, os pais nem sempre acertam no presente né? Teve o casal que vendia pimentas em conserva que vieram até mim e pediram para fotografá-los, ele 10 anos mais velho do que ela, mas que ainda “dava pra um caldo”, foi assim que me disse quando mostrei seu retrato no visor da câmera. Também teve o cara das laranjas que me colocou na carroceria do caminhão para que eu pudesse tirar fotos dele perto das caixas. Teve o cara com apelido de Negão que estava morrendo de vergonha, e era só eu baixar as câmera para se soltar, danado. A senhorinha almoçando sentada numa caixa de frutas, a mulher que de tão conectada no celular nem notou que a fotografei, ela parecia uma rainha em sua montanha de batatas, lembrei daquela frase do livro Quincas Borba “Ao vencedor as batatas”. E claro, teve a minha pequena deixando tudo mais bonito!

E sabe o que mais me encantou? Foi o orgulho que eles tinham das suas produções, como estavam felizes em estar lá. A família toda, filho, filha, pai, mãe, todos eles juntos vendendo suas frutas e legumes com o maior orgulho do mundo. Me perguntavam “você viu essa caixa de morangos, olha que beleza!” ou “tomate, tô te falando o meus são os melhores, olha aqui! Eu mesmo cuido”. Tive praticamente uma aula sobre morangas anãs com uma feirante. Povo humilde que vive do suor de seu rosto e tira seu sustento da terra em que habita, provendo alimentos deliciosos para milhares de mesas.

Já em casa enquanto comia os morangos produzidos pelo padrasto do Paulo, lembrei deles e senti um baita respeito por todos.

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Diário

Desse lado

Domingo é pré ressaca. Só que o meu tipo de ressaca é bem diferente do que muitas pessoas podem imaginar, nada a ver com ressacas das baladas… lembra mais o mar que se encolhe todinho numa mansidão e depois chega arrastando tudo pela frente, transbordando, puxando o que fica na praia no vai e vem. Domingo é dia de aproveitar o que faz bem para a alma (isso quando se é permitido).

O meu tipo de alimento são os livros, pinturas e fotografia. Segunda é dia de invadir a praia, correr atrás do que quer, mesmo sem muitas certezas. Semana chega e se você não transbordar o que fará? É preciso viver com paixão, é preciso ser mar.

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Hadassah Sorvillo
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O último dia do horário de verão

Hoje foi o último dia do horário de verão. Não sei porque, mas eu gosto desse horário. Talvez seja nostalgia, lembro que quando criança eu podia ficar mais tempo no quintal por conta do sol que ainda estava alto depois das seis da tarde. Ainda consigo ver as chuvas torrenciais e os sirilampos que saiam de suas tocas voando para todos os lados enquanto eu caçava-os aos montes. Era tão bom!

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Aproveitei que hoje era sábado para dizer adeus ao horário de verão aproveitando o final do dia no meio do mato, colhendo fungos, caminhando com o Lucky e fotografando. Fiquei pensando naquilo tudo que eu via, como cada ser vivo cumpria seu papel na natureza, vivendo um dia de cada vez, apenas confiando e fazendo o que lhe era devido. Pássaros montando ninhos, cuidando de seus negócios na sua curta vida, os insetos e flores selvagens, tão efêmeros e belos, o pasto que crescia forte mas que logo seria comida para o gado, e eu ali deitada na sombra de uma árvore. Não no centro, mas parte de tudo aquilo, o centro era Deus que sustentava toda a natureza e a mim também.

O sol começou a descer escondendo-se entre as nuvens e mais um dia passava, mais uma fase terminava eu me encontrava hipnotizada por tudo aquela riqueza de detalhes, sons, cores e formas. Um mundo secreto que só posso ver quando paro e esqueço de mim e das preocupações que carrego. Sou parte da natureza, me sinto um bicho do mato que só consegue ser feliz longe da agitação e que contenta-se com o silêncio. Não sei explicar muito bem, só sei que é assim, estou bem, confiando e vivendo.

Carpe Diem, suguemos o tutano da vida.

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O Tique-Taque das Horas

Não sou a única a ter altos e baixos, a ter incertezas, a ser feliz num dia e triste no outro. Não me sinto especial, e ando treinando não ter pena de mim mesma. Minha irmã me disse um dia em tom de desaprovação; “Hady às vezes você me parece muito relaxada” por causa que eu tinha aconselhado ela a diminuir um pouco o ritmo e fazer uma coisa por vez. Tento ver o que tem de ruim nisso. Claro que corro atrás dos meus sonhos, quero conquistar minha independência financeira, cuidar dos projetos que criei por mim mesma.

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Mas esse é o caminho que estou trilhando a duros questionamentos internos. Pois a cada dia que passa morro um pouco mais ou ganho um pouco mais de vida, depende de que maneira vejo o copo. Além disso estou vendo tanta inutilidade em tantas coisas. Como diria Salomão “correr atrás de vento”. Minha mãe diz que amadureci, não sei se ela está certa, quem sabe um pouco.

As manhãs entram pela minha janela todos os dias dando um choque de realidade “ei acorda! Você ainda está aqui!” Sim ainda estou, só não sei quanto ainda me resta. Rubens Alves escreveu que o tempo é como um relógio sem ponteiros, você só pode ouvir o tique-taque. Um dia ele vai parar, mas você nunca saberá quando. Ontem deitada no sofá junto com a Elissa na sala da casa dos meus pais coloquei um disco para tocar na vitrola. Ela me perguntou “Que carinha é essa Hady?”, perdida em alguns pensamentos respondi “Tô pensando aqui, que se não fosse por Jesus a vida não estaria valendo à pena”. Caímos na risada. A política, a situação do nosso país, a perspectiva incerta em relação ao futuro nos deixou para baixo a ponto de conversamos sobre métodos de suicídio e de pessoas que deram um fim mais definitivo a todas essas aflições cotidianas. Foi uma conversa de poucos minutos, pois quando se fala da morte quando se tem vida e ainda um pouco de esperança fica pesado e desconfortável. Um arrepio passa pela espinha e você pensa, “não, eu ainda quero ver onde tudo isso vai dar”. Acabamos por concordar, é só por Ele mesmo. E nos agarramos à esperança que é algo tão subjetivo, mas tão reconfortante.

Perco minha horas ou as ganho, novamente não sei a que perspectiva olhar, perdida em devaneios. As madrugadas chegam e na solidão do meu cafofo leio poesias e o livro sagrado, que é pra ver se entendo a vida além da funcionalidade. A vida é boa. Sim… é boa quando não se pede muito. Quando não se cobra além do necessário. A vida só pode ser vivida um dia de cada vez.

Comprei uma blusa em um brechó e fui mostrar a barganha para o meu pai. Ele elogiou a escolha e disse que eu poderia usar quando saísse. “Mas eu quase nunca saio pai”, falei enquanto abotoava o último botão. Ele calmamente disse; “filha há tempo pra tudo”. Está certo pai, há tempo para todo propósito na terra. Não quero apressar-me. Permaneço assim até que os ventos me tragam uma boa nova ou me silencie de uma vez por todas. Entre um trabalho e outro, rego minhas plantas e com a mesma calma que elas levam a vida, tento sossegar-me e confiar nEle.

“Ama a simplicidade
Ama a vida
Ama a beleza
Ama a Poesia
Ama as coisas que dão alegria
Ama a natureza e a reverência pela vida
Ama os mistérios
Ama Deus”.  – Rubem Alves

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