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Meses atrás desabafei aqui no VUOU que eu tinha cansado. Cansado de publicar fotos, fazer vídeos, escrever. Principalmente escrever. Algo que me deixou triste, porque eu amo escrever. Deixar de escrever é como tirar um pedaço do meu corpo, é como fingir algo que eu não sou. Mas na real eu estava sem desejo. Pensei em desistir do blog.

Porém, antes de tomar essa decisão com cabeça quente, decidi fazer uma pesquisa para saber a opinião dos leitores. Fiz a pesquisa e deixei-a aberta para quem quisesse dar sugestões. Para a minha surpresa recebi uma boa quantidade de respostas que me fizeram relembrar a Hadassah de 9 anos atrás. A Hadassah tímida, com inseguranças (ainda mais inseguranças), que precisava extravasar suas ideias de alguma maneira e que decidiu montar um blog chamado Utopia. Do Utopia para o Senhorita Inconstante, onde tomei gosto real pela coisa, e agora o VUOU, nove anos se passaram. Mudei tanto que tenho certeza que se eu revisasse minhas antigas postagens sentiria uma ponta de vergonha pelo o que escrevi e fotografei, mas por outro lado acredito que preciso ter paciência comigo mesma. Aceitar minhas fases, todas elas, com a calma de saber que estou em constante mutação. Que errei, mas também acertei, e vou continuar errando enquanto tento acertar. E está tudo bem.

O cafezinho nosso de cada dia

O cafezinho nosso de cada dia, que no meu caso não vem da Starbucks, apesar do copo.

Tanta coisa mudou no universo dos blogs. Nossos diários online se tornaram rentáveis, máquinas de fazer celebridades, evoluíram ganhando outras redes sociais e formatos. E hoje em dia ser uma web celebridade virou meta de vida de muitas pessoas. Sem falar nos youtubers. Sem problemas com isso, sei que o mundo evoluí, tendências surgem e novas gerações despontam. Mas sinto falta dos blogueiros old school. Daquelas pessoas que criam conteúdos só por diversão, necessidade ou seja lá qual for a motivação, menos trabalho. E olha que eu trabalho com isso! Eu crio conteúdos para me sustentar, e talvez seja exatamente por esse motivo que eu cansei de postar aqui no VUOU. Saturou, sabe? Todas aquelas fórmulas e maneiras certas e erradas de fazer um blog.

Ao ler as mensagens que os leitores deixaram na pesquisa eu percebi que no decorrer desses anos fui esquecendo aos poucos a principal razão de eu ter entrado no universo de blogs, e com isso aos poucos perdendo minha essência. Não quero voltar a ser a mesma pessoas de nove anos atrás. Errando com os meus antigos blogs aprendi que preciso me preservar, não me expor além do necessário na internet, que preciso aprender a lidar com as opiniões alheias com mais serenidade e que a vida não é tão dramática quanto eu desenhava. Hoje o VUOU é um pouco dessa minha cautela, calma e busca pela simplicidade, mas sinto que preciso resgatar um pouco da Hadassah do passado. Não a Hadassah inexperiente, cheia de verdades, dramática e até um pouco fútil. Mas aquela Hadassah que estava apenas querendo se divertir com o seu diário virtual. Preciso encarar o VUOU como meu espaço para fugir um pouco da realidade maçante, um espaço para me expressar através dos meus textos e fotos, um espaço para compartilhar meus gostos e ideias, um local para organizar um pedaço da minha vida como eu quero, com as minhas regras. Preciso parar de pensar em tornar esse blog em algo somente interessante para os outros, com regras dos outros e no formato dos outros!

Li em algum lugar que o pior erro que podemos cometer é tentar agradar todo mundo.

Por exemplo, esse desabafo. Quem vai ler? Quem tem interesse de ler esse texto na correria do dia a dia? Não sei. Talvez ninguém. E quer saber? F*d*-se! Vou publicar, porque me deu vontade! Esse blog é meu, e se não agradar alguém, blz! Há milhões de outros blogs por aí para serem visitados e venerados. Hoje, para mim, se tem alguém que precisa amar o VUOU primeiro, esse alguém precisa ser eu.

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Gosto de entrar em livrarias mesmo sem a intenção de comprar. Só para admirar as edições caprichadas e as prateleiras abarrotadas. Gosto de pegar livros aleatórios, abri-los e sentir o cheiro das páginas.

Claro que as opiniões de vocês, meus caros leitores, também são importantes e eu levo isso em consideração. Tanto que sempre estou perguntando o que vocês acham dos conteúdos e se gostariam de dar sugestões. Mas hoje me caiu a ficha que preciso parar de analisar o VUOU através da quantidade de acessos nas publicações, a quantidade de visitantes únicos e dos likes. Não sou blogueira. Por acaso tenho um blog, por acaso escrevo na internet, mas aviso que é por gosto, por terapia. Isso daqui é prazer!

Muitos dos conteúdos vão continuar iguais, até porque gosto de fazê-los, mas em contra partida vou experimentar e me divertir mais por aqui! Vou deixar as regras, planilhas e metas para o trabalho. Preciso exigir menos de mim mesma.

O VUOU não está aqui para ser perfeito, super relevante ou bem produzido. Ele está mais para um meio de auto expressão de uma jovem de 25 anos ridiculamente normal, não tão esperta quanto gostaria, repleta de dúvidas, inseguranças, sonhos engavetados, horas extras no trabalho, doses altas de café, manias chatas, começo de rabugentice, olheiras profundas, risadas inesperadas, suspiros incontroláveis, batidas do dedão do pé em quinas de armários, rejeições doloridas, conquistas deliciosas, surtos de coragem, medos permanentes, filosofias rasas após algumas taças de vinho, clichês constrangedores e tudo mais que vem no pacote. Não sou tudo aquilo que eu espero de mim mesma. E muito provavelmente eu não seja tudo aquilo que vocês pensam. Lidemos com isso.

Aceito-me, ou pelo menos insisto em tentar.

Com amor,

Hady