Diário, Textos

As pernas magrelas

9 de novembro de 2018

Sempre fui magrela, das pernas tortas e das costas curvadas. Sempre ouvi, “precisa engordar um pouquinho mais ou ajeita essas costas aí.” Muitas vezes me olhei no espelho e chorei. Não sabia o que vestir ou como parecer harmoniosa como as demais meninas. Não gostava desse corpo em que Deus encaixou a minha alma.

Meu cabelo da chapinha, secador e tratamentos já passou, mas ele sempre volta mais livre e indomável. Minhas olheiras eternas que me dão aquele aspecto cansado constante, por mais que eu tenha dormido. E todos os outros defeitos que eu poderia contar para vocês, mas acho que já tá bom né?

Por muito tempo não gostei da estranha que me olhava de volta no espelho. Já me escondi em maquiagens e roupas. Mas que besteira, alí não me achei!

Preciso ser sincera, eu não tenho uma grande história de superação, só sei que aos poucos eu percebi que essas pernas magrelas me levam para onde eu quiser. Que essas costas aguentam mochilas carregadas de histórias, que esses olhos mesmo com olheiras leram e viram coisas lindas. Que esse cabelo armado e indomável me lembra todos os dias que eu não posso controlar tudo nessa vida e que deve haver algo de livre dentro de mim também.

Eu não me olho todos os dias e me sinto bonita, não mesmo! Muitos dias me sinto acabada hahaha. Mas mesmo assim eu me olho todos os dias e vejo o quanto posso fazer com esse corpo. Esse corpo que é só uma casquinha da minha alma, e que essa sim vale muito mais! E eu sou muito grata pelo o meu corpo, por ele me possibilitar ver, tocar, provar, correr, nadar, escalar, pedalar, dançar, gritar, chorar, gargalhar… esse corpo magrelo que é meu lar, um templo. Um espaço imperfeito, mas que estou aprendendo a amar e respeitar. E não é aí que talvez more a beleza, na imperfeição tão única de cada pessoa?

Olhares treinados conseguem ver além dessa névoa que é a aparência. Tento me lembrar que a beleza está mais nos olhos de quem vê, do que na outra pessoa que é admirada. Por isso, eu sempre peço para ter olhos bonitos, não por fora, mas sim por dentro. Para ver do jeito certo, sabe? Com aquele tempero mágico e embelezador, o tal do amor. Amor por mim, amor pelo meu próximo.

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