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Quando eu tinha 12 anos li pela primeira vez O Diário de Anne Frank. Na época eu estudava em casa e meu círculo social era bem reduzido, se formos comparar com as demais crianças da minha idade que frequentavam a escola “normal”, o que não me incomodava em absolutamente nada. Para mim era extremamente normal viver em um mundo à parte, em uma chácara com meus pais, irmãos, cachorros, papagaio, mini vaca, pônei, lagartos, galinhas, tartarugas, tucano, macaco, etc. Sim, já tive muitos animais! Era divertido ser diferente e aproveitar os benefícios de uma vida mais livre, longe de uma sala de aula. Era eu, uma casinha no campo, minha família, meus animais e meus livros. Fui muito feliz vivendo assim.

Hoje, mais madura e um pouco mais vivida, reconheço que aos doze anos minha visão de mundo era bem diferente das demais crianças da minha idade. E os livros que eu lia foram muitos responsáveis por isso. Foi nas páginas gastas de muitos livros que encontrei minhas amizades mais duradouras. Não achem estranho. Há pessoas que se sentem mais confortáveis vivendo outras histórias, em outros universos. Muitos personagens tornaram-se meus amigos e conselheiros.

Uma das minhas melhores amigas dessa época foi Anne Frank. Quando li os primeiros capítulos do seu diário senti uma atração instantânea pela personalidade da menina. Eu sentia com se a conhecesse de longa data, nossas opiniões combinavam apesar de ela ter vivido muitos anos antes de mim, numa época diferente e num cenário mundial bem mais crítico.

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Com Anne aprendi que escrever é a melhor maneira de entender seus próprios sentimentos e desabafar. Aprendi que você nem sempre vai ser a pessoa mais agradável aos olhos dos outros, mas que é preciso manter-se firme aos seus ideais apesar das opiniões alheias. Que a vida é dura, e muito, ainda mais para Anne que na adolescência precisou se esconder para salvar a própria vida. Ser madura não é só questão de idade, você não precisa ser velho para entender algumas coisas sobre a vida. Há jovens muito mais maduros e sábios que alguns velhos por aí, isso depende de como você encara a vida, e como aproveita a sua experiência cotidiana para aprender e sempre evoluir. Que é preciso manter alguns segredos por sanidade própria. Ser um livro aberto pode machucar as pessoas que estão ao seu lado e a si próprio. Guarde certas opiniões só para você. Aprendi que o mundo é injusto, que pessoas boas morrem, que nem sempre o final é feliz. Anne morreu muito jovem em um campo de concentração sem nunca saber que seu diário um dia iria ser um dos livros mais vendidos do mundo! E que esse livro um dia acabou sendo comprado pela minha avó, que por sua vez o deixou na estante da minha casa e que em uma tarde preguiçosa foi encontrado por mim. Anne nunca soube que o seu diário me ajudou, me acompanhou, alegrou, me emocionou e cativou durante anos e anos.

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Até hoje, lendo uma nova edição de capa azul, eu consigo entender perfeitamente o por quê de eu ter amado tanto Anne quando eu tinha doze anos. Dez anos se passaram e Anne continua sendo uma boa companhia. A menina franzina de sorriso cativante que mostrou ao mundo um ponto de vista diferente sobre a segunda guerra mundial sem fazer a menor ideia do que estava produzindo! Muitos dizem que o livro sofreu diversas alterações, para mim pouca importa. A essência está lá, isso que importa.

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Se um dia eu tiver uma filha vou dar de presente no seu 12º aniversário a velha edição do livro que foi da minha avó. Talvez isso demore um pouco (ou até não aconteça, quem sabe do futuro?), então pretendo presentear a Eliza Victória também com esse livro quando ela fizer doze anos. Espero que ela encontre nessas páginas o mesmo amor, coragem e determinação que eu encontrei.

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Anne foi minha melhor amiga na época em que eu não tinha muitas amigas que me entendiam. Anne foi a garota forte, determinada, inteligente, questionadora, ao mesmo tempo frágil e cheia de indagações sobre o mundo e si mesma. Para mim Anne foi a amiga perfeita, com quem eu podia sempre contar.

Meu Deus! Como um livro pode mudar a vida de uma pessoa dessa maneira? É tão mágico! E hoje, quando acabei mais uma releitura, das inúmeras que já fiz, fiquei divagando em pensamentos sobre a importância dos livros na vida das pessoas. Quem aí tem livros que são praticamente seus melhores amigos? Que formaram seu caráter, que te ensinaram muitas lições, que te acompanharam em jornadas pessoais? Eu tenho uma lista! Quem sabe um dia eu compartilhe aqui no VUOU.

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Me conta qual livro te faz suspirar toda vez que você lê. Vou gostar muito de saber 🙂

Até a próxima pessoal!