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Fui criada em um meio artístico, e sou grata pelo fato. Minha mãe fez Belas Artes e sempre incentivou o amor por esse universo. Lembro que quando éramos pequenas, eu e minha irmã, sentávamos ao lado da nossa mãe para que ela lesse a biografia de pintores famosos. Outras vezes para pintar, reproduzir quadros e experimentar coisas novas na área. Era um gosto raro, lembro hoje com muito carinho. Crescemos e cada uma enveredou por um lado, mas a apreciação pela arte em seu contexto mais amplo permaneceu. Foi por essa e outras situações que acabei me apegando, me apaixonando, pela história, por alguns artistas, suas obras e maneiras de expressão. Em especial Van Gogh.

Vicent Van Gogh não teve uma vida muito fácil. Quando jovem desistiu da carreira confortável de pastor para experimentar aquilo que o motivava de uma maneira ardente, a arte. Apesar do esforço, dos estudos, tempo e dinheiro investidos em pinturas, Van Gogh não teve reconhecimento em vida. Passou boa parte dos seus dias dedicado a sua paixão que o levou a uma constante série de fracassos. Vítima de chacotas, humilhações e indagações internas ele foi considerado louco. O artista suicidou-se em 27 de julho de 1890.

Embora seja uma história triste e com muitos outros detalhes que não consegui escrever na breve descrição acima, considero Van Gogh uma inspiração para minha vida. Louco, pobre, sem sucesso na vida profissional, amorosa e pessoal. Talvez você ache estranho alguém considerar o artista uma inspiração.

Um dos meus livros favoritos chama-se “Cartas a Théo”, que é uma compilação de cartas trocadas entre Vicent e seu irmão mais novo, Théo. E foi nessas folhas que descobri alguém além do fracasso e loucura. Van Gogh acima de tudo era um apaixonado por aquilo que fazia. Mesmo em sua dor e ridículo ele continuou perseguindo o que amava. Para mim suas pinturas são lindas pelo simples fato de serem de Van Gogh, mas observá-las com outra visão, sabendo o quanto custou de tempo, dedicação, paixão e coragem para criá-las deixa cada uma das obras mais belas e únicas.

Um dos pensamentos que mais gosto dele está escrita em uma carta de 9 de janeiro de 1878

A partir do momento em que nos esforçamos em viver sinceramente, tudo irá bem, mesmo que tenhamos inevitavelmente que passar por aflições sinceras e verdadeiras desilusões; cometeremos provavelmente também pesados erros e cumpriremos más ações, mas é verdade que é preferível ter o espírito ardente, por mais que tenhamos que cometer mais erros, do que ser mesquinho e demasiado prudente. É bom amar tanto quanto possamos, pois nisso consiste a verdadeira força, e aquele que ama muito realiza grandes coisas e é capaz, e o que se faz por amor está bem feito […] Se continuarmos a amar sinceramente o que na verdade é digno de amor, e não desperdiçarmos nosso amor em coisas insignificantes, nulas e insípidas, obteremos pouco a pouco mais e nos tornaremos mais fortes […] E é sensato fazer estas coisas, porque a vida é curta e o tempo passa depressa.

Toda vez que penso em Van Gogh gosto de analisar a mim mesma, e gostaria que você também o fizesse. Não acho que devemos usar o fracasso de Van Gogh como uma desculpa para nossos próprios erros. Pelo contrário! Considero o pintor uma inspiração por outros motivos. Não importa o que você esteja procurando, continue, busque de coração e dedique-se. Espero que você colha os frutos ainda em vida, diferente de Van Gogh, mas assim como ele que você viva aquilo que acredita. Por que acima das expectativas alheias e das pedras e buracos no caminho há a paixão, e é esse nosso combustível. Não se deixe enganar, ainda é preciso um bocado de amor para viver de verdade.

Às vezes precisamos lembrar disso para continuarmos na caçada pelos nossos sonhos.

Boa semana!