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Diário de Travessia: Serra Fina, dia 3 e 4

Já se passaram uns bons dias desde a minha última postagem sobre a Travessia da Serra Fina. Lembra daquele meu papo de postar aqui no blog só quando eu tivesse vontade? Continuo na mesma. Sem cobrança, sem desespero para compartilhar tudo o que acontece na minha vida, vou indo, fluindo… Agradeço os leitores que ainda continuam acessando o VUOU 🙂 Mas chegou a hora de finalizar esses posts, então decidi unir no mesmo os o terceiro e quarto dia.


Depois da fria e sofrida segunda noite de viagem acordamos animados para subir a Pedra da Mina e chegar ao Pico dos Três Estados para passar a terceira noite. Esse dia de caminhada prometia ser puxado, a vegetação começou a ficar mais densa e íamos atravessar um grande charco. Apesar das dificuldades pelo caminho eu estava empolgada para começar a caminhada e colocar meu corpo para funcionar.

Na noite anterior havíamos conhecido um montanhista chamado Thiago, um cara muito legal e bem experiente em travessias. Conversar com ele foi uma aula! Ele estava com um grupo que acabou desistindo quando chegaram na Pedra da Mina e acabou continuando a caminhada com a gente. O que foi muito legal, mais um para o grupo! 🙂

A caminhada já começou com subida, o que não é muito divertido visto que nossos corpos estavam doloridos pela noite mal dormida e ainda não estavam aquecidos. Pelo caminho encontramos crostas de gelo pelos barrancos e pedras. Rastros de uma noite realmente gelada.

Alcançar a Pedra da Mina não foi tão difícil, havíamos dormido no sopé e nem levou muito tempo. Mas chegar até lá foi bem emocionante para mim, não teve sentimentalismo, mas por dentro eu estava vibrando e muito grata por chegar em um dos picos mais altos do Brasil junto com pessoas que eu gosto muito, com o meu pai, desfrutando daquele visual incrível e da natureza, me senti pertinho de Deus.

O pico estava lotado! Eu não esperava encontrar tantas pessoas por lá, havia até fila para anotar o nome no caderno. Sinceramente não gosto de lugares muito lotados, principalmente quando estou na natureza. Quando estou no mato gosto de ter poucas pessoas por perto, para aproveitar mais os sons da natureza, ter mais tempo para admirar sem ter ninguém atrapalhando a minha visão hahahaha. Mas fazer o quê?

Nome anotado, hora de enfrentar o vale do Ruah. Um charco com mato denso batendo na cabeça e com terra fofa e encharcada de água. Muito difícil de se locomover ainda mais com mochilas pesadas.

Apesar do grau de dificuldade eu acabei me divertindo. Quando estou numa situação de muito apuro eu acabo achando tudo engraçado, talvez eu ria de desespero, mas o resultado é que todo mundo fica com uma cara feia eu rindo feito uma idiota. Só não consigo rir quando me machuco, aí é pedir demais. Minha irmã também é assim, às vezes nós duas desatamos a rir em situações que não era para dar risada.

Depois de algumas quedas uns palavrões soltos conseguimos passar pelo vale.

Esse foi um longo dia de caminhada e de sobe e sobe. Com o passar das horas começou a bater o desespero ao perceber que mais montanhistas estava indo também para o Pico dos Três Estados, se não chegássemos a tempo não teríamos lugares para montar as barracas. As paradas para fotografar diminuíram e o passo apertou. Precisámos chegar o quanto antes.

Por sorte chegamos a tempo, havia espaço para barracas e o sol ainda estava no céu. Deu tempo de montar acampamento e fazer o jantar com a luz do dia. O legal de dormir no Pico dos Três Estados é que ele é o encontro da divisa dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Então dormimos em São Paulo, jantamos em Minas e admiramos o pôr do sol no Rio de Janeiro. Já esteve em três lugares ao mesmo tempo? Eu já posso dizer que sim 🙂

Essa última noite foi mais confortável do que as demais, a única coisa que pegou foi vento que chacoalhou a barraca durante a noite toda! Me senti dentro de uma máquina de lavar roupa hahaha, não teve um único momento de folga.

Assim como em todos os demais dias da viagem levantamos cedo para assistir o nascer do sol do quarto dia, mas esse tinha um sabor diferente, era o último da aventura. Foi especial <3

Depois de escrever nossos nomes no caderno desmontamos as barracas e guardarmos os equipamentos. Prontos? Hora de enfrentar o finzinho da trilha.

Esse dia foi meio corrido, não paramos para almoçar e nem para fotografar, tínhamos horário para chegar até o ponto de encontro com o resgate que nos levaria de volta à Passo Quatro. Mas durante todo o percurso conversei bastante com o Thiago para aproveitar as dicas que ele tinha sobre montanhismo. Chegamos no meio da tarde no ponto, exaustos, famintos e muito sujos, mas muito felizes e gratos por tudo que passamos na Serra Fina.

A sensação de completar essa viagem é difícil de descrever, talvez seja por isso que demorei a postar todas as fotos aqui no blog. Eu não sabia como terminar de escrever sobre essa viagem, e ainda não sei. A Serra Fina mexeu com algo dentro de mim, algo muito particular e muito íntimo. Escrever o quão incrível essa viagem foi para mim é fácil, mas passar para vocês em palavras suficientemente boas o que eu realmente senti está se mostrando um desafio ainda maior do que subir uma montanha. Então eu desisti, só vou terminando esse post com uma lista de palavras que me vem à cabeça quando me lembro desses dias.

  • Superação
  • Dor
  • Auto conhecimento
  • Descoberta
  • Companheirismo
  • Apoio
  • Amizade
  • Amor
  • Alegria
  • Plenitude
  • Deus

Com amor,

Hady

Obs: saudades de dormir numa barraca, apesar do frio e vento <3

Veja também: DIA 1 DIA 2

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Diário de Travessia: Serra Fina, dia 2

Acordamos no topo do Camelo a 2.380 metros de altura. Depois da primeira noite na Travessia da Serra Fina estávamos tão animados para aproveitar cada minuto da experiência que nem ligamos para o frio da madrugada que formou uma camada de gelo nas barracas e no chão. Saímos dos nossos sacos de dormir aos pulos. Do lado de fora o vento estava de castigar, mas ver o nascer do dia nas montanhas valeu cada rajada na cara. O sol ainda não havia despontado, mas o céu estava clareando aos poucos criando uma atmosfera encantada. Tive a sensação de estar em um local sagrado. Me senti perto de Deus, perto do céu.

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Assim que o sol nasceu trocamos nossas roupas e começamos os preparos para começar a caminhada. Eu fui para o fogareiro para fazer o desjejum e meu pai foi desmontar a barraca. Depois de uma boa caneca de café quente, pão e frutas secas, colocamos todos os aparatos nas mochilas, fizemos uma oração e começamos a subida. Porque na Serra Fina é assim, subidas e mais subidas.

O frio deixando suas marcas na nossa barraca.

O frio deixando suas marcas na nossa barraca.

A subida até o Alto do Capim Amarelo é bem íngreme, pelo percurso tivemos que nos agarrar a cordas e escalar pelos barrancos escorregadios e molhados. O que dificultava eram as mochilas e nosso corpo ainda frio. Nota; preciso lembrar de me alongar antes das caminhadas. O legal é que todo mundo do grupo apoiava um ao outro e se alguém escorregava a gente se divertia, ria e seguia em frente.

Desmontando o acampamento para começar o segundo dia de caminhada.

Desmontando o acampamento para começar o segundo dia de caminhada.

Durante a travessia há topos mais altos do que outros, eles são como pontos de referência e alguns deles possuem uma caixa de metal com um caderno e caneta dentro. Esses cadernos são um marco para os trilheiros e montanhistas. Neles deixamos nossos nomes e a data do dia que passamos pelo local. A maioria de nós também deixou um pequeno texto ou frase sobre a sensação de estar fazendo a travessia.

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É como dizem, tudo que sobe também desce, o que valeu para o segundo dia de caminhada. Assim que chegamos ao topo do Alto do Capim Amarelo tivemos que enfrentar a nossa primeira descida. Porém não é só uma simples descida, caro leitor. É uma descida chata pra caramba! A vegetação dominante é de bamboos fininhos e cortante, que pinicam a pele, enroscam nas mochilas e machucam as mãos e o rosto. Por isso, é essencial usar blusas de manga comprida, luvas e cobrir a mochila com a capa de chuva para evitar que as partes sobressalentes prendam nos galhos compridos dos bamboos. Não é lá muito gosto andar entre essa vegetação, entretanto preciso ser sincera, ela domina a trilha! Então o melhor a se fazer é focar na meta do dia e passar por cima desses galhinhos malignos.

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No segundo dia é essencial que chegar na Cachoeira Vermelha para abastecer a reserva de água. Então não teve choro nem vela, tivemos que manter um bom ritmo de caminhada durante todo o dia para chegar a tempo nos pontos de acampamento para pegarmos os locais mais protegidos do vento para podermos passar a noite. O almoço foi bisnaguinha, queijo parmesão e frutas secas. Não tivemos tempo para paradas mais longas e nem para cozinharmos.

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Pela frente, adivinhem… subidas e mais subidas! Andamos pelas cristas das montanhas, que é minha parte favorita! Andar por um caminho estreito com apenas uma grande queda a cada lado deixa tudo mais emocionante e desafiante.

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Assim que nos aproximamos da Cachoeira Vermelha o terreno começou a ficar mais ameno. Como ainda estava cedo e tinha luz do dia decidimos andar um pouco mais até o Rio Claro, aos pés da Pedra da Mina. Montamos nossas barracas, abastecemos nossas garrafas e tomamos nosso banho de gato (hahahaha). Ao final desse dia fiz uma baita janta, com arroz e feijão e tudo! E novamente apareceu um ratinho enquanto eu preparava a janta. Só que esse era mais atrevido do que o outro e tentou entrar na minha sacola de mantimentos. Tive que praticamente tirar-lo com as mãos.

Satisfeitos entramos na barraca às 19:00 horas, muito cedo para dormir então para garantir tomei Dramin para cair logo no sono. Tudo parecia estar bem, porém mal sabíamos o perrengue que íamos passar durante a noite. O frio dessa vez foi cruel. Meu pai e eu tivemos a nossa pior noite, acordamos muitas vezes com frio e reclamando dos pés gelados e dores no corpo. Ainda bem que a noite não dura para sempre e assim que o dia começou a despontar agradecemos a Deus, estávamos ansiosos para colocar logo as botas nos pés e subir a Pedra da Mina. Ficar na barraca estava sofrido.

CONTINUA…

1ª parte da viagem

 

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Diário da Travessia: Serra Fina, dia 1

São 07:00 da manhã. Estou enrolando na cama desde das 06:00. Meu corpo está aqui, com algumas sequelas, mas meu coração e mente estão longe, no topo das montanhas da Serra da Mantiqueira. Quando paro para pensar no final de semana que passei fazendo uma das travessias consideradas mais difíceis do Brasil chego à conclusão que difícil não é escalar as montanhas, acampar em locais precários ou passar frio. Difícil mesmo é voltar para a “sociedade”, encarar os velhos problemas, os alertas no e-mail, olhar no espelho e pensar que eu não queria estar me arrumando para causar uma boa impressão nos outros. Que eu gostaria mesmo é de estar suja com a poeira das trilhas, cabelo amarrado, botas nos pés e mochila das costas.

“There’s a whisper on the night wind, there’s a star agleam to guide us. And the wild is calling, calling… let us go” – Robert W. Service

Quinta-feria, dia 06 de Julho de 2017 

Acordei num salto às 03:00 manhã. Já estava vestida com minha roupas de trekking, lavei o rosto, calcei as botas, passei o café, peguei a câmera e saí pela porta da sala. Ainda estava escuro quando fechei a última porteira do sítio e entrei no carro para começar uma das grandes aventuras da minha vida. Ao meu lado meu velho companheiro de aventuras, no porta malas duas mochilas, no Spotify tocava Mumford & Sons e do lado de fora a estrada tomava seu curso. Nosso destino, Passa Quatro – MG, mas antes uma parada em Itamonte – MG para deixar o carro estacionado na casa do Marquinhos, um mineiro muito gente boa que faz o resgate dos montanhistas. Para quem não sabe, resgate é quando uma pessoa, ou uma empresa, leva os montanhistas até o começo da trilha e depois busca no final dela. Por ser uma travessia nós não terminamos a trilha no mesmo ponto que começamos.  De Itamonte até o começo da trilha, na Toca do Lobo, demoramos em média uns 40 minutos no carro do Marquinhos. Nos despedimos e combinamos o horário de encontro no Domingo ao final do percurso.

* Para quem tiver interesse em anotar o contato do Marquinhos, aí vai: 9 9113-1214 / 9 8428-1059

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No início da trilha já estava à nossa espera o Luiz Fernando, trilheiro experiente e amigo do meu pai, mas que também tenho a alegria de chamar de meu amigo aventureiro. Independente das nossas diferenças, quando conversamos sobre trekking falamos a mesma língua. Já fiz algumas viagens com o Luiz, e quando comentei que queria fazer a Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, ele perguntou se eu topava fazer a Serra Fina. Obviamente topei na hora. E já que ele tinha feito a travessia antes, ele seria o nosso guia. Com ele veio o Vagner, um cara muito gente fina e engraçado que tem no currículo o circuito da Patagônia e que pratica rapel há um bom tempo. Todo animado ele apresentou a sua esposa, Thalita. A Thalita não costuma fazer trilhas e travessias, mas ficou animada e quis enfrentar a Serra Fina ao saber que teria uma mulher no grupo. O Luiz riu ao dizer, “Mal sabe ela que tipo de mulher é a Hadassah”. Mas independente o “tipo”de mulher que eu sou, ela se deu muito bem na travessia e mostrou bastante garra.

Todos reunidos, mochilas nas costas, fizemos uma oração e começamos a nossa caminhada até a Toca do Lobo, o primeiro e último ponto de água até o final do segundo dia. A Serra Fina é considerada uma das travessias mais difíceis do Brasil não só pelo grau de subidas e descidas arriscadas, mas também pela falta de água. Os pontos são poucos então precisamos carregar um média de 3 a 4 litros (por pessoa) de água nas costas, levando em consideração o preparo das refeições e hidratação. Esse peso a mais conta na hora da caminhada! A água torna-se um dos bens mais preciosos nessa trilha.

A água que cai direto da montanha é deliciosamente gelada! Mesmo aparentemente limpa não esquecemos de adicionar algumas gotas de hipocloreto de sódio nas nossas garrafas. Abastecidos começamos subir até o Quartzito, a 2020m de altitude.

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Seria muita burrice encarar a Serra Fina sem preparar 0 psicológico e físico para as subidas. Se você não tiver uma cabeça forte para encarar os picos já desisti logo no começo. Olhar aquelas montanhas e pensar que terá que atravessa-las pode causar um desânimo. No primeiro dia me senti assim. Mas o Luiz me deu um conselho muito bom. Olhar para baixo e seguir em frente, sem pensar muito no meu cansaço. Penso que na vida, muitas das vezes, também é assim. Quando o desafio é grande ao invés de olhar lá na frente é melhor focar no agora, dar o melhor de si no momento presente. E quando menos percebermos a montanha terá sido conquistada.

Assim que saímos da Toca do Lobo foi só subida atrás de subida. E não se engane, meu caro leitor, a trilhas da Serra Fina não abertas e limpas. Em muitos momentos havia apenas um rastro no caminho fechado pela vegetação, que tivemos que passar afastando árvores e apoiando as mãos em rochas. Uma experiência pra lá de agradável, para quem gosta de enfrentar desafios ao ar livre. E para quem não liga para alguns cortes nas mãos, unhas lascadas e sujas. Ah, uma dica, use luvas! Ajuda a projetar as mãos durante as escaladas.

Perto da 1 da tarde paramos para almoçarmos. Cada um abriu sua mochila e comeu o que trouxe de casa. Eu eu meu pai havíamos tomado um café reforçado no meio do caminho até Passa Quatro, então nosso almoço foi um lanche de assado de legumes, castanhas e frutas secas. Depois de uma parada para algumas fotos retomamos o caminho até o topo do Camelo a 2380m de altitude, passando pelo Cotovelo. Para chegar até lá tivemos que passar pela primeira crista da travessia. E foi inesquecível. Para mim foi como passar por um portal mágico. Me senti finalmente parte daquela imensidão. Como uma iniciação. Eu estava oficialmente enfrentando o desafio em meio à natureza praticamente intocada pelo homem, tão majestosa e imponente que se levantava à minha frente. Aparentemente intransponível, mas que eu conseguiria descobrir e enfrentar, dando um passo por vez.

Da crista até o Cotovelo e depois até o Camelo. Foram por esses pontos que passamos no primeiro dia. A ideia era acampar em algum local após o Alto do Capim Amarelo, mas quando chegamos ao topo do Camelo já eram 17:00, em menos de uma hora já estaria escuro. Conversamos e chegamos à conclusão que seria mais prudente montar acampamento por lá mesmo. Vimos muitos montanhistas fazendo a trilha durante a noite. Essa escolha vai de pessoa para pessoa. Nosso grupo optou por sempre montar o acampamento ainda com a luz da dia. Por alguns motivos, como mais comodidade, segurança e também para descansarmos mais tempo.

Quando terminamos de montar as barracas o sol já ia se escondendo no horizonte. Uma das minhas cenas favoritas! Gosto muito de ver o pôr do sol, em geral, mas vê-lo se despedindo em cima das montanhas é ainda mais encantador. Me senti muito grata e feliz. Não fotografei. Estava tão entretida com a paisagem que quis viver aquele momento em sua plenitude, sem me preocupar em fotografar, sem pensar em nada, apenas aproveitar e guardar cada segundo na minha memória. E mesmo que eu tivesse fotografado, nenhuma foto ia traduzir a beleza daquele momento. Viver é muito melhor! Mas não se preocupem, tirei fotos nos dias seguintes da travessia, vou publicar nos próximos posts 🙂

Depois das 18:00 não tínhamos muito o que fazer. A temperatura começou a baixar e o vento ficou mais forte. Restou fazer a janta e nos ajeitarmos para passar a noite. Enquanto meu pai fazia sua higienização pessoal (Não tem como tomar banho nessa trilha. Então, sim… passamos quatro dias limpando nossos corpos com lencinhos umedecidos. Sem frescura gente, é suportável!) eu fazia uma bela macarronada no fogareiro. E mesmo economizando água a janta estava muito boa. Eu e meu pai comemos até dizer chega! Sou da seguinte opinião, comer bem é importante, independente do local. Mesmo numa trilha, dá para fazer uma comida muito gostosa, é só montar o cardápio certo.

Enquanto eu cozinhava um ratinho silvestre apareceu bem perto da nossa barraca. Seu medo nenhum ele se aproximou da sacola de comida e tentou surrupiar um pedaço de pão. Levei um susto no primeiro momento! Imagina você, ver um rato assim, na maior cara de pau tentando roubar sua comida! Depois caí na risada e achei a coisa mais fofa do mundo. Joguei no chão um pouco de macarrão e ele veio correndo, pegou um pedaço e logo se escondeu no arbusto perto da barraca. E assim terminei meu primeiro dia dividindo minha janta com um rato. Melhor experiência! Que se repetiu no dia seguinte. Das duas uma, esse rato me seguiu pela trilha atrás de comida ou os ratos da Serra Fina já estão tão acostumados com os trilheiros que eles sabem que vão ter comida fácil perto dos acampamentos. Por isso eles são ousados o suficiente para chegar perto de nós, humanos. Acredito que seja a segunda opção.

Comida guardada, mochilas organizadas, roupas limpas e duas meias nos pés depois… estávamos dentro dos nossos sacos de dormir. Prontos para enfrentar nossa primeira, e gelada, noite na Serra Fina.

Mapa da Serra Fina

Mapa da Serra Fina

CONTINUA…

Com amor,

Hady

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