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Cotidiano

Não muito, nem pouco.

Hoje acordei me sentindo extremamente egoísta. Deitada na cama fiquei pensando nas desculpas que dei para as pessoas que eu amo. Desculpas para não conversar um minuto a mais pelo telefone, para não mandar uma mensagem dizendo um simples olá ou o tempo que gastei dentro de uma sala trabalhando ao invés de estar com que eu queria estar. Aos poucos essa rotina está ficando confortável. Eu trabalho até tarde, estudo, durmo um bocado aos sábados, tomo uma caneca de café reforçado e volto a trabalhar, estudar, trabalhar, estudar… A grande desculpa é; “não posso me focar em nada além disso, esse é meu momento de pegar o leão pela juba e lutar pelas minhas conquistas”. O que não acho que esteja de todo errado, mas por outro lado me sinto superficial com as minhas relações pessoais. Estou sempre falando de trabalho, de assuntos muito específicos, que não agradam a todos, ocupada demais para dedicar um tempo de qualidade ou cansada demais para qualquer outra coisa. Tento me fazer disponível, mas a lista de mensagens que demoro a responder e a agenda sempre com horários para cumprir piscam na minha cara. Quando meu corpo está presente, minha alma e pensamentos costumam se dispersar. Isso quando não me canso de tudo e me isolo aos finais de semana. Um claro sinal de que não estou conseguindo me manter em equilíbrio. Isso me incomoda. Quem também se sente assim?

Então hoje pela manhã assei um pão de grãos. Enquanto a massa crescia na forma e o cheiro impregnava a casa eu fiquei me questionando sobre a vida, exigindo de mim mesma melhorias. Sou extremamente exigente, meu Deus! Preciso de ninguém para ficar no meu pé, faço o papel com esmero. Quando o pão dourou formando uma casca crocante desliguei o forno e o cortei ainda quente. Uma boa passada de manteiga artesanal, uma caneca significativa de café e damascos secos. Foi o suficiente para eu esquecer tudo que perturbava a minha mente.

Já provaram algo mais gostoso que pão? Pizza é uma competidora forte, e mesmo que eu consiga não dá para comer pizza todos os dias. Agora pão… nossa, pão é básico, deliciosamente básico. Todos os dias na mesa e nós nem reparamos nele com cuidado. Mas ele sempre está lá para começar o dia. Não muito, nem pouco. Só o justamente necessário. Um pedaço de pão quente com a manteiga derretendo com o calor da massa me fizeram sentir abraçada de dentro para fora.

Às vezes corremos atrás de grandes conquistas. O que não tem nada de errado. Deus colocou em nós o desejo de criar, enfrentar aventuras e conquistar. Isso está no nosso sangue, precisamos dessas sensações para nos sentirmos vivos. Desafios são necessários e importantes. O problema é também esquecer da importância daqueles e daquilo que são como o pão. Tão simples e disponível, aquilo que nos dá força sem grandes firulas ou sem chamar muita atenção. Água, farinha de trigo, óleo e fermento são a base. Quatro ingredientes. Quer algo mais simples?

Não esqueçamos que a vida pode ser deliciosa sem grandes exageros, nem para mais, nem para menos, só aquilo que se encaixa justinho dentro de nós. Aquilo que nos espera todas as manhãs, sem fazer grandes alardes, às vezes imperceptível, mas sempre lá para nos dar uma força, mesmo sem dizer nada.

Deus mandou um pequeno presente para me lembrar que tudo ficará bem <3

Bom domingo para vocês!

Com amor,

Hady

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