a sutil arte de ligar o f*da-se
Literatura

A Sutil Arte de Ligar o F*da-se (Mark Manson)

A Sutil Arte de Ligar o F*da-se não é um livro de auto ajuda comum. Ele não promete entregar fórmulas secretas para ser feliz, não diz para você sempre “pensar de maneira positiva”, e todo esse tipo de sucesso enlatado que muitos livros vendem por aí. Mark Manson quer compartilhar o que ele aprendeu durante a sua vida. Ele diz que não existem fórmulas secretas para ser feliz. Que todos nós sabemos que somos cheios de falhas e limitações, mas não adianta fingir que não podemos vê-las – o melhor é reconhecer, aprender e aceitar os limões que a vida nos dá.

Quando eu era mais jovem (me senti uma senhora, hahaha) costumava ler muitos livros de auto ajuda. Na época eles tinham uma certa relevância e me ajudavam a lidar com os problemas. Porém, com o passar dos anos comecei a perceber que eu estava apenas reproduzindo o que lia nos livros. Que estava deixando de pensar por conta própria e que no final das contas eu só estava seguindo umas fórmulas meio fracassadas para alcançar a felicidade e auto entendimento. No resumo eu era uma fraude, nada do que eu lia e fazia parecia funcionar. Aí aboli os livros de auto ajuda da minha vida e decidi encontrar as respostas para as minhas indagações por conta própria.

Foi somente nesse ano que passei a ler uma coisa ou outra do gênero. Apreciando tudo com muita moderação, é claro. Até que vi na seção de lançamentos da editora Intrínseca um título que me chamou a atenção, esse livro era A Sutil Arte de Ligar o F*da-se. Além do título instigante a sinopse também era bem interessante. Um livro que convida o leitor a esquecer tudo o que ele aprendeu sobre auto ajuda e que diz não ser um livro de auto ajuda padrão. Bem era exatamente isso que eu precisava! E não me arrependi de ter comprado. A Sutil Arte de Ligar o F*da-se foi uma leitura fluida e rápida. Praticamente devorei o livro!

a sutil arte de ligar o f*da-se

Pensar Positivo? Às vezes a vida é uma droga mesmo, e a atitude mais saudável é admitir isso.

Mark Manson não tem meandros ou meias palavras. Com um estilo honesto e divertido, ele se tornou popular escrevendo em seu blog o que as pessoas realmente precisavam ouvir sobre relacionamentos e sobre a vida em geral. Ele é o tipo de pessoa que acredita que somente umas boas verdades ditas na cara serão realmente efetivas para nos fazer evoluir pessoal e profissionalmente.

O autor fala sobre a sua vida e experiências (tanto as boas como as ruins) que o fizeram amadurecer. Ele não é um psicológico, cientista ou coach, tudo o que ele aprendeu foi através das experiências cotidianas. E isso que é legal!

Ao ler o livro me senti conversando com um amigo, que fala besteira, uns palavrões, que te dá umas cortadas e me faz rir. É bem diferente de ler um livro de auto ajuda repleto de frases de efeito que só mostram histórias de sucesso e superação. Eu até me sentia mal por não ser tão boa quanto o autor. Com Manson é diferente. Ele fala sobre os seus fracassos, inclusive aqueles que nunca resultaram em sucesso, que só foram fracassos e pronto. Também conta sobre os momentos em que ele foi um babaca, os traumas que passou e como tudo isso o ajudou a perceber que a vida não é fácil, mas pode ser muito boa. Para o autor a vida não é um eterno estado de euforia. Ela pode ser bem tensa em muito momentos, mas depende da gente escolher pelo o que lutar, então foda-se o resto!

a sutil arte de ligar o f*da-se

Assumir a responsabilidade pelos nossos problemas é muito mais importante, porque é daí que vem o verdadeiro aprendizado. É daí que vem o progresso. Culpar os outros é apenas escolher sofrer.

Ah, e muito se engana quem pensa que ligar o foda-se é deixar de se importar com as pessoas, coisas e eventos. Não! Ligar o foda-se não é se tornar um babaca indiferente. Ligar o foda-se é deixar de fantasiar sobre a vida. É entender que viver não é um parque de diversões. Aceitar a realidade te faz estabelecer prioridades. E Manson nos dá algumas pistas sobre como aceitar melhor os altos e baixos da vida.

Leitura mais que indicada! Como escrevi no começo desse post eu tenho alguns receios sobre livros de auto ajuda. Porém, esse é de longe um dos mais sinceros que eu já li. Repito, ler esse livro é como conversar com um amigo, você pode até não concordar com tudo, mas sempre tirará algumas lições estando ao lado dele.

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Anne Frank foi a minha melhor amiga.
20 de Maio de 2016
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Anne Frank foi a minha melhor amiga.

Quando tinha 12 anos li pela primeira vez O Diário de Anne Frank. Na época eu estudava em casa e meu círculo social era bem reduzido, se formos comparar com as demais crianças da minha idade que frequentavam a escola “normal”. Esse fato não me incomodava em absolutamente nada. Eu adorava estudar em casa! No entanto preciso ser sincera ao fato de que era uma criança solitária. Acredito, analisando hoje, que a minha personalidade introspectiva também tinha seu quinhão no fato.

Naquela época para mim era extremamente normal viver em um mundo à parte, em uma chácara com meus pais, irmãos, cachorros, papagaio, mini vaca, pônei, lagartos, galinhas, tartarugas, tucano, macaco, etc. Sim, já tive muitos animais! Era divertido ser diferente e aproveitar os benefícios de uma vida mais livre, longe de uma sala de aula. Era eu, uma casinha no campo, minha família, meus animais e meus livros. Fui muito feliz vivendo assim.

Hoje, mais madura e um pouco mais vivida, reconheço que aos doze anos minha visão de mundo era bem diferente das demais crianças da minha idade. E os livros que eu lia foram responsáveis por isso. Nas páginas gastas de muitos livros que encontrei minhas amizades mais duradouras. Não achem estranho. Há pessoas que se sentem mais confortáveis vivendo outras histórias e em outros universos. Eu era uma dessas pessoas. Muitos personagens da literatura tornaram-se meus amigos e conselheiros.

anne frank

Uma das minhas melhores amigas dessa época foi Anne Frank. Quando li os primeiros capítulos do seu diário senti uma atração instantânea pela personalidade da menina. Eu sentia como se a conhecesse de longa data. Nossas opiniões combinavam, apesar de ela ter vivido muitos anos antes de mim, numa época diferente e num cenário mundial bem mais crítico. Mas sei lá, algo nela lembrava a mim mesma. Mesmo ela sendo muito espontânea, mandona e irreverente. Talvez fosse o gosto pela escrita e sua alma sonhadora.

Com Anne Frank aprendi que escrever é a melhor maneira de entender seus próprios sentimentos e desabafar.

Aprendi que você nem sempre vai ser a pessoa mais agradável aos olhos dos outros, mas que é preciso manter-se firme aos seus ideais apesar das opiniões alheias.

Que a vida é dura, e muito, ainda mais para Anne que na adolescência precisou se esconder para salvar-se da guerra. Ser madura não é só questão de idade, você não precisa ser velho para entender algumas coisas sobre a vida. Há jovens muito mais maduros e sábios que alguns velhos por aí, isso depende de como você encara a vida, e como aproveita a sua experiência cotidiana para aprender e sempre evoluir.

Que é preciso manter alguns segredos por sanidade própria. Ser um livro aberto pode machucar as pessoas que estão ao seu lado e a si próprio. Guarde certas opiniões só para você.

Aprendi que o mundo é injusto, que pessoas boas morrem, que nem sempre o final é feliz. Anne morreu muito jovem em um campo de concentração sem nunca saber que seu diário um dia iria ser um dos livros mais vendidos do mundo! E que esse livro um dia acabou sendo adquirido pela minha avó, que por sua vez o deixou na estante da minha casa e que em uma tarde preguiçosa foi encontrado por mim. Anne nunca soube que o seu diário me ajudou, me acompanhou, alegrou, me emocionou e cativou durante anos a fio.

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Até hoje, lendo uma nova edição de capa azul (essa aí da foto), consigo entender perfeitamente o por quê de eu ter amado tanto Anne quando eu tinha doze anos. Dez anos se passaram e Anne continua sendo uma boa companhia. A menina franzina de sorriso cativante que mostrou ao mundo um ponto de vista diferente sobre a segunda guerra mundial. E o mais incrível, sem fazer a menor ideia do que estava produzindo! Muitos dizem que o livro sofreu diversas alterações, para mim pouca importa. A essência está lá, pelo menos espero que sim.

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Se um dia eu tiver uma filha vou dar de presente no seu 12º aniversário a velha edição do livro que foi da minha avó. Talvez isso demore um pouco (ou até não aconteça, quem sabe do futuro?), então pretendo presentear a Eliza Victória também com esse livro quando ela fizer doze anos. Espero que ela encontre nessas páginas o mesmo amor, coragem e determinação que eu encontrei.

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Anne foi minha melhor amiga na época em que eu não tinha muitas amigas. Anne foi a garota forte, determinada, inteligente, questionadora, ao mesmo tempo frágil e cheia de indagações sobre o mundo e sobre si mesma. Para mim Anne foi a amiga perfeita, com quem eu podia sempre contar.

Meu Deus! Como um livro pode mudar a vida de uma pessoa dessa maneira? É tão mágico! E hoje, quando acabei mais uma releitura, das inúmeras que já fiz, fiquei divagando em pensamentos sobre a importância dos livros na vida das pessoas.

Quem aí tem livros que são praticamente seus melhores amigos? Que formaram seu caráter, que te ensinaram muitas lições, que te acompanharam em jornadas pessoais? Eu tenho uma lista! Quem sabe um dia eu compartilhe aqui no VUOU.

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Me conta qual livro te faz suspirar toda vez que você lê. Vou gostar muito de saber 🙂 Até a próxima pessoal!
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